Diferenciais da agricultura de precisão em pequenas propriedades

Avaliação mostra que adoção da agricultura de precisão aumenta a produtividade, quando comparada com agricultura convencional em pequenas propriedades.

A busca de elevadas produtividades em lavoura é um dos princípios almejados pelo produtor, para isto, conhecer a variabilidade de atributos do solo tem facilitado o gerenciamento da área para definir uma melhor tomada de decisão. Portanto, a agricultura de precisão é um conjunto de técnicas que permite o gerenciamento localizado de culturas (Balastreire, 1998). Porém, o grande entrave da adoção das técnicas de agricultura de precisão é o elevado custo de aquisição dos equipamentos e implantação do sistema, nem sempre garantindo o seu retorno e viabilidade econômica, principalmente aos pequenos produtores rurais e agricultura familiar.

A preocupação em relação à adoção e aplicação dessas tecnologias refere-se à grande disponibilidade de informações, requerendo técnicos e agrônomos com conhecimento e experiência em interpretação dos dados coletados, sob forma de mapas (Mantovani et al, 1998).

Sabendo-se dessas limitações, objetivou-se nesse trabalho avaliar a produtividade e a variabilidade dos atributos químicos do solo e da produtividade da cultura do milho em relação à utililização das ferramentas disponivéis à agricultura de precisão comparada com a agricultura convencional em uma área produtiva do Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Rio do Sul. A área foi conduzida em uma unidade produtiva da fazenda experimental do IFC - Campus Rio do Sul, em de Santa Catarina. O experimento foi formado por dez parcelas de 256m2, que foram divididas em cinco parcelas de agricultura de precisão (AP) e cinco parcelas de agricultura convencional (AC).

As parcelas foram georreferenciadas com o uso de GPS Topcon Hiper II RTK, com coordenadas UTM. As amostras de solo foram coletadas por um trado do tipo calador, numa profundidade de 0,2m de forma aleatória nas parcelas (AC), formando uma amostra composta única, enquanto que nas parcelas (AP) foram coletadas de forma localizada retirando-se nove subamostras por parcela, formando uma amostra composta por parcela e encaminhada para análise laboratorial. Os resultados das análises de solo foram interpretados, e confeccionados os mapas de variabilidade espacial da fertilidade recomendada e produtividade final pelo programa software GS+ Geostatistics.

Área experimental do Instituto Federal Catarinense similou o sistema de produção de uma pequena propriedade rural.
Área experimental do Instituto Federal Catarinense similou o sistema de produção de uma pequena propriedade rural.
Croqui da áera experimental onde foi realizada análise de campo.
Croqui da áera experimental onde foi realizada análise de campo.

A adubação foi realizada conforme a interpretação da análise de solo e recomendação para a cultura do milho de forma localizada para as parcelas (AP) e homogênea paras as parcelas (AC). A semeadura do milho foi definida com população de seis plantas/m² e espaçada a 0,80m entre linha e a regulagem procedeu-se manualmente tanto para a densidade populacional como também para a adubação, que foi realizada conforme a recomendação do Manual de Adubação e Calagem para os estados do RS/SC em suas respectivas parcelas.

No decorrer do desenvolvimento da cultura foram realizadas pulverizações de acordo com as recomendações agronômicas de manejo e a adubação de cobertura conforme a recomendação da interpretação da análise de solo. A colheita foi realizada de forma manual, em cada parcela contendo três repetições de 10m2 para obter a produtividade média final. Após a debulha e secagem dos grãos, procederam-se os cálculos da produtividade final da cultura, transferindo os dados para o mapa de produtividade.

A variabilidade espacial dos atributos químicos do solo foi evidente em função da análise estatística, segundo Nogueira (2007), um coeficiente de variação maior que 35% revela que a série é heterogênea, ou seja, o solo deverá ser manejado de forma localizada, conforme os resultados da análise de solo de cada zona de manejo (Tabela 1).

Com os resultados obtidos nas análises de solo e suas variações, foi confeccionado o mapa da interpretação da necessidade de nitrogênio, fósforo e potássio, conforme Figura 1.

Figura 1 - Mapa da necessidade de NPK no solo
Figura 1 - Mapa da necessidade de NPK no solo

Portanto, foi verificada a variabilidade da quantidade do fertilizante a ser usado, resultando nas seguintes regulagens de adubação, conforme interpretação das análises de solo e recomendação para a cultura do milho, sendo que nas parcelas AP1 e AP5 na cor vermelha foi adicionada uma quantidade de 400kg/ha da formulação (7-28-14), enquanto nas parcelas AC, AP2, AP3 e AP4, em cor verde, foram adicionados 450kg/ha da mesma fórmula. A adubação de cobertura utilizada foi ureia (45% de nitrogênio), nas seguintes doses, 220kg/ha (AP3), 230kg/ha (AP1), 264kg/ha (AP2, AP4 e todas as ACs) e 275kg/ha (AP5).

Portanto, em questões de comparativo de médias entre as parcelas AP e AC houve variações na aplicação da adubação localizada nas parcelas avaliadas. Na Figura 2 observa-se o mapa de produtividade da cultura do milho que variou devido à adubação localizada em função da variabilidade espacial dos atributos químicos do solo, ou seja, o gerenciamento dessas áreas foi tratado de forma individualizada, mesmo utilizando duas doses de aplicação em taxa variável, conforme a necessidade da parcela e da cultura, assim expressando significativamente o aumento da produtividade final das parcelas AP comparado com as parcelas AC. 

Figura 2 - Mapa de produtividade da cultura do milho na safra de 2014/2015
Figura 2 - Mapa de produtividade da cultura do milho na safra de 2014/2015

As parcelas AP obtiveram os maiores valores de produtividade, com um valor médio de 10.014,2kg/ha (166,9sc/ha), sendo que a produtividade média da AC foi de 8.446,1kg/ha (140,8sc/ha), conforme Tabela 2. Foi verificado um acréscimo médio de 18,5% na produtividade, resultado explicado pelo efeito da adubação localizada de acordo com as exigências. Desta forma, constatou-se que a agricultura de precisão pode ser adotada em propriedades pequenas e familiares com as tecnologias existentes na propriedade.


Marlon Goede, Fabrício C. Masiero, Ricardo K. Veiga, Guiherme Andrzejewski, Dionata Hotz, IFC - Campus Rio do Sul

 

Artigo publicado na edição 164 da Cultivar Máquinas.


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