Hospedeiro incômodo

O ataque de pragas a hortaliças representa um dos principais problemas enfrentados pelos agricultores é ainda maior quando realizado em cultivo protegido. As razões de tal acontecimento são o fato de que determinadas espécies-pragas encontram nesses ambientes condições ótimas de desenvolvimento e reprodução.

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é visto como um programa de monitoramento de pragas, em que inseticidas são utilizados quando atingem níveis previamente estabelecidos (VENZON et al., 2001).

A abundância dos inimigos naturais generalistas e especialistas tende a ser maior em policulturas, e o controle biológico natural de insetos filófagos, portanto, ser mais eficientes neste do que em monocultivos. É importante salientar que nos sistemas agrícolas o aumento da diversidade por si não significa, necessariamente um aumento da mortalidade dos insetos-pragas e em alguns casos extremos pode ocorrer o contrário (VENZON et al., 2001).

Predadores, parasitóides e patogenos nativos ou exóticos podem ser multiplicados no laboratório e liberados no campo para controlar pragas alvos das culturas.

Os feromônios são compostos químicos produzidos por insetos para comunicação intra-específica. Estes compostos são classificados de acordo com o contexto específico de comunicação entre os indivíduos, podendo ser sexuais, agregação, alarme, dispersão, marcação de território, de trilha, etc.

Na família Compositae a alface (Lactuva sativa L.) tem como principais pragas a mosca branca (Bemisia tabaci), o pulgão (Dartynotus sonchi L.) e a cigarrinha verde (Empoasca sp.). Mas em épocas restrita de acordo com o clima, os Trips (Trips tabaci Ind.) se tornam pragas que afrontam os olericultores (PICANÇO; MARQUINI, 1999).

O controle químico no Brasil não existe registro específico de inseticidas e acaricidas para o exclusivo controle de pragas em cultivos protegidos. Sendo assim, a relação de produtos para o controle destas pragas deve ser realizada de forma cuidadosa.

Prejuízos causados

Além de prejudicar diretamente as plantas o trips pode agir como agente transmissor de doenças viróticas e ainda favorecer a penetração de fungos através das lesões nas folhas, o que contribui para uma redução mais acentuada da produtividade. Em baixas pluviosidades, as infecções tornam-se mais sérias e quando não controladas adequadamente podem causar quedas de até 50%.

Os trips passam a assumir importância econômica quando agem como vetor de uma moléstia virótica denominada “queima do broto”. Plantas afetadas por esta moléstia cessam seu crescimento apresentando folíolos atrofiados e tornam-se improdutivos (CORSO; GAZZONI, 1982).

Sabe-se que as espécies de trips são facilmente controladas pela aplicação de inseticidas químicos, mas em se tratando de insetos-vetores, há necessidade de manter-se a lavoura praticamente livre de qualquer espécime.

Os trips alimentam-se pela raspagem dos tecidos foliares e sucção do suco celular. O desenvolvimento da população desta praga é influenciado pelas condições climáticas, sendo favorecido quando ocorrem primaveras quentes e secas e prejudicado por tempo chuvoso (SILVEIRA; GUIMARÃES, 1984).

Levantamento em Minas Gerais

Foi feito um acompanhamento da população de trips tabaci, na cultura da alface em ambiente protegido, na Hidroponia Magnólia. O acompanhamento foi feito utilizando-se cartelas de ferormônios do tipo amarela e do tipo azul. Cabe lembrar que as cartelas azuis são específicas para o trips enquanto que as cartelas amarelas são específicas para pulgões.

Foram utilizadas várias cartelas em diversos pontos da estufa, sendo em locais de aplicação de inseticidas e em locais sem aplicação de inseticidas. O acompanhamento da população foi feito durante os meses de maio e junho de 2003, época seca e fria na região de Uberaba (MG).

As cartelas foram posicionadas em um berçário e duas estufas. O berçário possui altura de três metros, 12 metros de comprimento e 2,5 metros de largura, protegido com lona plástica transparente. A estufa 1 possui 64,5 metros de comprimento, 18,3 metros de largura e 2,5 metros de altura. A estufa 2 possui 55 metros de comprimento, 14,30 de largura e quatro metros de altura. A estufa 2 é mais alta e conserva menos o calor. Já a estufa 1 é mais baixa, aquecendo mais e mantendo o ar quente com mais facilidade.

As observações foram feitas em algumas cartelas, mas não propiciaram análise estatística. Os dados coletados são apresentados na forma de Gráficos. No Gráfico 1 (veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF) segue a população de trips por cartela amarela nas diversas áreas de cultivo. O berçário apresentou uma população baixa de trips, o que pode ser porque o local possuía alumínio pendurado, que proporciona como um repelente ao trips pois o brilho deste ofuscava o trips e ele perde o senso de direção e acaba sendo espantado. No período de avaliação foram feitas aplicações de inseticidas nos dias 03/12/19/24 de maio em todos os locais de cultivo.

No Gráfico 2 é apresentado o acompanhamento populacional do trips em cartela amarela no mês de junho, época de maior frio nesta região. Observamos que a população no mês de junho foi maior do que a no mês de maio e mesmo com a aplicação de Imidacloprid nos dias 01/07/14 de junho a população continuou a crescer. Provavelmente devido ao frio e à grande proliferação do trips e dificuldade de pulveriza-lo.

No Gráfico 3 (veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF) apresentamos a análise populacional para as cartelas azuis e observamos que na estufa 2 houve uma maior população de trips devido à menor conservação de calor, propiciando maior desenvolvimento do trips, que gosta do frio. Nesta observação a aplicação de inseticidas foi realizada no mesmo dia do Gráfico 1.

O inseticida fipronil 200 SC e 800 GDA e metamidofos foram aplicados para o controle do trips e os resultados indicaram que todos os inseticidas, nas dosagens testadas, são eficientes no controle do trips (GARCIA et al.,. 1995).

Os princípios ativos Lambdacyhalothin e Beta Gufluthrin apresentam destaque na produtividade quando houve ajuste na dosagem (GONÇALVES, 1995).

O uso de Orthene 750 BR, Orthene Pellet, Hamidop apresentou eficiência de 80% no controle do trips e estes inseticidas não causariam danos de fitotoxidades as plantas (BELLETTINI et al., 1998).

A avaliação do trips tabaci mostrou que ocorre aumento de desenvolvimento deste nas épocas frias, sendo que a rotação de produtos químicos proporciona uma melhor eficiência no controle e quando ocorre pulverização sucessiva de mesmo produto aumenta a pressão de seleção favorecendo a resistência do inseto aos inseticidas.

Jorge Wilson Cortez e Antônio N. Silva Teixeira,
Fazu

* Este artigo foi publicado na edição número 30 da revista Cultivar Hortaliças e Frutas, de fevereiro/março de 2005.

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