Guerra à Lagarta Militar

A lagarta militar ou lagarta do cartucho do milho, cujo nome científico é Spodoptera frugiperda Smith 1797 (Lepidoptera: Noctuidae) vem aumentando de importância ano após ano na cultura do algodoeiro, em diferentes regiões produtoras, com destaque para o cerrado. Uma série de fatores (condições climáticas favoráveis, aplicações excessivas e inadequadas de inseticidas, especialmente do grupo dos piretróides, rotação do algodoeiro com milho, entre outros) contribuem para o surgimento e, conseqüentemente, explosão populacional dessa praga.

Conhecendo a lagarta

O adulto é uma mariposa de coloração cinza-marrom com pontos claros na região central de cada asa, medindo cerca de 35cm de envergadura; as fêmeas colocam em média 143 a 250 ovos em massa. Em camadas sobrepostas, geralmente três, podendo apresentar cinco a seis camadas, em ambas as superfícies da folha, mostrando certa preferência pela superfície superior.

Opções de controle

Nos Estados Unidos, essa praga vem se tornando tolerante à maioria dos inseticidas convencionais, o que dificulta o seu controle. Naquele País, o manejo tem sido possível com inseticidas reguladores de crescimento, como o Diflubenzuron, Lufenuron, entre outros, além de inseticidas à base de vírus, como Spodo X.

No Brasil e na Bolívia as dificuldades de manejo de S.frugiperda estão associadas às condições climáticas favoráveis aliadas ao sistema de cultivo, no qual os produtores fazem rotação com o seu principal hospedeiro, o milho.

O controle químico é o método mais indicado, principalmente pela aplicação de Carbaril, Deltametrina, Deltametrina+ Triazophos, Thiodicarb, Malation e Permetrina, contudo, o alto custo dos inseticidas e seus efeitos negativos, o controle biológico vem-se tornando cada vez mais viável através da utilização de patógenos, dentre os quais os vírus da poliedrose nuclear (VPN) e o vírus da granulose (VA) pertencente ao grupo Baculovírus, são os mais promissores, pois além do fácil manuseio, esses patógenos possuem grande capacidade de multiplicação em Laboratório e são inócuos ao homem. Outra opção de controle disponível para o cotonicultor é a utilização de produtos ovicidas associados a um regulador de crescimento de inseto como Methomyl mais Diflubenzuron, e outros produtos fisiológicos. O controle biológico via liberação inudativa de Trichogramma sp. também é uma opção viável.

Manejo ambiental

Os cotonicultores poderão utilizar espécies vegetais não-hospedeiras desse inseto intercaladas com o algodoeiro para a atração, colonização e posterior incremento de inimigos naturais e/ou agentes biorreguladores dessa praga tais como crotolária, girassol, guandu, canola, entre outras.

Como amostrar a lagarta militar:

Estágio inicial da postura (fase de ovo)

Uma forma prática de se observar as massas de ovos deste inseto é dobrar a parte superior da planta e observar coletivamente na superfície inferior das folhas; 80 a 100 plantas em áreas pequenas até 10ha; acima disso, repetir o processo.

Não existe uma forma de se saber a margem de erro no processo amostral; no entanto, parece lógico que 4 a 5 massas de ovos por 50 plantas seria a indicação para o nível de controle.

Estágio de lagarta

De acordo com as observações práticas realizadas em flores durante o caminhamento, tem-se uma forma de detectar infestações dessa lagarta na lavoura algodoeira. Sugere-se, como nível de controle, observando-se a estrutura reprodutiva, 10% de infestação.

Amostragem dos frutos

O método mais adequado e preciso para se avaliar a infestação dessa praga é, certamente, o que considera a contagem de frutos por 4m de fileira em 10 locais para cada hectare da área cultivada, o que resultará numa medida precisa da informação. No entanto, devido aos aspectos peculiares desse inseto, o controle poderá não ser efetivo neste período.

Amostragem em outras hospedeiras

Áreas de produção de milho e sorgo podem ser amostradas, servindo como base para a detecção da lagarta; em alguns casos, isso pode indicar a magnitude da infestação no algodoeiro.

José Janduí Soares e Lúcia Helena Avelino de Araújo,
Embrapa Algodão

* Este artigo foi publicado na edição número 28 da revista Cultivar Grandes Culturas, de maio de 2001. ver mais artigos
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