Fruteira Potencial: Cajazeira, mercado inexplorado

O Brasil é um grande produtor de frutas, que, por sua vez, são consumidas in natura ou processadas na forma de doces, geléias ou sucos. O Nordeste brasileiro possui um rol de fruteiras potencialmente promissoras, que, apesar de apresentarem perspectivas de aproveitamento econômico, têm sido exploradas na maioria das vezes de forma extrativista, em vista a falta de informações que justifiquem sua exploração comercial, cuja situação é diagnosticada para a cultura da cajazeira.

A maior parte da produção de frutas tropicais é consumida nos países produtivos, situação advinda da escassez de informação necessária ao seu cultivo, como exigências nutricionais, tratamento pós-colheita e processamento, tendo em vistas que algumas frutas não são conhecidas nos mercados mundiais. Já onde é conhecida integra a fonte de alimentos básicos das populações daquela região.

A cajazeira Spondias mombin L. percente a família Anacardiaceae originária da região tropical do continente americano, a fruta cajá é conhecida por taperebá, cajá-mirim, imbuzeiro dentre outros. Possui folhas imparipinadas, com 5 a 11 folíolos de 9-11 cm, flores em cachos na extremidade dos ramos, brancas e muito pequenas. Fruto amarelado de forma ovóide com aproximadamente 2 – 4 cm de extensão, com uma única semente. A germinação das sementes é considerada boa, apesar de um pouco demorada.

São árvores de médio a grande porte, consideradas de grande importância na recuperação de vegetação degradada, pela sua rusticidade, rapidez de crescimento e disseminação, atração para a fauna em geral e como produtora de frutos que servem como importante fonte de renda adicional para o produtor. Os frutos da cajazeira são muito apreciados pelo excelente sabor de sua polpa. Além disso, apresentam boas características agroindustriais com rendimento de polpa de 56% em média e suas características químicas, como o Brix de 13º.

As frutas desempenham um importante papel na saúde humana, contribuindo para o fornecimento de calorias, sais minerais e vitaminas, fibras e água. A seguir são apresentadas as propriedades nutritivas de fruto de cajá.

Apesar da literatura agronômica não dispor informações sobre nutrição e manejo para a cajazeira, sugere-se a adaptação de tecnologia utilizada em outras fruteiras tropicais com porte parecido. Estudos recentes de nutrição mineral da cajazeira no Estado da Paraíba, demonstraram que a cajazeira responde positivamente a adubação fosfática e potássica, obtendo a máxima produção de frutos com as doses 148,06 e 30 g planta-1 de K2O e P2O5, respectivamente (FEITOSA, 2007)*.
Já existem trabalhos de clonagem da cajazeira em busca de aproveitamento racional do potencial desta fruteira, que proporciona maior produtividade e qualidade dos frutos, além de facilitar o manejo das práticas agrícolas exigidas por esta cultura.

A colheita é feita manualmente, coletando os frutos maduros caídos. Nos Estados produtores, o período de safra varia, a produção registrada nos anos de 2005 e 2006 em seis municípios do Estado da Paraíba, foi de 500 e 700 toneladas, respectivamente. Os frutos são comercializados nas feiras e agroindústrias da região com preço variando de R$ 0,60 a R$ 0,80.

Dentre as fruteiras tropicais promissoras temos a mangueira Mangifera indica, uma típica fruteira tropical pertencente à mesma família da cajazeira. No geral, em alguns estados produtores não é empregada nenhuma tecnologia para a produção de manga, diante deste entrave o estado da Paraíba encontra-se entre os maiores produtores da fruta com destaque na produtividade de 21,89 ton/ha e produção de 456 mil toneladas em todo o Nordeste brasileiro.

Atualmente, no estado da Paraíba, as áreas cultivadas anteriormente com lavouras tradicionais foram substituídas pela fruticultura. Situação advinda das mudanças climáticas influenciadas pelo uso indevido dos recursos naturais e a seca prolongada - característica deste estado. Contudo, estas áreas passaram a produzir frutas, uma prática que proporciona maior oferta de emprego direto e incremento na renda mensal. Na região já existe organização em cooperativas dos produtores de frutas destinadas ao processamento da polpa, sobretudo de maracujá, graviola, acerola e cajá. Com produção mensal entorno de 20 mil quilos de frutas beneficiadas e com o mercado garantido, abastecendo o mercado local e de estados vizinhos a exemplo do Rio Grande do Norte, RN.

Selma dos Santos Feitosa
Mestre em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas, CEP 58397-000, Areia, Paraíba, Brasil. selmafeitosa7@hotmail.com - (83) 9906-9170.

Juliano Ricardo Fabricante
Doutorando em Agronomia - Ecologia Vegetal e Meio Ambiente da Universidade Federal da Paraíba, Campus II, bolsista CNPq, CEP 58397-000, Areia, Paraíba, Brasil. julianofabricante@ig.com.br - (83) 88677594.

* FEITOSA, S. dos S. Nutrição mineral e adubação da cajazeira (Spondias mombin L.) na Zona da Mata Paraibana. Areia – PB: 50 p. Dissertação (Solos e Nutrição de Plantas), 2007.

Confira o artigo, com tabelas, no link abaixo:

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