Mais lento, mais eficiente

As semeadoras são classificadas em dois tipos principais conforme a forma de distribuição das sementes, podendo ser de precisão para semeadura de grãos graúdos como soja e milho, ou de fluxo contínuo para semearem sementes miúdas como trigo, sorgo e milheto. A grande diferença entre os dois tipos de semeadoras é que a de precisão distribui as sementes em intervalos regulares entre elas e com espaçamento maior entre linhas, utilizando dosadores dos tipos discos horizontais ou dosadores a vácuo. As semeadoras de fluxo contínuo distribuem as sementes no sulco de forma contínua e são utilizadas principalmente para culturas que requerem menores espaçamentos entre sementes e entre linhas, culturas com elevada taxa de dosagem por metro de linha. Para esta forma de trabalho as semeadoras utilizam principalmente mecanismo dosador dos tipos rotor acanalado.

Na operação de semeadura diversos fatores interferem no sucesso da cultura. Devido às diversas mudanças climáticas e a situação de mercado dos grãos em função da época de colheita, o período de tempo disponível para plantio da safra e safrinha tem ficado cada vez mais curtos, obrigando a operação de semeadura ser realizada com excessos de velocidade, um dos principais fatores para falhas na distribuição das sementes, profundidade inadequada, estande incorreto de plantas e perdas na produtividade da lavoura.

Além da velocidade, outros fatores como danos mecânicos nas sementes são decisivos para se alcançar o estande ideal de plantas. A presença de danos mecânicos facilita a entrada de micro-organismos nas sementes, favorecendo problemas como mofo, podridões e perdas de germinação e vigor. Dentre outras formas de se possibilitar danos mecânicos nas sementes podemos consideraras operação mecanizadas. Neste contexto as semeadoras possuem relação direta de contato com as sementes, sendo fontes de atritos e vibrações desde os reservatórios, passando pelos mecanismos dosadores, tubos condutores até a deposição no solo.

Em virtude de poucos estudos e informações publicadas a respeito da qualidade da deposição de sementes com semeadoras de fluxo contínuo, o Grupo de Plantio Direto da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu (SP), realizou trabalho de pesquisa para avaliar este tipo de semeadora. O trabalho avaliou a deposição, os danos mecânicos e a germinação de sementes de sorgo dosadas em três diferentes velocidades de operação da semeadora de fluxo contínuo.

Na Tabela 1 são demonstrados os resultados obtidos no experimento para as diferentes velocidades de operação da semeadora de fluxo contínuo.TABELA 1. Médias de deposição de sementes, danos mecânicos e germinação em função de diferentes velocidades de semeadura com semeadora de fluxo contínuo.

Velocidade

(km.h-1)

Médias de deposição

(g)

Danos mecânicos

(%)

Germinação

(%)

4

4,5

9,8

92,5

7

4,1

10,2

92,5

10

3,9

10,5

92,0

C.V (%)

16,06

12,06

1,09

C.V: coeficiente de variação. Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferiram entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

O aumento da velocidade de operação de 4km/h até 10 km/h reduz significativamente a média de sementes depositadas. A diferença entre as médias de deposição de 4 km/h para 7 km/h é de 8,8 %, e para 10 km/h é 13,3%, quantidadesconsideráveis para ocasionar a redução do estande de plantas e a produtividade da cultura.

O fator velocidade também é razão para ocorrência de danos mecânicos nas sementes, ocrescente aumentoda velocidade de operação também proporciona aumentona porcentagem de danos nas sementes. Como a germinação das sementes é, entre outros fatores, dependente de sua integridade física, os danos mecânicos proporcionados pelo aumento da velocidade de semeadura provocam a redução na germinação das sementes.

Os resultados do trabalho de pesquisa deixam claro que o excesso de velocidade na operação de semeadura afeta a qualidade, sendo razão primária para falhas na quantidade de sementes depositadas, aumento de danos mecânicos nas sementes e redução da germinação. O resultado final na lavoura é observado por estande reduzido de plantas, produção comprometida e elevação dos custos.

Este artigo foi publicado na edição 144 da revista Cultivar Máquinas. Clique aqui para ler a edição.

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Tiago Pereira da S. Correia; Saulo Fernando G. de Sousa; Leandro Augusto F. Tavares; Paulo Roberto Arbex Silva; Bruno Giorgetti Martins

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