Lagarta Falsa Medideira: em movimento | Grupo Cultivar

Lagarta Falsa Medideira: em movimento

A lagarta falsa-medideira Chrysodeixis includens (Walker) (Lepidoptera: Noctuidae) já foi uma praga secundária em soja. No entanto, a partir da safra 2003/2004 esta espécie se tornou praga-chave na cultura devido aos frequentes surtos populacionais e grande severidade de danos nas áreas cultivadas. As dificuldades de controle na cultura da soja estão muito relacionadas ao comportamento desse inseto. 

A falsa-medideira tende a ocupar o dossel inferior das plantas de soja, o que dificulta o seu controle por meio de pulverizações com inseticidas. O monitoramento de pragas constitui a base do manejo integrado de pragas e definem a implementação ou não das táticas de controle. O emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético é também considerado um método prático e eficiente para o monitoramento de pragas. A realização de estudos sobre a distribuição vertical de insetos praga poderá aprimorar o monitoramento e auxiliar no desenvolvimento de táticas de controle. Estas informações podem indicar o melhor momento ou local para deposição dos inseticidas aplicados em pulverização, a fim de maximizar o controle das pragas. 
Com esse objetivo foi conduzido um estudo na Embrapa Agropecuária Oeste, durante a safra 2014/2015, com o objetivo de obter informações sobre a flutuação populacional, conhecer as relações entre adultos e imaturos de C. includens na cultura da soja, bem como calcular a distribuição vertical de ovos e de lagartas no dossel foliar da cultura, com o objetivo de  fornecer subsídios para serem utilizados no manejo integrado dessa praga.
Os adultos da lagarta falsa-medideira foram monitorados durante o período de outubro de 2014 a outubro de 2015 na cultura da soja. A captura de mariposas foi realizada com uso de armadilhas do tipo Delta com pisos adesivos, iscada com o feromônio sexual Bio Pseudoplusia. Semanalmente, as armadilhas foram inspecionadas para a contagem de mariposas capturadas, quando também eram trocados os pisos adesivos, enquanto os septos do feromônio foram substituídos a cada 21 dias.
Ovos e lagartas foram monitorados visualmente sobre as plantas de soja logo após a sua emergência. Nas amostragens de lagartas, utilizou-se o pano de batida, realizando-se de duas a três vezes por semana com cinco batidas de pano próximas de cada armadilha de feromônio. As lagartas capturadas foram classificadas como grandes (≥ 1,5 cm) ou pequenas (< 1,5 cm). Em cada época de amostragem, duas plantas próximas de cada armadilha eram também arrancadas e levadas ao laboratório de entomologia para a inspeção de ovos nas folhas e hastes. Os dados de captura de adultos nas armadilhas e suas formas imaturas encontradas nas plantas de soja foram submetidos à análise de regressão linear.
As lagartas de C. includens foram também amostradas nas plantas de soja durante o florescimento da cultura a partir das seis horas da manhã com o objetivo de estudar a distribuição vertical desses insetos durante o dia no dossel foliar da soja. Para isso, dez plantas foram coletadas e seccionadas em três extratos (inferior, mediano e superior), os quais eram ensacados separadamente e levados ao laboratório para contagem de ovos e de lagartas. O mesmo procedimento foi repetido às 8h, 10h, 12h, 14h, 16h, 18h e 20h de cada dia. Para a análise do deslocamento de lagartas entre os extratos das plantas ao longo do dia, às partes superior, mediana e inferior das plantas, foram considerados os tratamentos a serem avaliados e o número de plantas, as repetições do ensaio conduzido no delineamento inteiramente casualizado. 

Resultados obtidos

Flutuação populacional e relações entre adultos e imaturos na soja
Durante todo o período de monitoramento foram capturadas 1.199 mariposas de C. includens, sendo observada a presença desta espécie em todos os meses do ano. No período de cultivo da soja (Outubro/2014 a Fevereiro/2015) o número de mariposas capturadas foi notadamente superior, com o maior pico de ocorrência de adultos sendo observado nos meses de janeiro a fevereiro (Figura 1), quando a soja se encontrava no estádio reprodutivo. Em abril foi constatado o segundo pico de mariposas, quando na área estava sendo cultivado milho safrinha. Leia mais...

Daniele Zulin

 Universidade Federal da Grande Dourados

Crébio José Ávila

Embrapa Agropecuária Oeste

Eunice Cláudia Schlick Souza

Instituto Federal de MT 


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