Na medida

Aração é todo conjunto de operações destinadas a mobilizar o solo com o objetivo de prepará-lo para receber órgãos reprodutivos e proporcionar um bom desenvolvimento das plantas cultivadas. O preparo periódico do solo, quando executado racionalmente, permite uma alta produtividade a um menor custo de produção, porém quando mal controlado contribui para uma maior degradação do solo, podendo destruir suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Neste sentido, devemos analisar o tratamento a dar ao solo para sua exploração agrícola, definindo a viabilidade econômica, técnica e conservacionista.

REGULAGENS TRATOR/ARADO

A regulagem do conjunto trator/arado é de fundamental importância na operação, pois influi diretamente na qualidade do serviço, no rendimento do conjunto, nos gastos de combustível, nos reparos etc. Para isto, algumas tarefas devem ser executadas.

O primeiro passo é o preparo do trator para a aração. Cada operação agrícola tem suas características próprias e a utilização do trator como fonte de potência deve ser tal, que permita sua adaptação a cada uma das condições operacionais. Para que o trator fique nas condições ideais de operação, deve executar as seguintes etapas para sua utilização como fonte de potência do arado.

Ajustar as bitolas - para dimensionar a distância ideal entre rodados podemos ter o manual do implemento em mãos ou, quando não dispor da tabela de conversão, calculá-las através da fórmula ao lado.

Engate do arado montado ao trator – observar se os pinos de engate do arado são de categoria equivalente ao diâmetro dos olhais, tendo a preocupação de adequar corretamente o terceiro ponto com o orifício correspondente no cavalete ou viga "C" do trator para que a sensibilidade do sistema hidráulico ajude na operação. No arado reversível os braços inferiores têm duas opções de acoplamento, devendo ser acoplados no furo superior quando a aração for ser realizada em solo duro e na inferior em solo macio pois permite que o arado tenha altura variável em relação ao sistema de engate.

Lastreamento do trator – deve-se ter o cuidado de determinar a necessidade, quantidade e distribuição de lastros nos eixos do trator.

Nivelamentos do conjunto trator/arado - tem a finalidade de fazer com que o conjunto se desloque em condições de realizar a aração com menor desgaste e esforço de tração do trator. Os nivelamentos do conjunto trator/arado reversível são realizados objetivando deixar o arado nivelado em relação ao trator, por isto, deverá ser realizado em local plano, enquanto que, para o conjunto trator/arado fixo o implemento trabalhará nivelado ao solo, sendo os nivelamentos conseguidos após realizar o primeiro sulco, pois na segunda passada o trator já opera com as rodas direitas dentro do sulco momento em que o conjunto deverá ser nivelado.

Nivelamento transversal – responsável pelo plano vertical, como o arado montado é fixo no trator, acompanha a inclinação deste quando uma das rodas traseiras entra no sulco. Por este motivo é necessário nivelar o arado transversalmente, ou seja, nivelar no sentido de sua largura, fazendo com que o arado fique na horizontal para que os discos cortem à mesma profundidade. Este nivelamento é realizado através da manivela niveladora existente no braço inferior direito do engate de três pontos. No conjunto trator/arado fixo este nivelamento faz com que o eixo transversal do arado fique paralelo ao solo, sendo realizado com o mesmo localizado em posição de trabalho, isto é, com a rodas do lado direito dentro do sulco previamente já construído, enquanto que, para o conjunto trator/arado reversível se nivela transversalmente em local plano fazendo com que os braços intermediários do sistema hidráulico apresentem o mesmo comprimento.

Nivelamento longitudinal – responsável pelo plano horizontal, é o nivelamento feito no sentido do comprimento do arado. Através deste nivelamento se consegue o trabalho dos discos a uma mesma profundidade, ou uma tolerância de atuação onde o primeiro disco aprofunde cinco cm a menos que o último. É realizado através do braço superior (terceiro ponto) do engate. À medida que se modifica o comprimento da luva telescópica do terceiro ponto implicará na variação da profundidade de trabalho do primeiro e do último disco.

Centralização do arado – com o arado acoplado procede-se o alinhamento de seu centro de resistência, que deverá coincidir com a linha de tração. A linha de tração passa pelo eixo de simetria do trator, no plano vertical. Essa regulagem é feita ajustando-se as correntes ou barras estabilizadoras existentes em ambos os braços inferiores de engate do sistema hidráulico. Deve-se ajustar o comprimento desses estabilizadores, de modo a obter a mesma distância entre os braços e o trator, nos dois lados, para pontos eqüidistantes. Tal ajuste impede que surjam forças laterais, as quais tenderão a desviar o trator da linha de aração.

(Veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

ÂNGULOS DE TRABALHO DOS DISCOS

Ângulo vertical ou de penetração - o ângulo formado entre a borda do disco e uma perpendicular imaginária, que passa no ponto em que este toca o solo, tem grande influência na profundidade de corte do conjunto de discos dos arados, através da modificação de sua inclinação no plano vertical, fazendo-os ficarem mais em pé ou mais deitados, implicando na penetração dos discos no solo. A regulagem vertical pode variar o ângulo de 15 a 25º. Como regra geral deveremos trabalhar com os discos mais inclinados (em pé) em situações em que o solo apresenta estrutura mais dura, implicando em uma menor largura de corte e, menos inclinados (mais deitados) em ocasiões da aração ser praticada em solos mais macios, o que acarreta uma maior largura de corte.

Nos arados de discos fixos montados, este ângulo pode ser modificado através da mudança de posições da cunha existente entre o disco e o pedestal, enquanto que nos arados de discos reversíveis montados se processa através da modificação do fuste e do capitel na coluna suporte de discos.

Ângulo horizontal ou de corte – é aquele formado pela borda do disco com a linha do deslocamento ou linha de tração. Está relacionado com a largura de corte do conjunto de discos do arado. Permite uma variação de 46 até 60º, também afetando a profundidade de aração.

A modificação da posição dos discos em relação à linha de tração é realizada, nos arados de discos fixos montados, através da rotação do eixo transversal localizado no lado direito do eixo transversal, enquanto que nos arados de discos reversíveis montados é realizado através do batente do apo, que são parafusos de comprimento ajustável, localizados no chassi, e permitem que o ângulo formado entre o corpo do apo e a linha de deslocamento seja aumentada ou diminuída, isto é, maior ou menor largura de corte respectivamente.

Regulagem da roda guia – para realizar esta regulagem devemos ter duas preocupações, o deslocamento da roda guia dentro do sulco aberto pelo último disco e a pressão da mola. Para arado de discos fixos a roda guia deverá trabalhar no fundo do sulco deixado pelo último disco, enquanto que nos arados de discos reversíveis, a mesma trabalhará no meio do fundo do sulco

OPERAÇÃO DE GRADAGEM

A gradagem é uma operação agrícola usada no preparo periódico do solo, que tem como principal função o destorroamento, nivelamento e eliminação de espaços vazios modificando assim a porosidade do solo arado para posterior instalação de partes vegetativas de plantas, isto é, realizar o plantio ou o semeio.

ÉPOCA PARA GRADAGEM

A época depende da situação em que a gradagem é utilizada. Ao utilizar a pré-aração com a finalidade de quebra da crosta superficial, não há necessidade de muita antecedência, mas ao utilizá-la para corte da vegetação de cobertura a antecedência deve ser tal que ao iniciar a aração o material de cobertura já tenha secado. Após a aração, a gradagem pode ser iniciada assim que o material de cobertura murchar ou quando o solo estiver fácil de desagregar os torrões. E, em situações diversas, a gradagem dependerá da situação em questão.

PROFUNDIDADE DA OPERAÇÃO

Dependerá de cada situação em que for empregada, antes da aração a grade só tem a função de corte da vegetação, vindo assim a não ter necessidade de aprofundar, enquanto que na quebra da crosta superficial do solo dependerá da profundidade em que se encontra a camada compactada, enquanto que após a aração a profundidade da gradagem está relacionada com a profundidade da aração, e, em situações diversas dependerá de cada caso em que for empregada. A gradagem pode ser superficial quando trabalha até 10 cm de profundidade enquanto que profunda trabalha de 20 a 30cm.

REGULAGEM EM TANDEM MONTADOS

A regulagem do conjunto trator/grade é de fundamental importância na operação, pois influi diretamente na qualidade do serviço, no rendimento do conjunto, nos gastos de combustível, nos reparos etc. Para isto, são necessárias que sejam executadas algumas tarefas.

Preparação do trator para gradagem - cada operação agrícola tem suas características próprias e a utilização do trator como fonte de potência deve ser tal que permita sua adaptação a cada uma das condições operacionais. Para que o trator fique nas condições ideais de operação, deve executar as seguintes etapas para sua utilização como fonte de potência da grade

Ajustar as bitolas - a bitola do trator ao operar com grade de discos em tandem montado tem de ser tal que a largura de corte do implemento seja maior que as bitolas do trator.

Engate da grade ao trator – observar se os pinos de engate da grade são de categoria equivalente ao diâmetro dos olhais. Verificar o modo de acoplamento do implemento e seus cuidados, tendo a preocupação de adequar corretamente o terceiro ponto com o orifício correspondente no cavalete ou viga "C" do trator para que a sensibilidade do sistema hidráulico ajude na operação. Em tratores que apresentam braços intermediários do hidráulico com furos oblongos, os braços inferiores trabalharam, ao operarem com grade, neste local para que o implemento tenha uma oscilação lateral livre em relação ao trator.

Como a aração e gradagem são operações que mexem com a estrutura do solo, a regulagem certa é fundamental para que a operação seja eficiente, sem comprometer o solo.

(Veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

QUANDO É NECESSÁRIO ARAR

A opção pela utilização do preparo convencional ou sistema de plantio direto não segue regras pré-estabelecidas. A opção do agricultor deve ser feita em função de vários aspectos presentes em sua propriedade, tais como; tipo de solo, declividade do terreno, incidência de chuvas na época de implantação da cultura, maquinário disponível, disponibilidade de recursos, etc. Alguns são decisivos à tomada de decisão e opção por um ou outro sistema. Regiões de solos declivosos, com facilidade de adensamento, elevada incidência de chuvas no período de preparo, bem como a possibilidade de economia de combustível são bons indicativos a opção pelo sistema de plantio direto.

José Henrique dos Santos e Nilo Coutinho Magalhães,
Engenheiros Agrônomos

* Este artigo foi publicado na edição número 27 da revista Cultivar Máquinas, de fevereiro de 2004.

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