Crescimento radicular do algodoeiro em função da aplicação de reguladores vegetais

Na cultura do algodoeiro, uma das tecnologias recomendadas para o manejo é o uso de reguladores vegetais para manipulação da arquitetura das plantas, sendo o cloreto de mepiquate (CM), um dos mais utilizados. Os principais efeitos dele sobre a cultura são a redução no crescimento, no número e no tamanho dos ramos reprodutivos e uma melhoria das proporções entre as partes vegetativas e reprodutivas.

Este trabalho teve como objetivo avaliar a resposta de diferentes doses de cloreto de mepiquate sobre o crescimento radicular de plantas de algodão e sua relação com o crescimento vegetativo e reprodutivo.

O experimento foi realizado em casa de vegetação na Universidade do Oeste Paulista (Presidente Prudente), em tubos de PVC adaptados com uma parede frontal de vidro (rizotrons). O experimento foi dividido em duas partes, pois trabalhou-se com dois estádios fenológicos diferentes, B3 e F1. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados e os tratamentos foram constituídos por quatro doses de cloreto de mepiquate: 0, 10, 20 e 40 g i.a ha-1 e três repetições.

A aplicação foliar nos estádios B3 e F1 ocorreu aos 30 e 50 dias após a emergência das plantas, respectivamente. Foram avaliados altura de plantas e número de folhas aos 0, 7, 10, 14, 17 e 21 dias após aplicação (DAA). O crescimento radicular, foi avaliado aos 0, 7, 14 e 21 DAA, através da fixação de um filme de plástico transparente na parede de vidro dos rizotrons, no qual foram feitas marcações semanalmente com canetas coloridas, das raízes que crescerem junto ao vidro e avaliadas posteriormente seguindo a metodologia de Tennant.

Após isso, as plantas foram cortadas à altura do colo, as raízes foram lavadas e analisadas quanto ao comprimento, diâmetro e volume através do software WinRhizo. O peso específico da folha, área foliar, massa de matéria seca de folhas, de estruturas reprodutivas e de raiz e o teor e acúmulo de carboidratos da raiz foram avaliados aos 21 dias após a aplicação para cada estádio.

A aplicação de cloreto de mepiquate em B3 e F1 reduziu a altura de plantas e o número de nós, conforme houve aumento da dose, porém, a altura em B3 e o número de nós em F1 só foi controlada até os 17 DAA. A área foliar, em F1, diminui à medida que se aumenta as doses de CM. Em B3 a massa de matéria seca das folhas, estruturas reprodutivas, radicular e total, diminui conforme aumento na dose de regulador.

Já em F1, estas massas de matéria seca apresentaram aumento até a dose de 20 g i.a. ha-1 e depois houve queda nos valores. O teor e acúmulo de carboidratos na raiz aumenta no estádio B3, conforme há aumento nas doses de CM.

O comprimento radicular total diminui com a aplicação de 40 g i.a ha-1 no estádio B3, como também diminui o comprimento da raiz principal e lateral. Por outro lado, a aplicação de cloreto de mepiquate em F1, aumenta o comprimento radicular total, da raiz principal e raízes laterais.

Concluiu-se que a aplicação de cloreto de mepiquate no estádio B3 equilibra o crescimento entre as partes vegetativa e reprodutiva, porém doses mais elevadas como 20 e 40 g i.a. ha-1 podem reduzir o comprimento radicular, e isso requer um cuidado especial em áreas de solos arenosos, déficit hídrico no final do ciclo, ocorrência de nematoides, pois o comprometimento do sistema radicular pode limitar a produtividade.

B3
F1
F1


Patrícia Rafaella de Mello, Engenheira Agrônoma, Mestre em Agronomia - Fisiologia e Tecnologia da Produção Vegetal

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