Doenças da soja em expansão

Apesar da grande evolução do melhoramento de soja no Brasil, a monocultura e a adoção de práticas de manejo inadequadas têm favorecido o surgimento de novas doenças. -Foto: Mônica De Bortoli

As doenças estão entre os principais fatores que limitam a obtenção de altos rendimentos na cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill). No Brasil, aproximadamente 40 doenças causadas por fungos, bactérias, nematoides e vírus já foram identificadas.

A importância econômica de cada doença varia de ano para ano e de região para região, dependendo das condições climáticas de cada safra. Algumas doenças podem ocasionar perdas de até 100%. Cerca de 15 a 20% das reduções anuais de produção da cultura têm como origem as doenças.           

Apesar da grande evolução do melhoramento de soja no Brasil, a monocultura e a adoção de práticas de manejo inadequadas têm favorecido o surgimento de novas doenças, chamadas de doenças de final de ciclo da soja ou DFCs. 

As DFCs vêm provocando reduções consideráveis no rendimento da cultura. O complexo de doenças é composto por: Mancha parda (Septoria glycines), crestamento de cercospora (Cercospora kikuchii Mat. e Tomoy. M.W. Gardner), antracnose (Colletotrichum dematium var. truncata), seca da haste e vagem (Phomopsis spp) e míldio (Peronospora manshurica (Naoum.) Syd).                              

 A atuação destes fungos provoca desfolha das plantas e faz com que o ciclo da cultura seja antecipado em até 25 dias, levando assim a menor enchimento de grãos, reduzindo a produtividade da lavoura devido à deficiência na granação, podendo chegar a mais de 30% em relação a uma planta sadia.            

O início do desenvolvimento dessas doenças pode acontecer já na implantação da lavoura, por meio de sementes contaminadas. Em áreas com histórico dessas doenças, o patógeno pode estar sobrevivendo nos restos culturais. Neste cenário, sob condições favoráveis, as infecções podem ter início ainda no estado vegetativo da soja e, a partir daí, vão evoluindo de forma que maiores níveis de severidade muitas vezes são observados a partir do início da formação de vagens.                

Por vezes, os produtores acreditam que os danos são pequenos devido ao aumento da severidade estar mais concentrado no final do ciclo. Grande parte da ineficiência de controle dessas doenças está na preocupação e posicionamento tardio de fungicidas. Considerando que essas doenças podem iniciar ainda no vegetativo, a preocupação deve ser iniciada desde as primeiras aplicações, as quais deverão ter um foco em manchas para redução de inóculo.

São diversos os fatores que contribuem para redução da eficácia com posicionamentos atrasados. Um deles é a limitação imposta à tecnologia de aplicação em depositar gotas nas folhas inferiores, que é onde as manchas estão evoluindo. Vale ressaltar que nas cultivares atuais, a carga produtiva está localizada na maioria das vezes no terço inferior da planta e, por isso, é muito importante proteger as folhas do baixeiro para que elas se mantenham ativas o maior tempo possível na planta.

Os danos causados por S. glycines são normalmente subestimados devido à atribuição errônea da coloração marrom das folhas à senescência  normal  das  mesmas  mas, em condições favoráveis ao desenvolvimento deste fungo, as perdas podem alcançar de 25%  até 34%. Os danos causados por C. kikuchii variam de 15 a 30%, mas podem alcançar 30% devido à mancha púrpura e 7% devido ao crestamento foliar de cercospora. A antracnose causada pelo fungo Colletotrichum truncatum está estreitamente relacionada à infecção das vagens ou sob condições de infecção severa nas folhas  e pecíolos, podendo causar perdas que variam entre 10% e 20% da produtividade.

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Vinícius Gianasi

Bacharel em Engenharia Agronômica pelo IFMG – Instituto Federal de Minas Gerais (2013) e trabalha como Engenheiro Agrônomo de Desenvolvimento de Mercado na ADAMA Brasil.

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