Cultivares de milho convencional e transgênico para a safra de 2010/2011

Na safra 2010/11 o mercado de sementes oferta 361 cultivares convencionais de milho. Desse total, 70 novas cultivares ou que não foram listadas na safra anterior (12 variedades, 1 híbrido intervarietal, 10 híbridos duplos, 15 híbridos triplos e 32 híbridos simples) substituíram 34 cultivares (1 variedade, 4 híbridos duplos, 9 híbridos triplos e 20 híbridos simples) que deixaram de ser comercializadas na safra atual, mais uma vez demonstrando a dinâmica dos programas de melhoramento, a evolução do nível tecnológico da cultura e a importância do uso da semente no aumento da produtividade.
Esses dados foram obtidos diretamente das empresas produtoras de sementes de milho (em materiais de divulgação e promoção como boletins e folderes das cultivares de milho) e de outras fontes disponíveis, como a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e o zoneamento agrícola divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Além das cultivares convencionais, as transgênicas passaram de 104 na safra anterior para 136 na atual, o que representa grande incremento.
Para facilitar a compreensão, uma análise deve ser realizada separadamente, uma vez que a maioria das cultivares transgênicas possuem também uma versão convencional.

Cultivares convencionais
Uma análise crítica mostra predominância no número de híbridos simples, que representam hoje 48,75%. Os híbridos simples e os triplos, juntos, respondem atualmente por 70,91% das opções para os produtores, mostrando o alto potencial genético da semente de milho utilizada na agricultura brasileira e uma necessidade de se aprimorar os sistemas de produção empregados para melhor explorar o potencial genético dessas sementes.
As cultivares precoces representam 67,86% das opções de mercado, enquanto as hiper e as superprecoces alcançam o percentual de 21,60%. Esta classificação, quanto ao ciclo, não é, entretanto, muito precisa.
Algumas empresas especificam apenas o plantio de verão, ou de safra normal, e a safrinha. Um maior número de empresas, entretanto, fornece mais informações, separando o plantio em cedo, normal, tardio e safrinha. Outro aspecto importante no plantio do milho safrinha é o ajuste na densidade de cultivo. Como regra geral, a densidade é menor do que a recomendada para a safra normal, principalmente devido à menor disponibilidade hídrica que ocorre neste sistema de plantio.
Além da produção de grãos, há indicação de cultivares para produção de silagem de planta inteira, silagem de grãos úmidos e produção de milho verde. As características descritas nas Tabelas 1 e 2 são mais adequadas para cultivares de milho para a produção de grãos e de silagem. Para as cultivares de milho de uso especial (canjica, pipoca, doce, indústria de amido), o agricultor deverá verificar outras características importantes, de acordo com as exigências do consumidor ou da indústria processadora.
Com relação à textura do grão, verifica-se predominância de grãos semiduros (54,01%) e duros (26,03%) no mercado. Materiais dentados são minoria (5%) e geralmente acabam utilizados para a produção de milho-verde ou produção de silagem.
Também é muito importante o conhecimento do comportamento das cultivares com relação às doenças. Na tabela 2, são apresentadas informações sobre o comportamento das cultivares com relação às principais doenças: fusariose, ferrugem comum - Puccinia sorghi, ferrugem branca - Physopella zea, ferrugem polisora - Puccinea polysora, pinta branca - Phaeosphaeria maydis, helmintosporiose - Helminthosporium turcicum, Helminthosporium maydis, enfezamento ou corn stunt, cercosporiose e doenças do colmo e dos grãos.

Cultivares transgênicas
Na safra atual, novos eventos transgênicos foram liberados oficialmente e, como consequência, resultaram em 136 versões transgênicas. Nesta safra, 19 cultivares de milho transgênico deixaram de ser comercializadas (14 híbridos simples e 5 híbridos triplos) e 51 novas versões transgênicas foram acrescentadas ao mercado (40 híbridos simples, 4 híbridos simples modificados e 7 híbridos triplos), mostrando a grande dinâmica na substituição de cultivares de milho no mercado.
As cultivares transgênicas atualmente no mercado são resultantes de cinco eventos transgênicos para o controle de lagartas: 50 cultivares contêm o evento MON 810 - marca registrada YieldGard; 41 apresentam o evento TC 1507 - marca Herculex I; 17 apresentam o Agrisure TL, conhecido como Bt11; 4 apresentam o evento MON 89034 e 2 apresentam o evento MIR162.
Existem no mercado dois eventos transgênico que conferem resistência ao herbicida glifosato aplicado em pós-emergência: o evento NK60 3 Milho Roundup Ready 2 e o evento GA21. Treze cultivares transgênicas apresentam o evento NK60 3, mas o evento GA21 só aparece associado ao evento Agrisure TL, conhecido como Bt11, em uma cultivar.
Existem também oito cultivares transgênicas resistentes a insetos da ordem lepidóptera e tolerantes ao herbicida glifosato (quatro apresentam os eventos Milho TC1507 x NK603 e quatro apresentam os eventos Milho MON810 x NK603).
Embora as cultivares transgênicas que apresentam resistência ao herbicida glifosato tenham sido registradas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático, aparentemente ainda não foram comercializadas no Brasil, uma vez que ainda não há registro para sua aplicação em pós-emergência. Para se beneficiar das vantagens do plantio de milho transgênico com resistência ao herbicida glifosato, é necessário que haja no mercado algum herbicida à base de glifosato registrado no Brasil, para aplicação na pós-emergência do milho.
Os híbridos simples, modificados ou não, representam 83,08% das opções em mercado, enquanto em torno de 17% são híbridos triplos.
Cerca de 75% das cultivares transgênicas apresentam ciclo precoce e aproximadamente 20,5% são superprecoces. As cultivares, convencionais ou transgênicas, que estão no comércio na safra 2010/11 e suas principais características e recomendações estão listadas nas Tabelas 1 e 2. (as tabelas encontram-se no arquivo em pdf)

José Carlos Cruz
Israel Alexandre Pereira Filho
Embrapa Milho e Sorgo
Gustavo Henrique da Silva
FAPEMIG/Embrapa

Este artigo foi publicado na edição número 136 da Revista Cultivar Grandes Culturas, de setembro de 2010. ver mais artigos

gilvan.quevedo@grupocultivar.com

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