Eficiência contínua

A melhor relação do homem com o seu trabalho está presente no momento da preparação e manutenção das colheitadeiras para que, durante a safra, as máquinas tenham um aproveitamento total.

Esta preparação começa com a reposição das peças que foram danificadas ou retiradas. Para isso, temos que ter alguns cuidados especiais com as correias, pois são consideradas “fusíveis”, evitando assim danos maiores com altos custos, como rolamentos, mancais, eixos, conjunto de polias, embreagem e motor. Portanto, devemos estar atentos a algumas recomendações para resolução de problemas que afetam o desempenho das mesmas.

O ajuste da máquina, a tensão da correia, regulagem das polias e o alinhamento são pontos importantes para o perfeito funcionamento, mas também podemos enfatizar alguns itens que necessitam de muita atenção.

A folga entre polias acionadas e a profundidade da correia na polia devem estar sempre dentro do especificado pelo fabricante, pois cada modelo tem sistemas e ajustes diferentes. Quando as polias acionadas estiverem com muita folga, a correia ficará com baixa tensão (frouxa), ocasionando um patinamento da correia. Quando ocorrer o contrário, a correia ficará super tensionada, o que provocará sua quebra.

Para assegurar a longa vida útil das correias, é importante também que o variador de tração esteja corretamente alinhado em relação à polia do motor e à embreagem.

A regulagem da polia da tração é realizada através do pistão hidráulico do variador de velocidade e da alavanca de tensão, chamada também de esticador da polia variadora. Porém, todas as vezes que trocamos as correias, temos que ajustar os dois reguladores simultaneamente, pois a não regulagem do pistão hidráulico afetará diretamente a correia, que irá tocar no fundo da polia e sofrerá arrancamento de dentes e a quebra total.

No regulador do pistão hidráulico, existe uma arruela em cada uma das mangueiras hidráulicas do pistão, que o abastecem com óleo hidráulico. Essas arruelas são muito pequenas, sendo fácil de perdê-las e, na maioria das vezes, na troca do reparo do pistão a montagem é realizada sem as mesmas, ocasionando um maior fluxo, tendo como conseqüência a modificação no acionamento, tornando-o violento e fazendo com que a polia abra e feche com maior rapidez. Ocorrem, assim, trancos nas correias, vindo a arrebenta-las em pedaços.

Outro ponto que afeta diretamente o bom funcionamento das correias variadoras de velocidade são as modificações realizadas para aumentar a produção durante a colheita, isso é, as máquinas saem de fábrica com uma rotação especificada e esse giro é alterado (elevado) posteriormente nas colheitadeiras, quando efetuam troca por polias menores ou realizam alterações na parte elétrica/eletrônica para elevar a velocidade. Como a correia é projetada para a rotação especificada inicialmente, a sua resistência a essa modificação torna-se prejudicada, provocando então a ruptura da mesma em trabalho.

Na máquina, quando no seu projeto, são levados em consideração vários acionamentos, porém ao se retirar qualquer peça ou realizar modificações iremos provocar avarias ao sistema ou a outros componentes, como ao retirarmos a chapa de proteção que sustenta a correia plana, ficando a máquina em um processo diferente do especificado, isso é, ligando e desligando continuamente e provocando a queima da correia até a sua quebra.

O braço que provoca o acionamento da correia deverá estar sempre justo, para o acionamento perfeito. Caso esteja com folga, estará gerando um desalinhamento e provocando a quebra dos componentes da correia, até a sua ruptura total. Como as polias possuem flanges e o braço é protegido, a verificação do sistema terá que ser constante, para evitarmos problemas na transmissão.

Quando o cilindro embucha, é importante limpar com as mãos para não forçar o sistema, pois ao tentar elevar a rotação (giro) do motor e acionar a alavanca rapidamente para limpar, a correia não resiste e arrebenta, devido ao aumento do torque gerar um excesso de tensão aplicado durante todo o processo de limpeza forçado.

O ideal seria conseguirmos detalhar todas as necessidades e falhas que possam ocorrer com as correias em uma única vez, mas como não é possível, lembre-se: para que sua colheita seja um sucesso, com bons rendimentos e serviços sem interrupções, é importante que se tenha consciência da necessidade de revisar a colheitadeira e observar atentamente os procedimentos dos fabricantes no manuseio correto do equipamento durante sua operação, evitando assim paradas indesejáveis. Com esses cuidados, sua colheita ganha desempenho e você os melhores resultados.

Suzan Petter,
Div. Correias Agrícolas Goodyear

* Este artigo foi publicado na edição número 22 da revista Cultivar Máquinas, de julho/agosto de 2003. ver mais artigos
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