Influência da velocidade na semeadura

Teste para avaliar a influência da velocidade na semeadura da soja na região sudoeste de Mato Grosso mostra que é possível trabalhar a velocidades maiores sem perder a eficiência.

A soja, atualmente é uma das mais importantes culturas agrícolas do Brasil. O Mato Grosso é o estado que mais produz, utilizando o sistema de rotação de soja com o milho safrinha, com duas culturas por ano, ou adotando-se também a técnica conhecida como integração lavoura-pecuária, em rotação com a pastagem e em sistema de plantio direto. Por esse motivo a semeadura necessita ser bem planejada, além de exigir maquinas que além de garantir uma distribuição adequada de sementes devem ser dimensionadas para as grandes áreas.

Para conseguir uma emergência e desenvolvimento uniformes das culturas é fundamental que se consiga uma semeadura eficiente, agronomicamente recomendada. Em preparos conservacionistas esses requisitos aumentam de importância, pois as condições de solo, como cobertura sobre a superfície, geralmente não são tão favoráveis à semeadura, quanto os solos com preparos convencionais. As semeadoras de sistema de plantio direto (SPD) devem apresentar características especiais para efetuarem semeadura eficiente, sendo a regulagem um dos parâmetro que irá contribuir para a obtenção do bom desempenho do equipamento.

Os mecanismos dosadores de sementes mais comuns para sementes graúdas, como a soja, são do tipo discos horizontais, com dosador do tipo pneumático e dosador do tipo dedo preensor. Atualmente existe uma grande demanda por máquinas com sistema dosador pneumáticos, para trabalhar em sistemas de soja-milho safrinha ou em integração lavoura-pecuária. Os sistemas pneumáticos são mais vantajosos que os sistemas de discos horizontais, podendo proporcionar estandes mais uniformes, permitindo maiores velocidades de trabalho e consequentemente, maior produtividade.

Dentre os diversos fatores que afetam a qualidade do processo de semeadura em sistema de plantio direto está a velocidade de deslocamento. A principal questão está relacionada à demanda de trabalho por ocasião do plantio de grandes áreas onde o período recomendado para execução da atividade é restrito, determinado principalmente pelas condições ambientais. A velocidade na operação de semeadura tem influência direta sobre a cobertura das sementes, uniformidade de distribuição, estande de plantas e consequentemente a produtividade. As velocidades de deslocamento de 5km/h a 7 km/h como ideais para a operação.

Para as características de Mato Grosso devem ser usados conjuntos mecanizados capazes de garantir capacidade operacional satisfatória. Por isso é cada vez mais necessário o uso de máquinas modernas com sistemas dosadores de sementes pneumáticos, aumento das linhas de semeadura, equipamentos eletrônicos de monitoramento da semeadura, piloto automático, que possibilitem aumento da velocidade de deslocamento do conjunto. É comum observar no campo em algumas propriedades rurais o uso de tratores de alta potência trabalhando com velocidades superiores a 8km/h.

TESTE EM CAMPO

Com o objetivo de avaliar uma máquina com sistema dosador pneumático na cultura da soja em sistema de integração lavoura-pecuária foi realizado dois experimentos na fazenda Ressaca do grupo Nelore Grendene, localizada em Cáceres (MT). Trata-se de uma propriedades referências na região sudoeste do Mato Grosso que está adotando a integração lavoura-pecuária. Todos os tratos culturais foram realizados de acordo com as necessidades da cultura. O solo da região é classificado como Latossolos Vermelho-Amarelos) e a área apresenta histórico de pastagem.

No primeiro experimento, o processo da semeadura da soja foi realizado no dia 1º de dezembro de 2015, onde a semeadora foi regulada para distribuir 14 sementes no solo, 12 plantas/m. Foi utilizado o trator Valtra BH210, de 210 cv, ano 2013 e uma semeadora John Deere modelo 2122 CCS de 22 linhas, com sistema pneumático VacuMeter, sulcador de semente de discos duplos em “V” com o espaçamento regulado de 0,5m entre linhas. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, quatro repetições, com três tratamentos, sendo eles: velocidades de 7 Km/h; velocidade de 5 Km/h e velocidade de 6 Km/h. Cada parcela experimental com 30 metros de comprimento por 11 de largura e 5 metros entre as parcelas. As velocidades foram alcançadas com o escalonamento de marcha e aceleração aferidas pelo próprio trator, velocidades maiores conforme desejado no experimento não foram possíveis devido a potência do trator.

O Índice de Velocidade de Emergência (IVE) foi obtido através da contagem das plantas emergidas em dois metros lineares nas 5 linhas centrais, desde a primeira semana após a semeadura até a estabilização do estande na quarta semana após a semeadura. O estande representando o número de plantas por metro linear foi obtido pela contagem realizada na quarta semana após a semeadura.

Os resultados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e a comparação de médias, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade. Nos resultados obtidos para o experimento 1 foram observados alguns problemas de dessecação de pastagem existente e também com uniformidade de cobertura após, bem como plantas daninhas no local. Os resultados para Índice de velocidade de emergência (IVE) e stand inicial (STI), são apresentados na Tabela 1.

Os resultados para índice de velocidade de emergência (IVE) e estande inicial (STI), não apresentaram diferença significativa e o estande foi considerado adequado. A semeadora JD 2122 CCS com 22 linhas apresenta uma largura de trabalho de 11 m atingindo uma eficiência de 85% na velocidade de 7 km/h. Com capacidade operacional de 6,54ha/h, numa jornada de 10 h seria possível plantar 65,4 ha/dia. Como ela é dotada de sistemas eletrônicos de monitoramento e piloto automático que permitem jornada noturna essa jornada poderia ser extendida para 20 h diárias o que aumentaria o rendimento para cerca de 130 ha/dia por conjunto mecanizado.

No segundo experimento, o processo da semeadura da soja foi realizado com o trator John Deere 8370, de 370 cv, ano 2016, que permitiu velocidades mais altas na operação de semeadura no experimento, com a mesma JD 2122 CCS com  22 linhas, regulada para 10 plantas/m em área com Brachiaria ruziziensis em  cujos resultados parciais são apresentados na Tabela 2.

Os resultados não mostraram diferença significativa quanto ao Índice de velocidade de emergência. Quanto ao estande inicial foi observado que até 10 km/h esteve satisfatório. Esta velocidade permite uma capacidade operacional de 9,35 ha/h, um aumento considerável em relação ao experimento a 7km/h, chegando a plantar 93,5 ha em uma jornada de 10 h/dias ou com adicional de mais 10 horas para 188 ha/dia com um único conjunto mecanizado.

Para aprofundar o assunto e outras análises são necessárias mais pesquisas em condições específicas. Mas essa possibilidade de aumento da velocidade, considerando o índice satisfatório em relação ao estande inicial, tem importância significativa para as condições de Mato Grosso com extensas áreas e curto prazo de semeadura.

Os resultados não mostraram diferença quanto ao índice de velocidade de emergência. Já em relação ao stand inicial foi observado que até 10km/h foi satisfatório
Os resultados não mostraram diferença quanto ao índice de velocidade de emergência. Já em relação ao stand inicial foi observado que até 10km/h foi satisfatório
Os resultados não mostraram diferença quanto ao índice de velocidade de emergência. Já em relação ao stand inicial foi observado que até 10km/h foi satisfatório
Os resultados não mostraram diferença quanto ao índice de velocidade de emergência. Já em relação ao stand inicial foi observado que até 10km/h foi satisfatório



Jane Maria Batista Vanini, Zulema Netto Figueiredo, Taniele Carvalho de Oliveira, Erick Marinho Samogim, Paulo César Lima Silva, Breno Caique Baioni do Carmo, UNEMAT


Artigo publicado na edição 172 da Cultivar Máquina

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