Herbicidas: Como interagem

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma gramínea perene, entouceirada e que se reproduz por rizomas e sementes. Essa espécie apresenta crescimento inicial lento. No entanto, dos 45 dias aos 105 dias após a emergência o seu crescimento é acelerado, apresentando aumento exponencial de matéria seca. Trata-se de uma planta de grande potencial infestante, devido ao desenvolvimento rápido e agressivo, seu tipo de reprodução e capacidade de formar touceiras.

O controle químico em pré-emergência do capim-amargoso apresenta alta eficiência. Contudo, em pós-emergência existem poucos herbicidas registrados para aplicações, dentre os quais os inibidores da EPSPs (glifosato) e os da ACCase (graminicidas) são os que apresentam capacidade de translocar até os rizomas, característica importante para um controle eficiente. 
Além das características desfavoráveis de controle desta planta daninha, atualmente ainda há registro de resistência de capim-amargoso ao herbicida glifosato na Argentina, Paraguai e Brasil (primeiros relatos no estado do Paraná em 2008). Em 2016 também foi relatado o primeiro caso de resistência cruzada do capim-amargoso aos herbicidas fenoxaprope e haloxifope-p-metílico, ambos pertencentes ao mecanismo de ação ACCase. No entanto, a resistência a graminicidas ainda é pontual e, nas áreas onde não ocorre, estes herbicidas são efetivos para o controle do capim-amargoso quando aplicados de forma correta. Portanto, a alternativa química mais eficaz para controle de capim-amargoso resistente ao glifosato é a utilização de herbicidas inibidores da enzima ACCase.
O problema se agrava quando há infestações de capim-amargoso em conjunto com plantas de folhas largas resistentes/tolerantes ao glifosato, como a buva, caruru e trapoeraba, na mesma área de produção. Estudo realizado pela Embrapa no último ano, avaliou que em lavouras de soja com infestações de buva e capim-amargoso resistentes a herbicidas, os custos de produção podem sofrer um aumento médio de até 222%.Por se tratar de gramíneas e folhas largas, o controle químico deve ser específico para cada espécie, necessitando utilizar mistura ou sequencial de herbicidas para controle de ambas as plantas resistentes. No entanto, embora a mistura ou sequencial de herbicidas seja uma prática comum de manejo, diversos cuidados devem ser tomados para que não ocorram interações desfavoráveis entre os produtos utilizados, o que pode interferir negativamente no controle das plantas daninhas.


INTERAÇÕES ENTRE HERBICIDAS

A associação ou mistura de herbicidas baseia-se na utilização simultânea ou sequencial de dois ou mais produtos aplicados sobre a mesma área ou cultura. Atualmente, a mistura em tanque não é uma prática proibida, mas é de responsabilidade dos agricultores e não pode ser prescrita em receita agronômica pelo profissional habilitado. Contudo, a liberação da mistura em tanque está tramitando sob a portaria de número 148 no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que, se aprovada, permitirá ao profissional recomendar este tipo de atividade. Além do uso de misturas em tanque, a aplicação de herbicidas na modalidade sequencial vem se mostrando uma alternativa interessante para o controle de plantas daninhas. Esta prática amplia a eficiência do controle, além de ser uma oportunidade de eliminar diversos fluxos de emergência, reduzindo a densidade das plantas daninhas.
Interações devido a misturas/sequencial de herbicidas podem ocorrer antes, durante ou após a aplicação. Continue lendo.

Camila Ferreira de Pinho

Ana Claudia Langaro

Jéssica Ferreira Lourenço Leal

Amanda dos Santos Souza

Gabriella Francisco Pereira Borges de Oliveira

Gabriela de Souza da Silva

Rúbia de Moura Carneiro

Grupo de Pesquisa Plantas Daninhas e Pesticidas no Ambiente - UFRRJ

 


ver mais artigos
CADASTRO DE NEWS
  • Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura