Efeito de inseticidas no controle de lagartas em soja

A cultura da soja durante a safra 2017/2018 ocupou uma área superior a 35 milhões de hectares, com produção estimada em torno de 115 milhões de toneladas (CONAB, 2018). Com todo este destaque no cenário mundial, tecnologias são constantemente desenvolvidas para alavancar sua produtividade de forma sustentável e eficaz, dando foco ao manejo integrado de pragas.

O rendimento da cultura aumentou significativamente nas últimas três décadas, devido à combinação do ganho genético das cultivares e no manejo da cultura, principalmente relacionado ao manejo integrado de pragas, sendo uma cultura bastante suscetível ao ataque de vários insetos desde a germinação à colheita, e como parte do Manejo Integrado de Pragas da soja o controle químico pode ser utilizado para minimizar os danos.

O manejo de lagartas e pragas de forma geral na cultura da soja deve levar em consideração vários fatores quanto a amostragem, entendimento da biologia da praga, níveis para controle e presença de inimigos naturais no sistema. O controle químico é o método mais utilizado por parte dos produtores, e neste quesito a utilização de inseticidas com eficiência comprovada a campo, é de grande importância para que se tenha o sucesso no manejo.

A área de soja Intacta RR2 tem aumentado nestas últimas safras, no entanto o Brasil ainda apresenta grande área de soja convencional não Bt. Duas pragas se destacam neste caso, a lagarta falsa-medideira, Chrysodeixis includens e a lagarta Helicoverpa, Helicoverpa armigera, que comumente atacam a cultura em diversas fases do seu desenvolvimento gerando prejuízos consideráveis ao produtor.

Lagarta atacando a soja.
Lagarta atacando a soja.

Diante da problemática que causa estas pragas o estudo de novas moléculas faz-se necessário para minimizar os danos. Realizou-se um trabalho com o objetivo de avaliar o efeito de alguns inseticidas no controle de Chrysodeixis includens e Helicoverpa armigera na cultura da soja, em condições de campo.

O experimento foi conduzido na área experimental da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão – Fundação Chapadão, Chapadão do Sul – MS. O experimento foi instalado no dia 18/12/2017 e conduzido até a data de 03/03/2018, quando se procedeu a colheita da cultura e destruição dos restos culturais.

O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com 9 tratamentos e quatro repetições (36 parcelas), sendo elas compostas por 14 linhas da cultura com 10 metros de comprimento. Tratamento com 60 m2. Espaçamento entre linhas da cultura de 0,45m.  Para aplicação dos tratamentos foi utilizado um pulverizador costal de pressão constante (CO2) com barra de 3,0 m, equipada com 6 pontas de jato Cônico, modelo ATR015 espaçadas de 50 cm, a uma altura de 50 cm do alvo desejado. Volume de calda de 150 L ha-1, pressão de 3,0 bar.

Os tratamentos consistiram nos seguintes ingredientes ativos (dose em g ingrediente ativo):Benzoato de Emamectina + OM (7,5 g ha-1), Benzoato de Emamectina + OM (10 g ha-¹), Espinetoram (12 g ha-1), Clorfenapyr (192 g ha-1), Metaflumizone (192 g ha-1), Indoxacarb (60 g ha-1), Metomil+Novaluron (220 + 17,5 g ha-1) e Tiodicarb (320 g  ha-1).

Realizou-se as avaliações nas plantas (“inteiras”) em 4 metros de linha para contabilização de Helicoverpa armigera e o “pano de batida” para a contagem do número de lagartas de Chrysodeixis includens, em 4 batidas de pano por parcela, totalizando 16 metros avaliados por tratamento.  Realizou-se avaliação prévia para Helicoverpa armigera antecedendo as aplicações, e demais avaliação aos 3, 7 ,10 dias após a primeira aplicação e 2, 7, 10 dias após a segunda aplicação. No decorrer das avaliações a população de falsa-medideira foi aumentando e iniciou-se a avaliação da praga utilizando-se do pano-de-batida, realizando 4 batidas de pano por parcela.

Observou-se que os tratamentos 3 (Benzoato de Emamectina 10), 6 (Metaflumizone) e 7 (Indoxacarb) apresentaram as maiores eficiências na avaliação com 3 dias após a 1ª aplicação, diferindo significativamente da testemunha. Aos 10 dias após a 1ª aplicação ainda os tratamentos 3, 4 (Espinetoram), 5 (Clorfenapyr) e 6, diferiram significativamente da testemunha, apresentando as maiores médias de controle. Após a 2ª aplicação a praga diminuiu sua infestação, sem ocorreram diferenças significativas entre os tratamentos aplicados, restando algumas lagartas no tratamento testemunha.

Aos 7 dias após a 1ª aplicação se observou a infestação de Chrysodeixis includens, sendo realizado a batida de pano para contabilização. Nesta data se observou que os tratamentos 3, 4, 5, 8 (Metomil+Novaluron) e 9 (Tiodicarb) apresentavam eficiências de controle nesta praga superiores a 80%, diferindo significativamente da testemunha. Após a 2ª aplicação na avaliação de 2 dias, observou-se que os tratamentos 3, 5, 6 e 7 apresentaram eficiência superiores a 80% de controle, diferindo significativamente da testemunha. Aos 7 da2a observou-se que o tratamento 3 ainda apresentava eficiência superior a 90% de controle.

As eficiências ao longo das datas avaliadas apresentam certa variação para cada inseticida, em função do seu modo de ação. Desta forma as informações geradas pelo trabalho, deve o produtor analisar e adequar ao seu manejo adotado.    

Efeito do ataque de lagartas na soja.
Efeito do ataque de lagartas na soja.


Germison Vital Tomquelski, Gustato Ribeiro Camargo, Josiane Oliveira, Claudemir Theodoro e Naiara Luchiari, Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão do Sul - MS

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