Doença azul tem solução

São doenças transmitidas por insetos sugadores, como o pulgão, a mosca branca e os trips. Há ainda pelo menos mais duas viroses detectadas em outros países e não constatadas no Brasil.

A doença azul do algodoeiro, também conhecida como azulão ou mosaico das nervuras Ribeirão Bonito, foi descrita pela primeira vez em São Paulo em 1962. Como no Brasil se cultivava material predominantemente de base genética do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) ou do CNPA (Embrapa), resistente a viroses, não se tinha problemas com essa doença. Com a expansão da cultura do algodoeiro no cerrado do Centro-Oeste foram importados germoplasmas de outras fontes, como Estados Unidos e Austrália, de alta susceptibilidade às viroses, inclusive àquelas transmitidas pelo pulgão (vermelhão e doença azul) . Os problemas com a doença azul se agravaram porque algumas cultivares utilizadas nas lavouras de alta tecnologia no cerrado apresentam várias vantagens em relação às cultivares nacionais, como maior resistência à ramulose (doença fúngica de grande importância), maior rendimento no descaroçamento, maior resistência de fibras, maior produtividade e melhor adaptação à colheita mecanizada, apesar da desvantagem da alta susceptibilidade a viroses. Na análise dos grandes produtores do Cerrado, ainda é economicamente mais vantajosa a utilização das cultivares susceptíveis à virose do que das cultivares nacionais resistentes à doença azul.

Nas últimas safras, a doença azul causou prejuízos no Mato Grosso (em 92 e 94), no Paraguai (em 94), e na safra 97/98 provocou um verdadeiro desastre na cotonicultura dos Estados de Goiás e Minas Gerais, além de prejuízos em São Paulo e Paraná. Importantes municípios produtores de Goiás e Minas Gerais, como Santa Helena e Capinópolis, tiveram perdas de produtividade de até 100 arrobas/ha devido a esta doença . A estimativa de perdas na safra 97/98, apenas em Goiás, foi de 34.720 t de pluma, o que corresponde a R$55.520.000,00. Sem sombra de dúvida, pode-se dizer que a doença azul tornou-se a principal doença da cotonicultura brasileira, pela extensão dos prejuízos e pela amplitude de ocorrência (toda a região Centro-Sul), sendo o foco principal das pesquisas desenvolvidas pelas universidades e instituições que pesquisam o algodão no Brasil. Estima-se que na safra 1999/2.000 o mercado nacional poderá ser abastecido com sementes de novas cultivares resistentes à virose, produzidas pela Embrapa/Fundação MT, Coodetec , IAC , Deltapine/Maeda, Epamig e IAPAR.

Para a safra 1998/99 os produtores tiveram as seguintes alternativas para evitar prejuízos com a doença azul:

1 - Utilização de cultivares resistentes a viroses - as opções foram as cultivares Embrapa 114 -CNPA ITA 96, Coodetec 401, CNPA Precoce 2, IAPAR 71 - Pr 3 e Epamig 4. Como cultivares tolerantes existem a CNPA 7 H e IAC 20RR. Estas cultivares podem ser manejadas com nível de controle de pulgão acima de 50% de plantas infestadas, no período crítico dos 20 a 70 dias da emergência, e tolerando-se até 30 pulgões/folha/planta.

2 - Utilização de cultivares susceptíveis a viroses - neste caso as opções são as sementes de Deltapine Acala 90, CNPA ITA 90, CS 50 e IAC 22 . Para estas cultivares, o controle do pulgão deve ser rigoroso, dos 5 aos 100 dias após a emergência, utilizando-se nível de controle de 5 a 10% de plantas com 1 a 10 pulgões por folha/planta.

Em qualquer das alternativas, os produtores devem utilizar sementes certificadas/fiscalizadas, procedentes de fornecedor idôneo, deslintadas quimicamente e tratadas com fungicidas e inseticidas sistêmicos, para garantir o bom desenvolvimento inicial da cultura. A cotonicultura em bases empresariais tem propiciado rentabilidade/ha correspondente a 3 a 5 hectares de soja, porém é uma atividade de custos elevados e que exige especialização do produtor e da maquinaria utilizada na lavoura. Para sua exploração com sucesso, é necessária a especialização da mão-de-obra da fazenda, ou a contratação de serviços de terceiros (pragueiros e consultores), para a execução do Manejo Integrado das Pragas, evitando-se assim surpresas desagradáveis. Como se diz no Mato Grosso, a lavoura do algodão é lucrativa e apaixonante, porém exige que o produtor e sua equipe estejam vistoriando a lavoura, desde a germinação até a data da colheita.

Eleusio Curvêlo Freire
Embrapa Algodão

* Este artigo foi publicado na edição número 01 da Revista Cultivar Grandes Culturas, de fevereiro de 1999. ver mais artigos
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