Novas tecnologias aplicadas ao agronegócio

As chamadas "agritechs", startups de tecnologia voltadas para o agronegócio, são responsáveis por uma parte relevante das conquistas da produção agrícola brasileira nos últimos anos.

Com o crescimento populacional do mundo, a demanda da produção agrícola aumentou, incentivando a busca por novas tecnologias e maneiras de alcançar resultados mais assertivos e sustentáveis. Hoje, a preocupação das pessoas sobre o que se ingere é cada vez maior, e comprova a necessidade de dar mais importância para a qualidade da agricultura e dos produtos produzidos.

De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a produção agrícola mundial deve crescer 20% em dez anos. O Brasil, atualmente como terceiro maior exportador, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia, possui um papel importante no atendimento dessa demanda.

Uma das formas de se otimizar a produção agrícola é por meio da utilização da tecnologia, seja com a melhoria de soluções agroquímicas e biológicas, como melhores produtos fitossanitários e aperfeiçoamento da genética de sementes e de animais de corte, seja com o aperfeiçoamento de processos de criação, produção e gestão. Em todas as frentes, a tecnologia tem um papel fundamental nessa revolução.

Contribuição de startups brasileiras para o agronegócio nacional

As chamadas "agritechs", startups de tecnologia voltadas para o agronegócio, são responsáveis por uma parte relevante das conquistas da produção agrícola brasileira nos últimos anos. Elas promoveram uma revolução no campo, com ganhos de produtividade, qualidade e renda aos produtores.

Em um mapeamento realizado pela consultoria KPMG, em parceria com a Distrito, verificou-se que já existem pelo menos 135 empresas de tecnologia voltadas exclusivamente para o agronegócio, de um total de cerca de 7 mil startups em todo o Brasil, o que comprova que a busca por inovação é uma tendência e, também, uma necessidade.

Até poucos anos atrás, pequenos produtores ou produtores familiares tinham resistência ao uso de tecnologias. Felizmente, esse cenário vem mudando drasticamente. Se antes o produtor confiava em sua intuição na hora de plantar, colher ou irrigar, agora ele conta com informações precisas colhidas no campo e cruzadas com diversas outras fontes, como previsões climáticas e imagens atualizadas de satélite ou drones.

Auxílio tecnológico na gestão da aplicação aérea de defensivos

O uso de defensivos é uma atividade primordial na produção agrícola. Sem essa prática, as culturas ficariam reféns da sorte contra o ataque de larvas, fungos ou quaisquer outros elementos que podem atrapalhar a produção. Além disso, a aplicação aérea é uma atividade cara e que, se não for realizada corretamente, pode trazer prejuízos ao produtor e às regiões vizinhas, caso o produto seja aplicado em áreas de proteção ambiental, como mananciais ou áreas habitadas.

Para grandes produtores, com extensas áreas plantadas, a aplicação aérea é a opçãoideal, pois a aeronave oferece maior rendimento e rapidez. Pensando nisso, a startup paulista Perfect Flight criou um sistema que permite visualizar com precisão, por meio de mapas, qual foi a qualidade e o rendimento da aplicação de defensivos realizada. Pioneira nesse setor, a startup nasceu pela necessidade de dois de seus sócios, os primos Josué e Kriss Corso, que, como produtores de algodão e utilizadores massivos da pulverização aérea, não possuiam dados que permitissem analisar a qualidade das aplicações realizadas. Por isso, muitos problemas decorrentes da má aplicaçãonão eram possíveis de serem detectados e corrigidos, até que um sinal negativo surgisse na lavoura.

Diante dessa necessidade, foi desenvolvido um sistema computacional em nuvem, capaz de ler os dados gravados nos arquivos de LOG (uma espécie de arquivo de voo, que contém dados aéreos e da aplicação) das aeronaves e criar um relatório com um mapa visual da aplicação e dados que permitem analisar a qualidade da ação, no final de 2015. Atualmente, o sistema também oferece um relatório ambiental, que mostra os parâmetros de segurança de áreas restritas.

O uso contínuo das funcionalidades do sistema e o acompanhamento regular da qualidade da aplicação aérea garantem expressivos resultados no aumento da produção e na qualidade das safras. Um dos casos de sucesso da Perfect Flight é uma usina de cana-de-açúcar do estado de São Paulo que adotou a utilização do sistema na safra 2016/2017 e 2017/2018. No período, 78.523 hectares plantados receberam 369 aplicações via pulverização aérea. A ferramenta permitiu uma melhora de 13.46% no Índice de acerto das aplicações, 6.99% no Índice de Perdas, 8.26% no Índice de Falhas e 8.46% no Índice de Uniformidade das aplicações.

Os números demonstram o impacto da tecnologia tanto na economia de produtos químicos, que deixaram de ser desperdiçados com perdas e falhas, quanto no aumento da produtividade e, consequentemente, rentabilidade da empresa.


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Por Rodrigo Santa Maria, Product Development Manager da Perfect Flight. Foi responsável pelo desenvolvimento inicial do sistema e atua na empresa desde a sua fundação