Mosca branca e pulgão preto: uma ameaça aos cajueiros e coqueiros do sudeste da Bahia

MOSCA BRANCA
Ao longo da costa litorânea entre os municípios de Ilhéus e Canavieiras-BA é comum observar cajueiros (Anacardium occidentale L) fortemente atacados e/ou mortos em decorrência das injurias causada pela mosca branca (Figura 1). São chamadas assim, por terem asas que lembram uma pequena mosca (Figura 2). Na verdade, trata-se de insetos da ordem hemíptera pertencente à família Aleyrodidae. É possível que seja Aleurodicus cocois (Martin, 2008) a mesma espécie que ocorre sobre os cajueiros do estado do Ceara.

Além do depauperamento e subseqüente morte do cajueiro devido à sucção continua da seiva, esses insetos excretam açucares (também chamado de honeydew). A deposição de honeydew sobre a planta pode fornecer um substrato favorável para o desenvolvimento de fungos que recobrem a planta, formando a fumagina que afeta os processos de fotossíntese e de respiração foliar (Lazzari & Carvalho, 2009). A ocorrência de mosca branca nos cajueiros é mais frequente no verão ou em períodos de estiagem.

Embora a mosca branca ataque mais o cajueiro, no sul da Bahia ela ataca também o coqueiro, conforme observações realizadas em alguns municípios regionais, principalmente nos pés próximos de cajueiros que sofreram injúrias previamente. Coqueiros quando atacados pela mosca branca apresentam a coroa foliar cinza esbranquiçada (Figura 4) em consequência de uma camada branca cerosa e de inúmeros fios alongados e translúcidos e açucarados que se dissolvem ao serem tocados (Ferreira et al., 2011). Todo o ciclo de vida da mosca branca é
no coqueiro cuja postura, de maneira geral, ocorre no lado inferior dos folíolos da folha (figura 3). Algumas moscas brancas tem capacidade reprodutiva de 100 a 300 ovos /fêmea, e rapidez de multiplicação, chegando a produzir até 16 gerações por ano (Ferreira et al. 2011).

Segundo relato de proprietários de áreas residenciais na orla marítima regional, a produtividade dos coqueiros caiu significativamente após ataque das moscas. No Ceara, no município de Paracuru, o ataque da mosca branca reduziu em 35% a produtividade dos coqueirais.
A mosca branca é transmissora de varias doenças de origem virótica em outras culturas, todavia, até a presente data não ha registro no Brasil desta associação com o coqueiro.

PULGÃO PRETO DO COQUEIRO
O pulgão preto do coqueiro (Figura 5) Cerataphis lataniae Boisduval, 1867 (Hemiptera: Aphididae) é um afídeo preto, de forma circular e circundado por uma franja branca, com diâmetro variando entre 1,5 e 2,0 mm, de locomoção lenta, fixa-se em determinado ponto da planta para sugar a seiva. Em coqueiros safreiros, provoca abortamento de flores femininas, queda de frutos pequenos e frutos em desenvolvimento (Ferreira&Filho). De maneira geral localizam-se na parte inferior dos folíolos das folhas mais novas de coqueiros jovens e adultos.
Em plantios comerciais de coqueiro anão no município de Una, BA, tem-se observado que injurias causada por C. lataniae reduzem expressivamente a produtividade e deprecia o valor comercial dos frutos devido à deposição da fumagina sobre os mesmos. Estudos em campo revelaram que coqueiros fortemente atacados pelo pulgão preto, podem apresentar em uma única raques foliar 4.378 pulgões sobre os folíolos.

Considerando que as doenças foliares, queima ( Lasiodiplodia theobromae ; Botryosphaeria cocogena ) e lixa (Catacauma torrendiella ) estão presentes nos coqueirais no sul da Bahia, a ocorrência desse inseto potencializará os danos para a cultura, especialmente com relação à produtividade.

Ainda, esses insetos, a exemplo das moscas brancas, excretam honeydew que atraem e servem de alimento para diversas espécies de insetos, entre os quais, a formiga pixixica (Wasmannia auropunctata,Roger, 1863). O fluxo da pixixica ao longo do estipe do coqueiro causa lesões aos trabalhadores envolvidos na coleta dos frutos e, em razão disso, muitos operários se recusam a trabalhar em coqueirais onde há ocorrência dessa formiga.

MEDIDAS DE CONTROLE
Os pulgões são facilmente controlados quando os coqueiros encontram-se de porte baixo. Uma vez altos, o controle mostra-se ineficiente em virtude da barreira formada pelas folhas mais velhas que impedem a aderência dos pesticidas sobre as folhas centrais mais jovens, onde pulgões preferem colonizar. Tratando-se de coqueiros híbridos (anão X gigante) com mais de vinte metros de altura, torna-se praticamente impossível realizar pulverizações via atomizadores. Além do mais, a maioria dos coqueirais situados na orla marítima do estado da Bahia são formados por pequenos produtores que não fazem uso de adoções tecnológicas, em virtude de valores culturais e baixo poder aquisitivo.
Com relação às moscas brancas sobre coqueiros jovens (de baixo porte) podem ser controladas com a mistura de óleo de algodão bruto a 2% mais detergente a 1%. Contudo, essa mistura mostra-se ineficiente quando os coqueiros encontram-se altos. Ferreira et al., (2011) citam que mesmo inseticida sintético quando veiculados com equipamentos apropriados, precisam ser misturados a espalhantes adjuvantes siliconados para melhor absorção e penetração do produto, pois os fortes ventos fecham os folíolos no embalar das folhas dificultando a aderência da calda inseticida.

Dessa forma é praticamente impossível o controle do pulgão preto e moscas brancas através de pulverizações, quando se trata de plantios muito altos. Juntem-se a isso problemas de deriva em decorrência dos fortes ventos nordeste na estação do verão.

INJEÇÃO DE IMIDACLOPRIDE

O uso de injeção de imidaclopride já é uma pratica usual em alguns países. Na Austrália, injeção de imidaclorpide a 20% foi utilizada no combate ao percevejo Thaumastocoris peregrinus Carpinteiro & Dellapé 2006, sobre plantios de eucalipto em áreas urbanas (Noak, 2009). O pulgão Adelges tsugae Annand, uma severa praga do abeto (Tsuga spp) nos Estados Unidos, tem sido eficientemente controlado com injeção de imidaclopride a 5% (Doccola et al.; 2007).
Tratando-se de coqueiros altos estabelecidos em pequenas áreas, não existe tática mais eficiente e econômica do que injeção no estipe do coqueiro com imidaclopride. Para sua execução é feito um furo com auxilio de uma maquina de furar na base do estipe do coqueiro. Após, injeta-se a quantidade recomendada do inseticida e, em seguida, tampa-se o orifício com um tarugo ou massa de cal.
Imidaclopride pertence ao grupo dos neonicotínóiides, tem ação sistêmica, faixa azul e tem baixa toxidade para mamíferos. Pode ser aplicado via pulverização foliar, injeção no tronco ou pincelamento, injeção no solo e através de rega ou irrigação. Porém, há relatos na literatura citando o imidaclopride como extremamente tóxico para as abelhas quando aplicado via pulverização.
Injeção de imidaclopride a 25% foi eficiente no controle do pulgão preto sobre os coqueirais da Estação Experimental Lemos Maia (Esmai) pertencente à Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira (Ceplac). Em uma área onde todos os coqueiros apresentavam-se atacados pelo pulgão observou-se que o coqueiro que recebeu dose de 10 ml de imidaclopride a 25%, apresenta folíolos muito verdes (Figura 6 A), comparativamente aos do coqueiro ao lado (B) que não recebeu. No entanto, é preciso estudar dose/eficiência visando identificar uma quantidade mínima com máxima eficiência sobre o pulgão preto. Com um litro de imidaclopride a 25% é possível tratar 2,5 hectares de coqueiro.

Injeção de imidaclopride parece ser uma tática de baixo impacto ambiental, pois aparentemente não afeta os organismos sobre a folhagem e solo. Porém, é desconhecido o nível de contaminação desse inseticida sobre o pólen e néctar do coqueiro. Outro aspecto observado em relação ao imidaclopride é sua lenta ação no principio do tratamento. Convém salientar ainda, que o imidaclopride não teve ação sobre o acaro da necrose Aceria guerreronis. Relativo à fumagina, o fungo só se desprende dos folíolos após pesadas chuvas.

Imidaclopride não tem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para o controle do pulgão preto do coqueiro. Portanto, não pode ser usado e nem comercializado para esse fim. Assim, no estado da Bahia, seu uso sob quaisquer circunstancia está condicionado a uma consulta prévia a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB). É recomendável que níveis residuais desse inseticida na água do coco e copra sejam determinadas, pois uma vez conhecido, poder-se-á buscar mecanismos para seu registro junto ao MAPA. ver mais artigos

José Inácio Lacerda Moura

jinaciolacerda@yahoo.com.br

Engenheiro Florestal; Comissão Executiva

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