Escolha certa de semeadora

O plantio direto é um sistema de manejo onde a semeadura é realizada com revolvimento mínimo do solo, preservando-se a cobertura vegetal de sobre sua superfície. Recomenda-se que o sulco seja o menor possível, porém com tamanho suficiente para adequada cobertura, contato das sementes com o solo e separação destas do fertilizante. É o sistema mais apropriado para a produção agrícola em clima tropical, promovendo melhoria das condições físicas e químicas do solo, reduzindo o uso de máquinas, mão-de-obra e o consumo de combustível. Além disso, melhora as condições ambientais pela redução da erosão e do uso de agroquímicos. A médio e longo prazo, verifica-se, ainda, uma redução nos custos de produção. Um sistema de plantio direto com qualidade deve, obrigatoriamente, incorporar uma rotação de culturas e manutenção da cobertura vegetal, tornando indispensável o uso de “adubos verdes”.

Para o plantio direto são requeridas máquinas específicas para semeadura e manejo da cobertura vegetal. As semeadoras foram as máquinas que mais sofreram modificações para operação no plantio direto, devido à necessidade de realizar o corte da cobertura vegetal, a penetração do sulcador para abertura de um sulco estreito no solo não mobilizado e o aterramento do sulco com solo e palha. Para isso, passaram a incorporar novos componentes de mobilização do solo como discos de corte, hastes sulcadoras, discos duplos, rodas controladoras de profundidade, discos ou rodas aterradoras e rodas compactadoras. A evolução tecnológica incorporou, ainda em relação às convencionais, mudanças para operar sobre coberturas vegetais, suportar maiores esforços em virtude do trabalho em solos mais “duros” e sobre terraços de base larga.

Boa semeadura

Em qualquer sistema, a semeadura deve possibilitar o estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas desejada. Para isso, a semeadora deve formar um ambiente que possibilite a absorção de água pelas sementes, com condições de temperatura e disponibilidade de oxigênio adequadas ao processo de germinação. A germinação deverá ocorrer o mais rápido possível para reduzir o risco de ataque de pragas do solo e, para isso, as sementes necessitam de um contato total com o solo de modo a acelerar a absorção de água. A profundidade de semeadura é outro fator importante e depende principalmente da cultura, textura e umidade do solo. Em geral, a profundidade deve variar entre 2 e 6 cm, sendo tanto mais profunda quanto mais arenoso for o solo devido à menor retenção de água.

É necessário observar, também, o espaçamento e a densidade de semeadura recomendados para cada espécie e cultivar. A densidade depende da população de plantas desejada e da qualidade da semente (vigor e porcentagem de germinação), as quais vão determinar a quantidade de sementes a serem dosadas por metro linear. Outro aspecto importante no plantio direto, relativo ao ambiente das sementes, é a cobertura com palha do sulco de semeadura para evitar a perda de água do solo e o encrostamento superficial. O ideal seria a realização do plantio direto “invisível”, ou seja, que após a semeadura não fosse possível observar nenhum vestígio do sulco formado pela semeadora.

UMIDADE DO SOLO

O ponto ideal para semeadura no sistema de plantio direto é aquele onde o solo apresenta baixa ou nenhuma aderência nos sulcadores; quando o solo mobilizado não forma torrões e a cobertura vegetal é cortada completamente e não é empurrada para dentro do sulco pelo disco de corte. Nesta condição, o teor de água no solo caracteriza-o como na consistência friável, o qual pode ser identificado retirando-se uma amostra do solo na profundidade de trabalho e comprimindo-a levemente entre as duas mãos. Se, ao romper a amostra formarem-se diversos pequenos agregados que podem ser agrupados novamente, então o solo está friável. Abaixo da friabilidade (solo seco), os agregados formados não serão reagrupados e, se estiver acima (solo úmido), a amostra deforma-se bastante antes de romper-se e formam-se poucos e grandes agregados.

ANTECEDENDO A SEMEADURA

Antes da semeadura, máquinas para manejo da cobertura vegetal podem ser utilizadas, com o objetivo de cortar e acamar o material e distribuí-lo uniformemente na superfície do solo, visando-se reduzir o comprimento da palha e evitar seu acúmulo junto aos sulcadores das semeadoras. É importante salientar que não há, obrigatoriamente, necessidade de manejo mecânico das coberturas. A seleção da máquina para manejo da cobertura depende do tempo desejado de permanência da palha sobre o solo; da capacidade de semeadora para operar sobre a palha; da infestação por ervas e seus métodos de controle químico e das características, desenvolvimento e quantidade de massa vegetal das plantas de cobertura. O picador e distribuidor de palha, acoplados às colhedoras automotrizes constituem um método eficiente e de baixo custo para o manejo de resíduos de milho, soja e trigo, onde a faixa de deposição pela colhedora deve ser igual à largura de corte da plataforma. Quando não se dispõe de colhedoras com picadores ou quando se deseja manejar outras plantas de cobertura, pode-se usar roçadora, triturador ou rolo-faca. Os dois primeiros realizam uma fragmentação excessiva, recomendada apenas quando há grande quantidade de massa vegetal e quando se utiliza semeadoras com espaçamento entre linhas reduzido (menor que 50 cm). O rolo-faca realiza o acamamento e o corte total ou parcial do material, dependendo de suas características construtivas. Como a palha não é muito picada, a decomposição dos resíduos é mais lenta; sua eficiência depende do tipo de cobertura, do desenvolvimento da planta na época do manejo, da umidade do solo e da regularidade da sua superfície. Além disso, quando a semeadura requer um espaçamento menor que a distância de corte das lâminas, aumenta muito a possibilidade de embuchamento na semeadora.

Aspectos da escolha

Os principais aspectos estão relacionados ao desempenho, suporte pós-venda e manejo de máquina. O preço deve ser analisado sempre considerando os aspectos citados, pois um investimento inicial menor que apresente problemas de desempenho inadequados posteriormente ou de suporte técnico e reposição de peças lento pode provocar prejuízos elevados ao produtor. Quanto à avaliação de desempenho, o produtor deve procurar informações junto às revendas regionais das várias indústrias; ouvir a opinião de produtores que possuem os modelos mais recentes no mercado; procurar os órgãos de assistência técnicas regionais e analisar boletins técnicos com avaliações realizadas por institutos de pesquisa. Depois de selecionados os modelos e configurações que parecerem mais adequados à condição de sua propriedade, o produtor deve solicitar, às revendas, demonstrações a campo de cada modelo antes de tomar a decisão de aquisição. Atenção especial deve ser dada aos sulcadores, pois são estes componentes que apresentam as maiores restrições de desempenho e vêm sofrendo alterações com freqüência. Quanto ao suporte pós-venda deve-se observar a distância entre a propriedade e o revendedor mais próximo, a qualidade do serviço, inclusive da entrega técnica, e o estoque de peças disponível. Em relação ao manejo da máquina, os principais aspectos a serem observados são: facilidade para realizar a mudança de espaçamento das linhas de semeadura e, no caso de semeadoras múltiplas, da troca dos conjuntos dosadores e das linhas; a existência e a facilidade de operação de marcadores de linhas; a facilidade de realizar as regulagens dos sulcadores (pressão das molas, profundidade de operação, posição de operação, etc...) e da dosagem de sementes e fertilizante; facilidade de acoplamento e nivelamento da semeadora; existência de pontos de lubrificação suficientes e facilidade de acesso; existência de dispositivos de segurança contra acidentes para os operadores; autonomia de trabalho com sementes e fertilizante e a qualidade dos manuais de operação e peças.

Regulagem das semeadoras

Grande parte das razões da baixa produção em uma lavoura está relacionada diretamente ao desempenho da semeadora. Procure seguir as recomendações do fabricante de sua máquina e as dicas a seguir:

1. opere sempre com a semeadora nivelada. Dificuldades de penetração dos discos de corte no solo devem ser solucionadas ajustando-se sua posição (altura) e a pressão das molas. O nivelamento pode ser checado medindo-se a altura da barra porta-ferramentas (onde se acoplam as linhas de semeadura) em relação à superfície do solo, nas partes frontal e traseira da máquina;

2. verifique, com cuidado, todos os componentes do dosador de sementes, selecionando os discos e anéis adequados ao tamanho (comprimento, largura e altura) das sementes. Procure observar se existem pequenas imperfeições no conjunto dosador, principalmente nas peças fundidas, que possam ocasionar danos nas sementes e falhas no plantio;

3. percorra um trecho de, pelo menos, 15 metros no campo e nas condições de operação, coletando sementes e fertilizante em todas as linhas de semeadura. Se houver diferenças marcantes no número de sementes dosadas ou no peso de fertilizante, entre as linhas, provavelmente existem problemas de montagem das máquinas (comuns em máquinas novas), de desgaste ou quebra de peças, os quais poderão ser corrigidos antes do início da semeadura. Verifique, também, se todas as linhas atingem a profundidade desejada de trabalho. Se houver diferenças, observe o funcionamento de cada uma delas, principalmente das mais próximas às rodas da semeadora, pois estas podem estar ocasionando algum bloqueio no movimento das linhas o que só pode ser observado durante a operação. Observe, também, as linhas que estão operando sobre o rastro dos rodados do trator e, caso necessário, aumente a pressão nas molas das mesmas para uniformizar a profundidade de semeadura;

4. a velocidade de trabalho é muito importante para se obter a população de plantas desejada e movimentar menos o solo. Avalie se, na velocidade selecionada, o número de sementes dosadas atinge o desejado, coletando-as na saída do tubo de descarga ;

5. siga sempre as recomendações de pressão nos pneus da semeadora e do trator e de lastragem do trator;

6. verifique se as rodas compactadoras em “V” estão pressionando o solo sobre a semente. Se isso estiver ocorrendo, mude sua angulação para que a pressão seja ao lado das sementes;

7. lubrifique diariamente a semeadora durante a época de semeadura.
Leia e siga as recomendações do manual de operação da semeadora-adubadora.

Rubens Siqueira, Ruy Casão Junior e Augusto Guilherme de Araújo
IAPAR

* Este artigo foi publicado na edição número 04 da revista Cultivar Máquinas, de julho/agosto de 2001. ver mais artigos
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