Monitoramento e controle

De acordo com a Embrapa Soja, a ferrugem asiática é atualmente uma das doenças mais importantes que afetam a cultura. No Brasil, sua primeira ocorrência foi detectada em 2001 e, desde a safra de 2007/2008, os danos em produtividade se mantêm relativamente mais baixos em decorrência da aplicação de fungicidas.


A fim de preservar a eficiência dos fungicidas e acompanhar o comportamento de sensibilidade da ferrugem asiática aos mecanismos de controle existentes no mercado, grandes esforços são investidos nos estudos de monitoramento da sensibilidade de Phakopsora pachyrhizi (fungo causador da ferrugem da soja) aos fungicidas dos grupos químicos dos DMIs (fungicidas que atuam na demetilação da síntese de esteróis nos fungos, como o ingrediente ativo tebuconazol), QoIs (como os princípios ativos azoxistrobina, piraclostrobina e trifloxistrobina) – iniciados na safra 2005/2006 – e dos SDHIs (carboxamidas) – mais recentemente.

No caso da Bayer CropScience, tais pesquisas estão sendo conduzidas por meio de uma metodologia de monitoramento desenvolvida por pesquisadores do Centro de Pesquisa e Inovação Bayer em parceria com especialistas do Instituto de Fungicidas da empresa, em Monheim, na Alemanha, reconhecida e adotada pelo Frac Internacional (Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas) e também validada pela comunidade científica nacional e internacional.

Desde o início deste trabalho, os ensaios são conduzidos seguindo a mesma metodologia e os procedimentos. A proposta é estabelecer uma base de comparação entre os valores de EC 50 (concentração de produto necessária para controlar 50% dos indivíduos) de uma população de fungo que não sofreu pressão de seleção por fungicidas com os valores constatados nos estudos de monitoramento para cada ingrediente ativo em questão, relacionando-os com resultados dos mesmos produtos em campos de ensaios – conduzidos paralelamente. Os principais objetivos são: identificar com antecedência uma possível situação de resistência iminente (quando o mecanismo de resistência é quantitativo), verificar se as estratégias de manejo da resistência apresentam resultados positivos e, finalmente, verificar se a resistência é a real causa da ausência de controle da doença. Neste caso, é importante verificar a variação na sensibilidade do fungo P. pachyrhizi a fungicidas.

Os resultados obtidos auxiliam na tomada de decisões para o controle de determinados fungos fitopatogênicos em plantas cultivadas, tais como definição do intervalo de aplicação, doses, combinação e rotação entre diferentes produtos com modo e/ou sítio de ação diferenciado; bem como definir a demanda em buscar novas moléculas atuantes no controle deste fungo.

Observações a partir da safra 2007/2008 demonstraram que as amostras coletadas nas principais regiões produtoras de soja do Brasil – no mês de março – predominaram as populações menos sensíveis aos DMIs de primeira geração (triazóis como o ingrediente ativo tebuconazol), principalmente em alguns estados do Centro-Oeste.

Na safra 2008/2009, as amostras coletadas no mesmo mês e os locais da safra anterior mostraram que o predomínio de populações menos sensíveis aos DMIs de primeira geração estendeu-se para outras localidades do País, além de estados das regiões Centro-Oeste, Sudoeste (São Paulo e Minas Gerais) e Sul (Paraná e Rio Grande do Sul).

Entre as safras 2009/2010 e 2013/2014, observou-se que populações menos sensíveis aos DMIs de primeira geração foram detectadas em praticamente todos os estados brasileiros produtores de soja. A flutuação da sensibilidade do fungo aos fungicidas deste grupo químico ocorre, claramente, desde a safra 2007/2008 - período em que os triazóis deixaram, oficialmente, de ser recomendados para aplicações de forma isolada na cultura.

Para os fungicidas do grupo das estrobilurinas (QoIs) não foram observadas quaisquer mudanças de desempenho neste período, em nenhuma região, evidenciando que os ingredientes ativos pertencentes a este grupo químico continuam importantes e indispensáveis no controle da ferrugem-asiática da soja.

Inovação na defesa contra a resistência

Desde o início do monitoramento até o seu lançamento no mercado, o protioconazol tem apresentado os menores valores quando determinada a EC50 no programa de monitoramento da ferrugem. Este é o resultado de milhares de experimentos em áreas de demonstração de diferentes regiões produtoras de soja no Brasil, que receberam o tratamento trifloxistrobina + protioconazol nas primeiras aplicações. A comparação é feita com fungicidas recentemente lançados no mercado, como as combinações de estrobilurinas (QoI) e carboxamidas (SDHI).

Por se tratar de um fungicida composto por um inovador ingrediente ativo e ligação diferenciada no sítio de ação do fungo, o protioconazol é a nova geração no grupo químico dos DMIs, sendo quimicamente classificado como triazolintiona (Frac classification on mode of action 2014www.frac.info).

Neste sentido, é importante ressaltar que combinações de dois ou mais modos de ação para um fungicida devem ser realmente complementares, ou seja, atuando em sítios de ação completamente distintos da fase de desenvolvimento do fungo, como, por exemplo, inibindo a biossíntese do ergosterol – substância importante para manutenção da integridade da membrana celular dos fungos, em complemento com a inibição da respiração mitocondrial (complexo III), que bloqueia a transferência de elétrons entre o citocromo b e o citocromo c1, no sítio QoI, interferindo na produção de ATP.

A combinação trifloxistrobina + protioconazol age de duas maneiras: no controle da ferrugem asiática da soja e no complexo de doenças (tais quais mancha-alvo, oídio, mela, antracnose e doenças de final de ciclo). Por isso, é recomendado o uso, preventivamente, na primeira aplicação ou nas duas primeiras quando o plano de utilização de fungicidas foliares for de mais de duas aplicações. Desta forma, é possível explorar bem o espectro de ação oferecido, iniciar de forma robusta a prevenção e o controle da ferrugem da soja e, consequentemente, melhorar ainda mais o desempenho do fungicida subsequente.

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Rafael Pereira; Rodrigo Guerzoni; Cleonilda Santos

Bayer

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