​Nova ferramenta mostra resultados no controle de diferentes nematoides na soja

Nematicida Fluopiram mostra resultados sólidos no controle de diferentes espécies de nematoides-chave na cultura da soja. Produto se destaca também por demandar baixa dosagem e possuir perfil toxicológico favorável ao ambiente.

O manejo de nematoides em culturas de grande extensão no Brasil é um desafio que ganha mais importância a cada ano, devido ao aumento dos problemas causados por tais patógenos. Segundo informações da Sociedade Brasileira de Nematologia, os danos provocados por nematoides podem chegar a alarmantes R$ 35 bilhões por ano e, somente na cultura da soja, o prejuízo pode alcançar R$ 16 milhões. Atualmente, as principais espécies que ocorrem no País, causando expressivas perdas econômicas na cultura da soja, são os nematoides das galhas, Meloidogyne javanica e M. incognita, o nematoide das lesões, Pratylenchus brachyurus, o nematoide de cisto da soja, Heterodera glycines, e o nematoide reniforme, Rotylenchulus reniformis, causando expressiva queda de produção nos locais onde ocorrem. Como principais opções para o manejo de nematoides na soja têm-se o uso de cultivares resistentes, a rotação de culturas com plantas não hospedeiras, além da utilização de produtos químicos e biológicos.

O desenvolvimento de novos defensivos agrícolas como nematicidas passa por uma série de desafios, pois além de apresentar bons níveis de controle para o organismo-alvo, é importante que seja seletivo a organismos benéficos presentes no solo, atendendo às exigências governamentais e da sociedade, que demandam produtos ambientalmente mais seguros, com menor persistência e que não deixem resíduos nas culturas em que são aplicados. Nesse contexto, moléculas inovadoras como o Fluopiram (Verango Prime) surgem como excelente alternativa no manejo de nematoides, levando aos agricultores uma opção de controle químico de nematoides altamente eficiente, de amplo espectro, com uso em baixa dosagem e com perfil toxicológico muito favorável ao meio ambiente e operadores, contribuindo para maior produtividade e rentabilidade da lavoura.

O nematicida Fluopiram é uma molécula inédita no Brasil, pertencente ao grupo químico das benzamidas piramidas, que age como inibidor da respiração mitocondrial em nematoides, levando a uma rápida e severa queda da energia celular do nematoide. Os primeiros sintomas já podem ser visualizados após 30 minutos de contato e a paralisação completa ocorre de uma hora a duas horas após o nematoide entrar em contato com o produto. No Brasil, o Fluopiram será comercializado com o nome comercial de Verango Prime 500 SC e, até o momento, está registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para controle de nematoides das galhas e nematoides das lesões nas culturas de batata, café, cana-de-açúcar e soja.

O produto age por ingestão e contato e atua principalmente nas fases juvenis de segundo estádio por contato direto. Além disso, oferece controle para uma diversa gama de espécies de nematoides, como observado em ensaios de campo e em testes realizados em condições laboratoriais. O seu comportamento sistêmico permite aplicação no sulco de plantio, prática que vem crescendo nos últimos anos com objetivo de um melhor controle de nematoides devido à maior eficiência de controle e proteção de raízes. Ao longo dos últimos anos, diversos estudos foram realizados em condições de laboratório, casa de vegetação e campo para avaliar a eficácia e a segurança de Verango Prime no Brasil. 

Avaliações em casa de vegetação

Desde 2013, ensaios vêm sendo conduzidos no Brasil em condições de casa de vegetação e campo para verificar a eficácia de Verango Prime no controle de nematoides em soja e outras culturas. Desde então, Verango Prime tem se mostrado como um produto altamente eficiente para redução populacional dos nematoides em soja, com performance muito superior aos produtos padrões de mercado utilizados.

Os resultados no controle dos nematoides de galhas, M. incognita e M. javanica, espécies importantes para a soja no Brasil e sabidamente de difícil controle, devido ao grande número de ovos gerados a cada geração dos nematoides, são surpreendentes. Plantas de soja inoculadas com essas espécies de nematoides e tratadas com Verango Prime apresentaram população dos nematoides extremamente baixas, muito próximas de zero, em avaliações realizadas após 40 dias e 75 dias da inoculação dos nematoides (Tabela 1). Esse efeito prolongado é essencial para o estabelecimento e desenvolvimento das plantas no campo, protegendo o potencial produtivo.

Além dos nematoides de galhas, Verango Prime se mostrou muito eficiente em condições de casa de vegetação para controle de Pratylenchus brachyurus, outra espécie de difícil controle nas condições do Cerrado brasileiro. Na Tabela 1, observa-se a elevada eficiência de Verango Prime na redução do fator de reprodução do nematoide das lesões aos 40 dias e 75 dias após a inoculação do nematoide, chegando a quase 100% em ambas as datas. Até mesmo para Heterodera glycines, nematoide pouco afetado pela aplicação de nematicidas, em função da presença dos cistos, estruturas de resistência do nematoide que permanecem viáveis por até oito anos no solo, a redução populacional proporcionada por Verango Prime é notável em casa de vegetação. 

Além da redução populacional dos nematoides em soja, Verango Prime proporciona melhor desenvolvimento do sistema radicular quando comparado à testemunha (Figura 1 A, B) e melhor vigor vegetativo, maior sanidade e ausência de fitotoxicidade nas plantas tratadas (Figura 1 C, D), mesmo em condições de casa de vegetação e na presença de nematoides.

Figura 1 - Resultados de Verango Prime no desenvolvimento radicular e da parte aérea de plantas de soja inoculadas com 1.000 ovos de Pratylenchus brachyurus. A = testemunha; B, C e D = Verango Prime
Figura 1 - Resultados de Verango Prime no desenvolvimento radicular e da parte aérea de plantas de soja inoculadas com 1.000 ovos de Pratylenchus brachyurus. A = testemunha; B, C e D = Verango Prime

Avaliações em campo

Na safra 2019/20, após a aprovação do produto pelos órgãos governamentais, alguns ensaios foram conduzidos em áreas comerciais de soja, seguindo um protocolo rigoroso de avaliação. Para elucidar os principais achados, vamos focar em uma dessas áreas comerciais, detalhando a metodologia e os resultados encontrados.

Com o objetivo de avaliar a eficácia e a aplicabilidade agronômica da aplicação de Verango Prime no sulco de plantio no campo foi realizado um experimento na região de São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul, comparando sua performance com o manejo do produtor. O experimento foi instalado em uma área de 130 hectares com a variedade de soja M6410IPRO, sob alta infestação de nematoides, no período de 8 a 10 de novembro de 2019. Os tratamentos utilizados foram o padrão da fazenda (Trichoderma harzianum 20g/ha e Paecilomyces lilacinus 50g/ha) e Verango Prime na dose de 0,3L/ha, com três repetições cada, comparados a uma faixa testemunha sem aplicação de nematicida.

Foram realizadas avaliações de fitotoxicidade aos sete dias após emergência (DAE), estande e altura de plantas aos 60 DAE e produtividade. Todas essas avaliações, assim como as análises da população de nematoides em solo e raiz, foram realizadas em 31 pontos (parcelas) no total, sendo que, para análise de solo, cada ponto foi representado por nove subamostras, antes da instalação do experimento e aos 60 DAE. Ao final do experimento, foi realizada a análise de produtividade por meio da colheita de 3m2 de cada parcela (ponto).

Imagens de satélite da área foram analisadas previamente com um algoritmo dedicado a encontrar áreas de soja com possíveis incidências de nematoides (Drop Agricultura). Ao utilizar imagens das safras anteriores de soja, o algoritmo indica áreas de maior e menor risco de nematoides (Figura 2). Análises de solo confirmaram a presença de espécies dos gêneros Pratylenchus spp., Meloidogyne spp., Heterodera spp. e Helicotylenchus spp.

Figura 2 - Mapeamento de zonas de risco de nematoides baseado nas imagens de satélite (Drop Agricultura), demarcação das faixas com os tratamentos e os pontos em amarelo demarcando os locais onde foram realizadas as avaliações
Figura 2 - Mapeamento de zonas de risco de nematoides baseado nas imagens de satélite (Drop Agricultura), demarcação das faixas com os tratamentos e os pontos em amarelo demarcando os locais onde foram realizadas as avaliações

Não foi observado nenhum sintoma de fitotoxicidade aos 7 DAE para nenhum dos tratamentos. Foi possível observar um sistema radicular mais volumoso e, consequentemente, plântulas maiores e mais vigorosas no tratamento com Verango Prime. Aos 60 DAE, foi possível observar que o número médio de plantas por hectare foi superior para ambos os tratamentos em relação à testemunha. Em relação à altura de plantas, foi observada altura média de 0,54m para as plantas da testemunha, 0,58m para o tratamento padrão fazenda e 0,62m para o tratamento com Verango Prime (Tabela 2). Na Figura 3, é possível visualizar o maior enraizamento e desenvolvimento das plantas tratadas com Verango Prime comparadas com o padrão fazenda aos 60 DAE. Na avaliação de produtividade ficou nítida a superioridade de ambos os tratamentos em relação à testemunha, com destaque para Verango Prime, cuja produtividade média (83,23 sacas/ha) foi de mais de dez sacas em relação ao padrão fazenda.

Figura 3 - Plantas de soja 60 dias após emergência (60 DAE) coletadas na parcela do tratamento padrão (Trichoderma harzianum 20g/ha e Paecilomyces lilacinus 50g/ha) e na parcela tratada com Verango Prime 0,3L/ha
Figura 3 - Plantas de soja 60 dias após emergência (60 DAE) coletadas na parcela do tratamento padrão (Trichoderma harzianum 20g/ha e Paecilomyces lilacinus 50g/ha) e na parcela tratada com Verango Prime 0,3L/ha

De maneira geral, Verango Prime se mostrou uma ferramenta muito eficiente no controle de diferentes espécies de nematoides-chave na cultura da soja, oferecendo um controle efetivo em baixa dose por hectare, além de possuir um perfil toxicológico favorável para operadores e meio ambiente. Com isso, o produto não apenas protege o potencial produtivo das variedades de soja, mas também contribui para uma gestão agrícola mais sustentável e rentável para o produtor e para a sociedade.

Andressa Machado, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná; Daniela Okuma, Felipe Sulzbach, Renato Carvalho, Bayer Crop Science

ver mais artigos
CADASTRO DE NEWS
  • Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura