Efeito e importância do uso de fungicidas protetores

Os fungicidas são compostos químicos que podem ser classificados em erradicantes, protetores, sistêmicos e mesostêmicos. Os protetores são efetivos quando aplicados antes da introdução do fungo nos tecidos do hospedeiro, formando uma barreira que impede a penetração dos fungos através da inibição da germinação dos esporos, já os sistêmicos são absorvidos pela planta e deslocados para outras partes inibindo a proliferação do patógeno.

O êxito de controle de um fungicida protetor não depende apenas de sua fungitoxicidade, mas também de uma série de outras variáveis como a adesividade, tenacidade, persistência e fundamentalmente da tecnologia de aplicação utilizada.

A quantidade de gotas (densidade de gotas) e a qualidade (espectro de gotas) do fungicida pulverizado, depositado e sua adesividade à planta deverão resultar em uma distribuição uniforme e homogênea da quantidade recomendada de ingrediente ativo. Assim, as características da formulação de um fungicida são fatores determinantes dentro de uma série de variáveis que garantem a efetividade de um produto.

Dentre os fatores inerentes à formulação que são de extrema importância para a aplicabilidade do produto estão o tamanho de partícula, a molhabilidade e a composição dos tensoativos utilizados no produto que podem interferir diretamente na tenacidade do mesmo.

A tenacidade é a capacidade relativa de um fungicida em permanecer aderido à superfície onde foi aplicado, ou seja, é a resistência à ação de intempéries. Uma vez aplicado sobre a superfície vegetal, um composto químico deve ser capaz de permanecer ativo por determinado tempo. Para isto, é necessário que tenha tenacidade, que pode ser definida também como a capacidade de resistir à volatilização, sublimação, hidrólise e a lavagem pela chuva ou irrigação.

Os fungicidas que têm alta tenacidade também têm poder residual mais prolongado. Se um produto químico adere-se fortemente à superfície foliar (tenacidade) é possível que este efeito possa perdurar por longo tempo (persistência).

A ação do orvalho e da chuva é provavelmente o principal fator que diminui a tenacidade dos fungicidas. Tratando-se de fungicidas protetores, esta característica torna-se uma das mais importantes, já que devem persistir por um longo período na superfície tratada sem serem removidos ou decompostos.

De acordo com Azevedo, 2003, os fungicidas protetores do grupo químico dos ditiocarbamatos apresentam percentual de remoção de 78% (formulação SC) a 85% (formulação WP) após a aplicação de chuva simulada e os protetores do grupo químico inorgânico apresentam de 43% (formulação SC) a 53% (formulação WP) de remoção após a chuva simulada, demonstrando a importância da formulação na persistência de um fungicida protetor.

É consenso geral que os fungicidas protetores são ferramentas importantes na sanidade das culturas, contribuindo muito para o controle de doenças e sendo fundamentais no manejo de resistência. Ao longo dos anos diversos avanços foram alcançados na melhoria das características das formulações destes produtos, principalmente a introdução no mercado de compostos menos tóxicos e menos agressivos ao ambiente.

Entretanto, a despeito do tempo de desenvolvimento, de todos os testes de eficácia e praticabilidade, das exigências de regulamentação e de todas as recomendações de uso correto dos fungicidas, as situações no campo não ocorrem como deveriam, e os problemas que têm surgido não são poucos.

Dentre os principais problemas podem-se citar o uso de produtos proibidos ou sem a devida regulamentação, produtos de degradação ou metabólitos (este fato é mundialmente conhecido e serve de exemplo para as precauções que devemos ter ao recomendar alguns grupos químicos), persistência no meio ambiente e limite máximo de tolerância (resíduos).

Na prática, é difícil encontrar em um só produto todas as características desejáveis, porém, a escolha deve ser baseada no fungicida que apresente o maior número de benefícios. Em resumo, em sua maioria, são escolhidos os produtos de eficácia conhecida e comprovada, sem problemas ambientais e que economicamente satisfaçam as exigências do usuário.

Este artigo foi publicado na edição 182 da revista Cultivar Grandes Culturas. Clique aqui para ler a edição.

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Modesto Barreto

UNESP

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