Leucena: quem realmente é você?

Originária da América Central (SANTANA E ENCINAS, 2008), aleucena [Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit] é uma leguminosa arbórea que foi introduzida no Brasil na década de 1940 como uma alternativa de alimento para o gado(SANTANA, 2008). Devido sua rusticidade, de pertencer ao grupo das pioneiras (SANTANA, 2008) e de estabelecer relações simbióticas com bactérias fixadoras de nitrogênio (FRANCO E FARIA, 1997), a espécie também passou a ser largamente utilizada em projetos de recuperação de áreas degradadas(GORLA et al., 1977).

A despeito das afirmativas acima, a leucena possui atributos que a torna uma das piores daninhas do mundo. Segundo ALVES et al.(2014) a espécie afeta a resiliência (capacidade do ambiente de se reestabelecer após algum distúrbio) de sítios invadidos e promove a homogeneização da flora devido sua alta capacidade competitiva e da liberação de aleloquímicos no ambiente, é tóxica para animais e afeta arranjos produtivos, por meio de diminuição da qualidade de pastagens e por ser hospedeira de pragas e doenças de lavouras.

Com ampla distribuição por todo o território nacional, a leucena invade os mais variados tipos de ambientes e ecossistemas, sendo bastante preocupante sua capacidade de se estabelecer e dominar rapidamente sítios ripários antropizados da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Nesses locais, a leucena forma verdadeiros “desertos verdes". Ela impede que a riqueza e diversidade vegetal da área se restabeleçam e consequentemente de toda a vida animal que depende dessas plantas como fonte de alimento, abrigo e refúgio, comprometendo assim, todos os processos ecológicos naturais.

Áreas invadidas pela leucena são verdadeiros “desertos verdes".

Apesar de alguns aspectos assinalarem inicialmente que a leucena poderia ser uma espécie promissora para alguns empreendimentos, o conhecimento científico acumulado nos últimos anos não deixa dúvidas que sua introdução no País foi mais um caso de irresponsabilidade e falta de bom senso de pesquisadores de instituições públicas. O Brasil é considerado o país da “megadiversidade", por volta de 1/5 das espécies conhecidas no mundo ocorrem aqui. Em nosso território existem milhares de espécies nativas com as mais variadas potencialidades de uso. Não existem razões lógicas, por tanto, para investirmos na utilização de espécies como a leucena, muito pelo contrário.

Devido a todas essas questões é necessário que se criem políticas publicas visando a proibição do plantio da espécie e estratégias de controle da mesma. Os danos e ônus causados pela leucena tendem a se intensificar quanto maiores forem suas populações. É fundamental agirmos imediatamente, antes que seja tarde demais.

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Alaine de JesusBarreto; Daianne Maria de Oliveira;Elizabete Lima dos Santos; Maria Eduarda de OliveiraSantos; Maria Flaviane Almeida Silva; Mére Louise Andrade; Thaysa Santos de Jesus; Juliano Ricardo Fabricante

Laboratório de Ecologia e Conservação da Biodiversidade (LECoB), Departamento de Biociências (DBCI), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Itabaiana, SE

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