De olho no futuro

É na entressafra que o produtor deve revisar a sua colhedora, para que tudo se engrene no campo. A entressafra é o melhor período para colocar a máquina em dia. Primeiro porque ela não pode ficar mais de seis meses parada, sem passar por uma limpeza completa, segundo, porque o preço das peças a serem trocadas, e os serviços de manutenção costumam baixar de valor fora da época normal de colheita. Um bom plano de manutenção de uma colhedora se divide basicamente em dois grupos de atividades: a manutenção da safra e da entressafra; ou seja, pós-colheita. A manutenção na safra pode ser chamada de operacional, pois a máquina, nesse período, nunca pára. Colhe muitas vezes, dia e noite, numa atividade intensa, necessitando uma atenção especial quanto aos pontos de lubrificação, condições das correias e correntes e sistemas de funcionamento. Já a manutenção pós-colheita é o conjunto de atividades responsável em dar a máquina o condicionamento para "não quebrar na safra".Os trabalhos com essas máquinas não terminam no final da safra. O término da colheita não é a ultima operação, mas o início de um processo cuja missão é prepará-la para trabalhar na próxima safra.

Cuidados gerais

A primeira providência na entressafra é fazer um questionamento ao operador sobre os possíveis problemas que ele observou durante a safra, e que irão compor um diagnóstico do estado estrutural da máquina e que devem ser corrigidos. Os problemas serão listados e, em relatório entregue ao responsável pela manutenção. Por sua vez, o responsável fará um outro diagnóstico com mais profundidade, procurando organizar todo o trabalho que irá ser efetuado.

Pós-colheita

A primeira prática de manutenção no pós-colheita é uma faxina completa por dentro e por fora, de toda a máquina. O primeiro passo é ligar a máquina, deixando-a trabalhar em vazio o tempo suficiente para que expulse toda a palha, sujeira e restos de grãos contidos no seu interior. A seguir, as portas laterais devem ser abertas, fazendo funcionar o mecanismo separador, com o ventilador na rotação máxima. A seguir, desliga-se o equipamento, fazendo-se novamente uma revista no seu interior, procurando retirar fragmentos vegetais que não foram expulsos com o ar.

A operação seguinte é uma lavagem cuidadosa no exterior e interior, removendo todas as tampas de proteção e inspeção, usando jato de água com ar comprimido.Em seguida, fazê-la funcionar colocando-a em lugar inclinado por alguns minutos, alternando as posições laterais e frontais, a fim de eliminar toda a água que eventualmente tenha permanecido no seu interior. Alguns componentes móveis precisam ser retirados, pois exigem maiores cuidados devido ao contacto direto com a palha. O bandejão, as peneiras e a caixa de peneiras passam por uma lavagem à base de água, vapor quente ou água quente.Feita essa lavagem, desacoplar o elevador de palha com a plataforma, verificando todos os locais em que haja possível acúmulo de material. Certificar-se de que a máquina esteja completamente seca.

Muitas vezes para retirar determinadas peças é necessária a presença do mecânico revendedor autorizado. Depois da lavagem, o bandejão, as peneiras e a caixa de peneiras passam por um tratamento antiferrugem, com tinta vermelha, para combater a corrosão.

Após a limpeza completa da máquina, verificar o aperto de porcas e parafusos, situação de presilhas, cupilhas, dobradiças, tampas e outras peças. A desmontagem é uma das principais tarefas da manutenção pós-colheita. A remoção das peças facilita uma inspeção mais detalhada, garantindo a maior eficiência no serviço.

Todas as correntes devem ser examinadas minuciosamente, promovendo a substituição de componentes quando necessários, além da lavagem, de preferência em querosene ou óleo diesel. Examinar as condições de coroas e eixos, promovendo-se as ações de manutenção necessárias. Remover as correntes dos elevadores de grão, palha e retrilha, untando-os com uma mistura de óleo lubrificante e combustível; com a mesma mistura, untar a caixa dos elevadores e reinstalar as correntes, regulando-as à tensão normal.

As correias devem ser retiradas, observando-se cortes, rachaduras e desgastes excessivos. Por outro lado, as correias são muito prejudicadas pela ação de graxas, óleos lubrificantes e combustíveis. A manutenção básica é a limpeza e substituição das que estão gastas. Quando da remontagem, observar o estado dos eixos e polias, fazendo a limpeza, e pintura ou pulverizações contra a ferrugem. As correias devem ser colocadas na posição de trabalho e mantidas soltas para evitar pontos de fadiga e desgaste do tensionamento desnecessário.

Acoplar o elevador de palha e a plataforma da máquina. As peças que efetuam a debulha e separação para o cilindro sofrem muito desgaste. Assim, deve-se fazer uma inspeção verificando as partes de acionamento, assim como, os órgãos ativos como o côncavo. Quando o côncavo for do tipo de barras examinar os arames, e no de dentes, observar o ajuste em relação aos dentes. Nos dois modelos, verificar o funcionamento das peças do sistema de regulagem de abertura. Quanto ao cilindro batedor, conferir a rotação e o cabo do acelerador.

Peças danificadas

Esse também é o momento de trocar aquelas peças que sofreram durante a colheita, por estarem em contacto direto com a cultura. As que mais se desgastam são as facas da barra de corte (que duram em média 200 horas), os dedos da barra, os dedos retráteis, e a barra da esteira alimentadora. Geralmente esses equipamentos são trocados ao fim de cada safra e já devem entrar no orçamento como gastos fixos. Como saber se essas peças estão estragadas? No caso das facas que perdem o fio, as perdas no corte evidenciam-se quando o talo da planta apresenta fibras desfiadas. Já a barra de corte depende da regulagem, que não deve ultrapassar de quatro dedos de espaço, o que o próprio produtor pode providenciar. Alem disso, todos os grampos têm de estar completos.

No sistema hidráulico, recomenda-se manter os êmbolos em posição fechada e nunca colocar graxa ou tinta nas hastes, nem mesmo lavar com solvente. Tais produtos danificam as vedações. Um exame minucioso no reservatório hidráulico é necessário, assim como a lavagem do elemento filtrante.

Cuidados com o motor – Apesar de não apresentar muitos problemas, o motor também exige alguns cuidados.

Verificar o armazenamento de palha ao redor do motor. Em temperaturas elevadas, ela pode entrar em combustão, causando sério acidente. Nessas condições, limpar o local, inspecionando as condições internas do radiador. Drenar, enxaguar e reabastecer o sistema de arrefecimento, adicionando-se elementos químicos antioxidantes. Revisar as mangueiras. Não se recomenda armazenar a colhedora sem líquido de arrefecimento no sistema.

O tanque de combustível é outra parte da máquina que merece atenção. Depois da inspeção, se for o caso, promover uma lavagem interna do tanque, eliminando todos os resíduos acumulados. Lavar outra vez com combustível novo, eliminando sedimentos ou condensação de umidade.Em seguida, o tanque deve estar totalmente cheio, para evitar condensação de umidade no período de inatividade. Os filtros, se necessário, devem ser substituídos ou limpos.Para evitar a ação da corrosão no interior do motor, nas tubulações e bomba injetora, recomenda-se adicionar no combustível cerca de 5 a 10% de óleo lubrificante anticorrosivo.

Armazenar o combustível sempre em tanques especiais mantendo-os em posição inclinada para contenção de água e impurezas, com torneira-dreno. Não utilizar antigos tanques de veneno para armazenar o óleo diesel, pois eles poderão contaminar o combustível danificando o motor e a bomba injetora.

Lubrificação

Outro aspecto diz respeito ao óleo lubrificante. Fazer funcionar o motor para levá-lo à temperatura normal de operação. Drenar o óleo, substituir o elemento filtrante, colocando óleo novo até o nível correto. Reabastecer com uma mistura de lubrificante e óleo anticorrosivo a 10%. Cada três semanas, dar partida no motor e fazê-lo funcionar a ¾ da aceleração máxima durante uma hora. Esse procedimento é para prevenir os riscos de oxidação interna das camisas, pistões e anéis. Acionar a máquina e todos os variadores de velocidade, do mínimo ao máximo e vice-versa, para garantir uma lubrificação adequada e evitar oxidação.

A manutenção do sistema elétrico começa com a inspeção completa da fiação verificando o estado dos fios, como também micro-terminais. Com relação à bateria, devem ser desligadas, observando-se se os furos de ventilação das tampas dos vasos estão desobstruídos. Os terminais devem ser untados com vaselina, nunca graxa, pois se usada há perigo de incêndio. As baterias antes de serem armazenadas em lugar seco e arejado, serão carregadas, de preferência a cada 8 a 10 semanas, por um período de 24 horas. Nesta ocasião, verificar o nível do eletrólito, preenchendo com água destilada, se for o caso. No motor de arranque ou motor de partida e alternador, observar o desgaste das escovas. Se for o caso, desobstruir os terminais e verificar as condições de fixação.

Lubrificar e preservar as partes expostas. Verificar todos os pontos que possuem pinos graxeiros, limpando-os e engraxando-os, lubrificar também todos os pontos de articulação, garfos, engates etc. As partes de metal que ficarão expostas ao tempo devem ser untadas com produto contra a ferrugem, de acordo com recomendação do fabricante.

Encher os pneus com as pressões recomendadas. Os bicos, isto é, as válvulas e todo o conjunto do pneu deve ser observado, procurando-se cortes ou outra avaria.

Depois de lavada, seca, e concluída a revisão, a máquina deve ser colocada em um galpão limpo o que quer dizer livre de qualquer tipo de depósito de grãos, adubos e inseticidas, que atuam sobre o material ferroso ou podem atrair animais, como ratos. É importante deixá-la sobre cavaletes, para diminuir o peso nos pneus. Na pintura de toda a máquina, deve ser utilizados cera protetora, para manter a tinta e devolver o brilho.Todos os pontos da colhedora onde a tinta original se tenham desgastado, sejam lixados e cobertos pela tinta antiferrugem.

Aquisição de peças de reposição – Quando estiver preparando a colhedora para armazenagem, verificar cuidadosamente todas as peças que sofreram desgaste e que precisam ser substituídas. As peças de reposição devem ser pedidas nessa ocasião e instaladas antes do início da próxima colheita.

Ao pedir peças de reposição fornecer ao revendedor o número de série e o modelo da máquina. Insistir sempre em adquirir peças originais, pois essas vão proporcionar melhor desempenho e são cobertas pela garantia do fabricante.

Inspeções periódicas reduzirão ao máximo a manutenção e os reparos de sua colhedora, além de evitar paradas muito caras durante a colheita. Portanto, é aconselhável revisar a máquina no final de cada safra.

Gastão Moraes da Silveira
CMAA/IAC

* Este artigo foi publicado na edição número 03 da revista Cultivar Máquinas, de maio/junho de 2001. ver mais artigos
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