Estudo analisa semeadoras com sistema pneumático

A produção agrícola brasileira bate recordes a cada safra, várias tecnologias fazem parte deste processo, desde a genética da semente, semeadura, tratos culturais, colheita, entre outros. A operação de semeadura está presente no ciclo das operações agrícolas para a produção de grãos, dessa forma, a colocação adequada da semente no solo torna-se fundamental, a mesma deve estar posicionada em distância correta do adubo e em profundidade necessária para sua germinação e emergência.

O Sistema Plantio Direto (SPD) é uma realidade na agricultura brasileira, que vem crescendo todos os anos, sendo necessários cada vez mais a modernização e o estudo do tema, diante de novos mecanismos agregados às máquinas agrícolas. Este sistema destaca-se pela menor intensidade de mobilização do solo, ou seja, preparo localizado na linha de semeadura, redução da frequência de tráfego de máquinas agrícolas sobre o terreno e por manter sobre a superfície do mesmo uma quantidade maior de massa vegetal, o que o caracteriza como conservacionista.

No entanto, sistemas de preparo do solo com mobilização em área total ainda são frequentes, como é o caso do preparo convencional e também com escarificadores (preparo conservacionista). Como no Brasil existem diversos tipos de solos, desde os mais argilosos até os mais arenosos e preparados de formas distintas, a operação com qualidade de colocação da semente em profundidade adequada torna-se uma tarefa difícil.

As semeadoras-adubadoras apresentam discos duplos para a realização do sulco de semeadura e controle de profundidade de semente por meio de duas rodas paralelas a estes discos. A pressão exercida sobre os discos duplos é realizada de forma mecânica por molas em espiral, que devem ser reguladas fileira por fileira da máquina. As molas apresentam os movimentos de compressão e extensão, seu comprimento e o número de espirais proporcionam variação da pressão exercida sobre os discos duplos com bastante frequência. Outro ponto importante a destacar com relação às molas é que com o uso constante elas podem perder sua elasticidade.

Dessa forma, pesquisadores a Unesp de Jaboticabal (SP) realizaram ensaio para avaliar a utilização de molas pneumáticas na tarefa de exercer pressão sobre os discos duplos de sementes. No trabalho foi utilizada uma semeadora-adubadora da Marca Jumil, modelo 3090 PD Exacta Air, que apresenta essa inovação tecnológica. O sistema é composto por um compressor de ar acionado eletricamente e por bolsas pneumáticas individuais em cada fileira de semeadura.

A utilização de novos mecanismos desenvolvidos para semeadoras-adubadoras pode ser avaliada por meio da ferramenta de controle estatístico de processo, a fim de buscar melhorias na operação de semeadura, bem como servir de indicador de qualidade. Técnicas estatísticas para o controle da qualidade, em operações agrícolas mecanizadas, empregadas em culturas distintas, obtêm resultados promissores, pois o controle das operações agrícolas permite a diminuição na variabilidade, obtendo-se resultados mais próximos aos limites especificados (Milan & Fernandes, 2002). De acordo com Toledo et al o controle estatístico de processo (CEP) busca melhoria da qualidade do processo pela redução da variabilidade, porém, não existe processo ausente de variabilidade, assim a solução é mantê-lo dentro de padrões de estabilidade.

A semeadora JM3090 PD Exacta Air, de arrasto, foi configurada para o sistema plantio direto, com sete linhas de semeadura (0,50m), todas equipadas com molas pneumáticas como mecanismo de pressão sobre o sulcador de sementes, discos de corte de 18”, hastes sulcadoras para adubo, disco duplo desencontrado de 16” e rodas compactadoras flutuantes em “V”. Durante a realização do experimento os depósitos de adubo e semente foram mantidos com meia carga. Para tracionar a semeadora adubadora utilizou-se um trator Valtra BM 125i.

As molas pneumáticas foram reguladas para trabalhar com cinco pressões, 1bar, 2bar, 3bar, 4bar e 5bar. A pressão das molas pneumáticas é realizada pelo compressor, que é acionado/controlado pelo monitor de semeadura da máquina. Para que isso ocorra, basta definir o valor e digitar com a semeadora levantada, as molas pneumáticas aumentam ou diminuem a pressão em todas as linhas ao mesmo tempo, não necessitando de regulagem com porcas em linha por linha.

A profundidade de semeadura da cultura da soja foi medida após a passagem da semeadora, retirando-se manualmente o solo na linha de semeadura até localizar cada semente em três metros, medindo-se com régua em milímetros a distância da mesma até o nível do solo. Observou-se que as pressões de 3bar e 4bar apresentaram menor variação em relação à profundidade desejada, que era de 5cm (Figura 1). As demais pressões (1bar, 2bar e 5bar) apresentaram amplitudes maiores.

Figura 1 - Carta de controle para a profundidade de semeadura

A força de tração média na barra apresentou regressão polinomial, sendo que nas pressões de 3bar e 4bar foi maior, exatamente onde ocorreu melhor profundidade de semeadura. Pode-se inferir que, pelo fato da semeadora trabalhar com menor oscilação, a mesma demanda maior força, porém, trabalha com menor vibração e coloca a semente em profundidade adequada.

A força de tração de pico na barra apresentou o mesmo comportamento da força de tração média. A análise das cartas de controle também deixa claro a menor oscilação deste parâmetro, nas pressões de 3bar e 4bar a amplitude dos dados é menor.

O estudo concluiu que a utilização de molas pneumáticas em relação às molas em espiral é uma alternativa bastante viável, devido à facilidade de regulagem, pois com apenas um toque no painel se determina a pressão em todas as molas da máquina e possibilidade de manter mais uniforme a profundidade de semeadura.

Este artigo foi publicado na edição 141 da revista Cultivar Máquinas. Clique aqui para ler a edição.

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Carlos Eduardo Angeli Furlani, Vicente Filho Alves Silva, Rafael Scabello Bertonha, Marcelo Tufaile Cassia, Affonso C. Ribeiro Filho