Espaçamento adequado em plantação de cana

Diante das limitações para expansão dos canaviais, elevar a produtividade sem aumentar a área plantada é um grande desafio. Por esta razão, encontrar o espaçamento que permita melhor desenvolvimento da cultura é fundamental.

A cultura da cana-de-açúcar, sem dúvida, já está entre as principais commodities do Brasil. Nos últimos anos tem se tornado importante peça no setor energético brasileiro; porém, existem alguns entraves que bloqueiam seu desenvolvimento. O principal deles reside no fato de que a área cultivada da cultura tem se tornado cada vez mais limitada, devido a uma série de fatores. Portanto, para essa cultura não ficar defasada, técnicas vêm sendo estudadas para elevar a produtividade da cana-de-açúcar sem aumentar as áreas plantadas.

Uma dessas técnicas é o espaçamento entre fileiras da cultura saindo do plantio simples (1,40m x 1,40m) para combinado (1,40m x 0,5m ou 1,50m x 0,9m). Mas, para a realização desses novos espaçamentos, o produtor necessita adequar todos os equipamentos para a nova realidade, além de fazer a estimativa de quanto será a produção da lavoura, mesmo antes da colheita. Isso pode ser feito através de algumas medidas, como altura da planta e diâmetro de colmo da cultura, uma técnica que recebe o nome de biometria.

Na cultura da cana-de-açúcar, após os 120 dias de emergência da cultura, ocorre a estabilização do processo de perfilhamento e a planta passa a se dedicar ao desenvolvimento da parte aérea.

Uma grande dificuldade que os canaviais enfrentam é o estresse hídrico, isso reflete na cultura e, consequentemente, na sua produção. A deficiência hídrica na fase inicial afeta o rendimento da cana, reduzindo o tamanho das plantas em geral, e algumas variáveis como a produção de perfilhos,  número, altura e diâmetro de colmos industrializáveis, área foliar e finalmente o peso  individual dos colmos (Gonçalves, 2008).

O Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestais (Nempa) e o Grupo de Plantio Direto (GPD) da Faculdade de Ciências Agronômicas Unesp, campus de Botucatu, em parceria com a empresa PHD Cana, no município de Lençóis Paulista (SP), realizou experimento com os espaçamentos de 1,40m x 0,5m, 1,40 x 1,40m e 1,50m x 0,9m.

Desconsiderando os problemas com cultivares para produção de álcool e açúcar, a variedade utilizada no experimento foi RB 966928.

A Figura 1 mostra uma representaçao gráfica dos espaçamentos.

Figura 1 - Espaçamentos entre fileiras da cana em metros
Figura 1 - Espaçamentos entre fileiras da cana em metros.

As análises de altura de plantas foram feitas em 40 plantas com quatro meses de brotação, escolhidas ao acaso, sendo que a medição da altura se iniciou do solo até a folha mais nova que emitiu bainha, como mostra a Figura 2.

Figura 2 - Altura de plantas da cana-de-açúcar
Figura 2 - Altura de plantas da cana-de-açúcar.

O diâmetro de colmo foi medido com o auxílio de um paquímetro digital e a medição foi feita a 0,10m a partir do solo, conforme a Figura 3. As plantas escolhidas para aferição da altura foram as mesmas onde se realizou a medição de diâmetro.

Figura 3 - Diâmetro de colmo
Figura 3 - Diâmetro de colmo.

O clima da região de Lençóis Paulista, segundo a classificação de Köppen (1948), é do tipo Cwa, isto é, clima temperado quente (mesotérmico), em estação seca de abril a agosto e chuvosa de setembro a março, sendo o mês de janeiro o mais chuvoso (Cunha et al, 1999).

O solo da área experimental foi classificado como Latossolo Vermelho Escuro (Embrapa, 1999). As áreas foram manejadas com preparo do solo convencional, sendo uma gradagem e uma subsolagem para cada respectivo espaçamento. A análise estatística das variáveis foi com Tukey 5% de significância. A avaliação de diâmetro não teve diferença estatística, conforme a Tabela 1.

Na Figura 3 estão representados os valores encontrados para os diferentes espaçamentos avaliados. Esta variável apresentou diferença estatística.

Na Figura 4 são apresentadasas diferenças entre os espaçamentos avaliados.

Figura 4 - Representação gráfica da altura das plantas em (m) para os espaçamentos avaliados
Figura 4 - Representação gráfica da altura das plantas em (m) para os espaçamentos avaliados.

Nas Figuras 5, 6 e 7 uma vista frontal dos experimentos.

Figura 5 - Espaçamento 1,50m x 0,90m
Figura 5 - Espaçamento 1,50m x 0,90m.
Figura 6 - Espaçamento de 1,40m x 0,50m
Figura 6 - Espaçamento de 1,40m x 0,50m.
Figura 7 - Espaçamento 1,40m x 1,40m (esquerda) e ao lado espaçamento 1,40m x 0,50m
Figura 7 - Espaçamento 1,40m x 1,40m (esquerda) e ao lado espaçamento 1,40m x 0,50m.

Os resultados mostraram que o diâmetro do colmo não foi afetado significativamente com os tratamentos, porém, a altura foi maior no espaçamento de 1,4m x 0,5m seguido dos espaçamentos de 1,5m x 0,9m e 1,4m x 1,4m. Portanto, de acordo com os resultados encontrados, é possível concluir que os espaçamentos de linha dupla apresentaram um desenvolvimento inicial melhor para a cultura da cana-de-açúcar.

O experimento continua em desenvolvimento na PHD Cana, em Lençóis Paulista, São Paulo.


Indiamara Marasca, Saulo Fernando Gomes de Sousa, Vinícius Paludo, Paulo Roberto Arbex Silva, Kleber Pereira Lanças, Unesp/Botucatu 


Artigo publicado na edição 193 da Cultivar Grandes Culturas. 

ver mais artigos
CADASTRO DE NEWS
  • Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura