Fatores combinados

Para definir uma aplicação de produtos fitossanitários é importante identificar corretamente o alvo a ser atingido. O conhecimento sobre o seu comportamento é fundamental para o direcionamento da aplicação, para a escolha dos produtos fitossanitáriose dos equipamentos de pulverização,visando uma boa capacidade operacional, com respeitoàs técnicas de manejo integrado e seguro da cultura.

A falta de gerenciamento das aplicações durante o ciclo da cultura pode custar caro aos produtores. Como exemplo,na cultura de amendoimonde em média 30% dos custos de produção estão atrelados as pulverizações,o descuido das técnicas e das máquinas de aplicação resultará em custos ainda maiores, associados à baixa qualidade e eficiência nas aplicações.

É importante estabelecer o tratamento mais adequado a ser utilizado para controlar determinado alvo e para obter eficácia na aplicação. A grande maioria das aplicações éfeita através de pulverizadores e o princípio de funcionamento destes é bastante semelhante. Seu sistema hidráulico é constituído basicamente por um depósito com agitadores, uma bomba, um circuito com filtros, mangueiras e válvulas distribuidoras e reguladoras de pressão, manômetro, registro da linha de sucção e uma barra de pulverização com bicos hidráulicos.

A manutenção das partes dos pulverizadores, além de manter o bom funcionamento dos equipamentos, permite manter também a qualidade das aplicações.

Dentre os itens de avaliação pode-se destacar os problemas com vazamentos que podem ocorrer por todo o circuito hidráulico, desde o tanque, por fissuras ou ranhuras ao bico, pela ausência de válvulas antigotejo,mangueiras danificadas, trincadas ou rompidas,dentre outras.Odesgaste das pontas de pulverização éconstante e a sua avaliação necessária para verificar a uniformidade de deposição e distribuição durante a pulverização. A proteção das partes móveis é crucial para a segurança do trabalhador, comopor exemplo,o eixo cardam em equipamentos montados e de arrasto que tem resultado em acidentes relatados de muita gravidade.Com manutenção adequada e com vistorias frequentes das máquinas, até a saúde dos operadores fica mais assegurada.

Quanto ao tanque do pulverizador, este deve ser esvaziado totalmente ao final da campanha de pulverização, para evitar o acúmulo de resíduos em seu interior que podem resultar emsuperdosagemao se preencher de caldao tanque em uma próxima aplicação e também para evitar contaminações de calda em caso de alteração da classe do produto fitossanitário.É indispensável que o tanque seja lavado com materiais apropriados para sua limpeza ao final das pulverizações ou sempre que houver troca de formulações do produto fitossanitário.

Os sistemasde agitação de calda também são de grande importância, poissão responsáveis por fazer com que o produto mantenha a concentração uniforme no tanque durante toda a operação. É comum encontrar a ausência e mau funcionamento desse componente em pulverizadores no campo, com vazamento decalda e falhas de agitação. Em geral, numa calda mal agitada há uma fase em que se aplica o produto mais concentrado e outra em que o produto quase não está presente, aplicando quase que somente a água da diluição. Isto tem resultado em falhas elementares com reflexos na cultura - intoxicação e prejuízos na produtividade - e falhas de controle das pragas. Um bom sistema de agitação é fundamental para manter a uniformidade da calda aplicada.

Os filtros são outro ponto comum de falhas nos pulverizadores. Comumente há de3 a 5 pontos de filtragem nos equipamentos, localizados na sucção de líquido para o tanque,antes da bomba, antes das válvulas elétricas quando presentes, nasseções das barras de pulverização e também nos bicos. Os filtros visam evitar que sujidades percorrem o circuito, evitando desgastes e entupimentos indesejáveis,com ganhos operacionais e de segurança, minimizando paradas para limpeza e desobstruções no sistema, prevenindo acidentes eexposição desnecessária aos operadores.

O manômetro é outro item negligenciado nos pulverizadores, mas sem ele não há como prever qual é a qualidade da aplicação, uma vez que a produção e distribuição das gotas de pulverização dependem estreitamente da pressão. As pontas de pulverização têm a suas recomendações atreladas a uma faixa de pressão de trabalho. Assim, não conhecer e monitorar a pressão quando necessário é equivalente a um voo cego e sem aparelhos. É um item fundamental e que, analógico ou eletrônico, deve estar presente e em bom funcionamento nos pulverizadores.

As pontas são consideradas os principais componentes do circuito hidráulico, pois delas dependem a vazão,a distribuição e tamanho das gotas. Portanto,devemserselecionadas considerando a estrutura da planta, o comportamento do alvo específico a ser atingido e que as gotas não se percam por escorrimento ou deriva.

Otamanho da gota e a ponta de pulverização estão diretamente relacionadasàs características de localização do alvo. Por exemplo, um inseto em sua fase de larva, um fungo, uma planta daninha, todos são tratados diferentemente quanto à forma para serem atingidos. As gotas pequenas são muito suscetíveis à deriva e à evaporação antes de atingir o alvo, mas são eficazes quando se precisa ter de boa cobertura. Gotas médias podem ser usadas para obter mais segurança na aplicação por serem intermediárias na suscetibilidade à deriva, em comparação às gotas finas e muito finas. As gotas grossas e extremamente grossas proporcionam menor densidade de gotas num mesmo volume de aplicação quando comparadas a gotas médias e finas, mas sofrem menos deriva e evaporação. Sendo assim, quando não se necessita de alta cobertura, como no caso da aplicação de herbicidas em pré-emergência ou pré-plantio-incorporado, o ideal é lançar mão das maiores gotas disponíveis para a aplicação. Pontas de pulverização com indução de ar são as mais indicadas para estas modalidades de aplicação.

Os fatores meteorológicos muitas vezes não são levados em consideração pelos produtores.Este comportamento pode ser considerado um erro grave, pois, como descrito anteriormente, as gotas podem evaporar no trajeto até a máquina ou serem carregadas pelo vento para fora da área tratada. Para o sucesso da aplicação são estabelecidos valores de velocidade do vento ótima para aplicação quando está de 3 a 10 km/h. Visto as condições favoráveis podemos observar os melhores horários para realizar a aplicação ou adequar o equipamento para permitir um trabalho mais seguro e eficaz em condições um pouco mais adversas.

Para maior segurança do trabalhador é importante à utilização do equipamento de proteção individual (EPI). É preferível que o operador não trabalhe sozinho, principalmente ao manusear agrotóxicos e não coma, fume ou beba durante a operação de pulverização. Todos os procedimentos de utilização do produto e de segurança do trabalhador têm por obrigação de constarem na bula dos produtos. A leitura e verificação dos itens para início da operação reduz o mau uso e contaminações pessoais.

No geral, observa-se que a pulverização é uma atividade complexa que engloba fatores físicos, mecânicos, químicos, biológicos e operacionais e todos devem ser considerados e reconhecidos como importantes para o sucesso da operação.Neste texto foram demonstrados alguns itens básicos que elevam os custose reduzem a capacidade operacional, podendo sermelhorados por simples vistorias e reparos das máquinas pulverizadoras e observações dos fatores que integram uma boa aplicação de produtos fitossanitários.


Este artigo foi publicado na edição 144 da revista Cultivar Máquinas. Clique aqui para ler a edição.

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Ariane Morgana Leal Soares; Gilson José Leite; Marcelo da Costa Ferreira

UNESP, Campus Jaboticabal

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