Desgaste mínimo

A expectativa de vida útil de um pneu de construção diagonal, sob condições normais de uso, é em torno de 3000 horas. Esse período tende a ser menor em condições de serviço pesado e mais reduzido ainda se os pneus tiverem mau uso. O desgaste e um certo nível de injúria no pneu sempre acontecem, mas os danos prematuros resultam de uma série de fatores cujas causas principais são: pressão de inflação incorreta, manuseio descuidado, sobrecarga e armazenamento inadequado, manifestando-se de diversas formas.

Danos nas laterais do pneu

Os pneus são projetados para suportar determinadas cargas a pressões de inflação específicas. Nessa condição, o pneu flexiona apenas o suficiente para desenvolver tração, mas, não o suficiente para sobrecarregar a carcaça do pneu. No caso da pressão, a subinflação é o fator que causa mais danos do que qualquer outro. Quando o pneu opera com pressão de inflação baixa, começa a ocorrer uma série de trincas ou rachaduras internae/ou externamente ao pneu. A deformação continuada das laterais leva ao enfraquecimento e rompimento ou separação dos fios da carcaça.

Quando a subinflação se soma à realização de serviço pesado na barra de tração, as rachaduras laterais se propagam às garras, podendo se estender completamente ao longo do costado.

Já as tensões decorrentes da sobreinflação, reduzem a capacidade do pneu de resistir a impactos e aumentam o perigo de cortes por pedras. Isto também resulta em desgaste irregular da banda de rodagem, diminuindo a capacidade de tração, pois a área de contato do pneu no solo se restringe ao centro da banda de rodagem.

Ruptura da estrutura

Os pneus são construídos de camadas de tecidos que podem romper quando submetidas ao impacto de cargas excessivas. Esse tipo de avaria, resulta, em geral, do deslocamento descuidado sobre pedras, tocos e outros objetos pontiagudos. A estrutura romperá mais facilmente se o pneu estiver sob tensão excessiva causada pela sobreinflação e os danos tendem a ser maiores a velocidades mais altas.

Se as trincas na estrutura forem pequenas, sua reparação é viável, entretanto, em locais onde a presença de obstáculos é comum e inevitável, uma forma de minimizar o problema é usar pneus com maior capacidade de lonas.

Danos na banda de rodagem

A patinagem excessiva, acima de 20%, causada, em geral, pela sobreinflação ou lastragem inadequada para a tração requerida, contribui para o rápido desgaste da banda de rodagem. Normalmente, em situação de campo, a superfície do solo se ajusta à superfície de rodagem mas, quando o trator é operado em superfície dura como uma estrada, somente as garras fazem contato com a superfície, e isso força as garras a torcer irregularmente, gastando-as rapidamente.

Restos de culturas, como soqueira de algodão, milho e cana, podem tornar-se extraordinariamente rijos e, constituem por isso, uma ameaça aos pneus que neles transitam. A avaria pode expor os fios do pneu e, até mesmo, furar a carcaça. Em culturas em linhas, os danos causados por sequeiras de cultura podem ser evitados pelo ajuste da bitola do trator, de modo que as rodas passem entre as linhas.

Outras causas comuns de danos no pneu são aros defeituosos, sobrecarga e pneus girando no aro. Um aro defeituoso pode causar pequeno vazamento de ar que acaba danificando o pneu por causa da conseqüente subinflação. Aro torto ou quebrado também pode prejudicar o talão do pneu.

A sobrecarga, acima de 20%, acelera o desgaste da banda de rodagem, principalmente por causa do aumento da resistência ao rolamento e favorece a ocorrência de deslizamento no aro destruindo o talão. O assentamento inadequado do talão ou uso excessivo de solução de água e sabão vegetal, usada como lubrificante na montagem do pneu no aro, também podem causar deslizamento do pneu no aro.

Cuidados com os pneus

Por tudo isso que foi exposto e, sendo o sistema de rodado um componente que pode atingir de 6 a 10% do preço do trator, atitudes de prevenção e cuidados no manuseio do pneu são imprescindíveis para aumentar sua vida útil.

Ila Maria Corrêa
CEA/IAC

* Este artigo foi publicado na edição número 12 da revista Cultivar Máquinas, de maio/junho de 2002. ver mais artigos
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