Doses adequadas de silício aumentam produtividade de alface tipo americana

A alface (Lactuca sativa L.) é a hortaliça folhosa mais difundida no mundo, sendo cultivada em quase todos os países. A alface tipo americana vem adquirindo importância crescente no país e visa atender as redes “fast food” e, atualmente, tem-se constatado o aumento no consumo desta hortaliça também na forma de salada.

Planta tipicamente de inverno, a alface tipo americana é capaz de resistir a baixas temperaturas, inclusive a geadas leves. Baixas temperaturas noturnas inferiores a 20ºC são mais importantes, em relação às diurnas. Temperaturas noturnas superiores à 20ºC favorecem o pendoamento precoce, entretanto, as cultivares lançadas mais recentemente são mais resistentes às altas temperaturas diurnas (20-30ºC).

A altitude da localidade é um fator que deve ser levado em consideração, pois influencia diretamente na temperatura. Portanto, regiões de menor altitude não são adequadas, sobretudo, ao plantio de verão. Contudo, no semi-árido, conforme dados do Zoneamento Agroecológico do Nordeste, existem áreas com microclimas diferenciados onde predominam climas amenos que têm potencial para produção desse tipo de alface, a exemplo da Chapada Diamantina – na Bahia - com altitudes que variam de 700 a 1300 m, os do Planalto da Borborema – nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas - com variações de 600 a 1000m, da Chapada do Araripe/Ibiapaba - no Ceará - com variações de 650 a 950 m.

Salienta-se que há estudos por parte de empresas produtoras de identificar no Nordeste possíveis áreas de produção que possam suprir as capitais nordestinas com matéria-prima, principalmente, as capitais do Recife e Salvador.

O silício é o segundo elemento mais abundante na crosta terrestre, sendo o maior componente de minerais do grupo dos silicatos. Ocorre em altos teores em solos minerais, principalmente na forma de silicatos, e no quartzo (Si02, mineral inerte das areias). É um elemento com propriedades condutoras e físicas de um semi-metal, desempenhando, no reino mineral, um papel cuja importância pode ser comparável ao carbono nos reino vegetal e animal.

A sílica solúvel tem sido pouco estudada, principalmente pelo fato do silício não ser considerado elemento essencial às plantas. Entretanto inúmeros trabalhos têm demonstrado o efeito benéfico da sua utilização em diversas culturas. Diversos efeitos indiretos são associados a esse elemento como o aumento na eficiência da capacidade fotossintética, redução da transpiração, aumento da resistência mecânica das células, na resistência a insetos e doenças, na redução da acumulação tóxica de Mn, Fe e Al e outros metais pesados, e aumento na absorção do P. Pode estimular o crescimento e a produção vegetal deixando as folhas mais eretas, com diminuição do auto-sombreamento, redução no acamamento, maior rigidez estrutural dos tecidos, proteção contra estresses abióticos, como a redução da toxidez de Fe, Mn, Al e Na, diminuição na incidência de patógenos e aumento na proteção contra herbívoros, incluindo os insetos fitófagos.

A carência de informações sobre o uso de silício na cultura da alface justificou o presente trabalho, que objetivou avaliar diferentes doses e épocas de aplicação de silício, sobre as características produtivas e qualidade pós-colheita da alface tipo americana em condições de campo, em cultivo de verão e inverno. Foram conduzidos três ensaios distintos no inverno (maio a agosto de 2002) e no verão (novembro de 2002 a janeiro de 2003), em Três Pontas - MG, em propriedade comercial situada a 21º22’00’’ de latitude Sul e 45º30’45' de longitude Oeste, a uma altitude de 870 m. O solo predominante da área experimental foi classificado como Latossolo Vermelho Distroférrico de textura argilosa.

Utilizou-se a cultivar Raider e estudou-se cinco doses de silício (0,0; 0,9; 1,8; 2,7 e 3,6 L/ha), aplicadas em três diferentes épocas via foliar (14, 21 e 28 dias após o transplantio), sendo cada época de aplicação, considerada um ensaio. As aplicações foliares foram realizadas com pulverizador manual com 4 L de capacidade, em máxima pressão, gastando-se 300 L de calda por hectare.

A adubação de plantio de acordo com a análise de solo constou de 1,7 t/ha da formula 04-14-08 e 1,0 t/ha de superfosfato simples incorporados em toda a extensão do canteiro. As adubações de cobertura foram realizadas através de fertirrigações diárias, totalizando 40 kg/ha de N e 85 kg/ha de K, utilizando como fontes uréia e cloreto de potássio. O transplante das mudas foi feito com mudas com 30 dias de idade, irrigando-se diariamente, sendo a cultura conduzida sob “mulching”. Os demais tratos culturais foram os comuns à cultura.

Nas colheitas foram avaliadas a massa fresca total e comercial (g/planta); circunferência e comprimento do caule da cabeça comercial (cm) e conservação pós-colheita aos 10 e 20 dias em câmara frigorífica a 5 ± 2 °C. Os resultados revelaram que a aplicação desse elemento favorece a obtenção de melhores e maiores produções tanto no período de verão quanto no do inverno.

Cultivado na época mais quente do ano, a melhor situação produtiva foi registrada na área experimental onde se aplicou 1,8 L/ha de silício aos 14 dias após o transplantio. A massa fresca comercial foi de 420,8 g/planta. Outro dado interessante foi a obtenção de menor dimensão de caule o que é desejável no caso da alface americana, principalmente quando destinada à indústria de beneficiamento por reduzir perdas durante o processamento. Quando as temperaturas estão mais baixas a dose recomendada é de 0,9 L/ha. A massa fresca comercial neste caso chegou a 619,8 g/planta. Em geral, os resultados alcançados nestas condições foram melhores que os registrados no plantio de verão.

No entanto, os resultados obtidos sugerem ainda a necessidade de se conduzir novos trabalhos utilizando maiores doses e períodos de aplicação, tanto no verão como no inverno, como forma de consolidar ou não, a atuação do silício como importante nutriente na produtividade e qualidade pós-colheita da alface tipo americana.

Geraldo M. de Resende 1

Jony Eishi Yuri 2


1 Engo Agro, DSc., Pesquisador da Embrapa Semi-Árido, C. Postal 23, 56302-970 Petrolina-PE.

2 Engo Agro, DSc. Prof. UNINCOR/Curso de Agronomia. Três Corações -MG. ver mais artigos
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