Integração de tecnologias BT e Inseticidas contra lagartas

A comodidade trazida pela tecnologia Bt fez com que o uso massivo e em desacordo com as recomendações técnicas, aliado às características de um agroecossistema favorável à multiplicação de pragas, resultasse em escapes de controle, dificuldades de manejo e pressão de resistência, principalmentede lagartas. Aliar a biotecnologia ao emprego racional de inseticidas e a outras estratégias integradas é o caminho mais seguro para enfrentar este problema

Segundo dados do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) na safra 17/18, o Brasil apresentou mais de 65 eventos liberados, tanto para o controle de plantas daninhas como para o combate de insetos, em diferentes culturas. Um dos grandes marcos foi a liberação do algodoeiro resistente a lagartas, em 2005, e posteriormente o milho, em 2007. No ano de 2009 foi lançada a soja Bt (Intacta RR2 Pro), com a expressão da proteína Cry1Ac.

Spodoptera (S. frugiperda e S. eridania)

A contribuição dos transgênicos em milho e algodoeiro foi de grande valia para o manejo integrado de pragas. Ajudou a diminuir as aplicações de inseticidas nessas culturas em torno de 20%, e particularmente no complexo de lagartas houve redução de 80% nos primeiros anos de adoção. Na cultura da soja, os dados também mostram benefícios, porém em determinadas regiões com menores ganhos em relação às outras culturas.
Desde a liberação das plantas geneticamente modificadas com resistência a pragas, grandes mudanças têm ocorrido, seja por alterações de comportamento dos insetos, por adaptação no sistema de produção, pela presença de hospedeiros alternativos ou por modificações quanto às pragas principais de cada cultura.
Um dos fatores a se analisar no Cerrado brasileiro é que o agroecossistema utilizado na região Centro-Oeste é um ambiente favorável à multiplicação de pragas, pois prevalece a soja como principal cultura a se estabelecer na grande maioria das áreas, podendo ser rotacionada ou não, sendo após a colheita estabelecida uma cultura de cobertura ou a área permanecendo em “pousio”. Neste sistema de cultivo, as pragas têm se adaptado há vários anos, mesmo antes da entrada dos Bts. Fatores como condições climáticas favoráveis, de altas temperaturas e de inverno ameno tornam-se ideais para a multiplicação dos insetos. 
Tanto a soja, como as demais culturas estão sujeitas ao ataque de vários insetos desde a germinação à colheita. No Manejo Integrado de Pragas (MIP) é fundamental o reconhecimento das pragas e seus inimigos naturais. O monitoramento é a operação que reúne informações para tomada de decisão de controle, entre elas os danos e a intensidade da ocorrência. Entretanto, nos programas de MIP, a tomada de decisão de controle é um fator que se modifica em função de diversos fatores como eficiências estratégias de manejo, pátio de máquinas, custos de controle, entre outras, variáveis ao longo dos anos. 
O MIP caracteriza-se por alterar o agroecossistema o mínimo possível, e a partir desse pressuposto, o controle de pragas na cultura da soja deixou de ser realizado através da dependência exclusiva de inseticidas químicos, para adotar sistemas que enfatizam o manejo da população de artrópodes no agroecossistema.
Entre as pragas, as lagartas podem gerar grandes prejuízos na cultura da soja. Até a safra 2014/2015 eram consideradas por muitos pesquisadores como a praga principal. Uma das lagartas, a Helicoverpa armigera, na região dos Chapadões, teve seu custo de controle estimado na ordem de 50 dólares por hectare, nas safras de 2013/2014 e 2014/2015. 
De modo geral, na região Centro-Oeste, a intensidade do ataque das diversas espécies de lagartas tem obrigado os produtores a realizarem de uma a sete pulverizações na cultura para o seu controle, em ambiente Bt e não Bt em soja.
Entre as diversas lagartas no sistema de produção, se destacam as do complexo Spodoptera (Spodoptera frugiperda e S. eridania) e a Helicoverpa armigera, que nas condições de Cerrado apresentam alta frequência, destruindo folhas, vagens e grãos, comprometendo a produção. 
No Brasil (por apresentar condições de vários ciclos, sobreposição de gerações destas pragas), tem se observado um aumento principalmente no número de indivíduos do complexo Spodoptera.

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Germison Tomquelski e Claudemir Theodoro

Fundação Chapadão

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