O perigo da mancha angular

Os sintomas desta doença surgem nas folhas, sob a forma de pequenas manchas poligonais, inicialmente úmidas e posteriormente de coloração pardo-escura, delimitadas pelas nervuras. Nas folhas mais novas as lesões podem localizar-se ao longo das nervuras, produzindo o encrespamento do limbo.

Esta doença pode afetar a planta no momento da germinação, manifestando-se nas folhas cotiledonares sob a forma de manchas arrendondadas, inicialmente úmidas e depois de coloração marrom.

No caule e nos ramos as lesões são deprimidas, de coloração pardo-escuro, estendendo-se longitudinal e transversalmente, contornando todo o órgão e causando a sua morte.

Nas maçãs, a moléstia ocorre em qualquer estádio do desenvolvimento; se jovens, as maçãs afetadas podem morrer e cair; tratando-se de maçãs mais desenvolvidas, há a formação de lesões úmidas e arredondadas que, posteriormente, se tornam deprimidas e de coloração escura. Estas lesões podem atingir a fibra, e, chegando a ela, o patógeno pode atingir as sementes e aí sobreviver.

Etiologia da doença

O agente etiológico da mancha angular do algodoeiro é a bactéria Xanthomonas campestris pv. malvacearum (Smith) Dye. Sua especificidade é desenvolvida a nível de raças, as quais são diferenciadas através de hospedeiros diferenciais ou cultivares portadoras de genes de resistência vertical conhecidos.

Em todo o mundo já foram identificadas 19 raças fisiológicas, das quais pelo menos 5 (raças 3, 8, 10, 18 e 19) ocorrem no Brasil. As raças 18 e 19 foram, recentemente, identificadas no Brasil.

Disseminação do patógeno

A disseminação desta bactéria, de uma região para outra, ocorre principalmente através da semente. Este patógeno pode ser transportado interna e externamente, através da semente. Constatou-se que, em casos nos quais a fibra foi por demais afetada, a quantidade de sementes infectadas pelo patógeno chegou a atingir 62%. Verificou-se, ainda, que esta bactéria pode penetrar pelo sistema vascular e atingir a semente em formação localizando-se, depois, no embrião.

Dentro de uma mesma área a disseminação deste patógeno ocorre através do vento, da água de chuva e de irrigação, de implementos agrícolas e insetos.

Esta bactéria é muito resistente à dessecação e radiação solar, podendo sobreviver por vários anos dentro ou sobre a semente, ou em folhas, caules e maçãs infectadas.

De uma região para outra a propagação da doença ocorre através da semente.

A penetração desta bactéria através dos tecidos se dá pelos estômatos da planta; portanto, para ocorrer lesões na planta é necessário que os estômatos estejam abertos e os tecidos encharcados de água. A presença d´água é um fator importante para a difusão da bactéria e, conseqüentemente, para o desenvolvimento da doença. Outras condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento desta doença são a umidade relativa acima de 85% e a temperatura entre 30-36ºC.

Cultivares resistentes

Os genes de resistência a esta doença foram descobertos em Gossypium hirsutum, G. barbadense, G. arboreum, G. herbaceum e G. anomalum; contudo, a maioria desses genes tem sido encontrada em G. hirsutum.

Foram obtidas várias linhagens de algodoeiro resistentes às raças 3, 8 e 10 do patógeno destacando-se, entre estas, as linhagens RM2 x Nu 16 x RM2 - 71/196, IAC 12-2 RB - 70/25 e Acala x Nu 16-71/227.

Pesquisa mais recente tem evidenciado que os genótipos Reba BTK 12, Koelpath, 95-96A BU61, Acala Schafter, Big Mx, IAC 75/264. Reba P279, 101-102B, Tailândia, 80/ppH 20, Tamcot SP 37 e SP 347 apresentam resistência à raça 18 deste patógeno.

Em áreas onde a moléstia ocorre com grande intensidade, recomenda-se a substituição dos genótipos suscetíveis pelas cultivares Antares e DeltaOpal, mais resistentes à doença.

Práticas culturais

• Arrancamento e queima dos restos de cultura.
• Utilização de sementes sadias, isentas do patógeno.
• Deslintamento das sementes com ácido sulfúrico.
• Rotação de cultura.

Controle químico

Na literatura, alguns especialistas recomendam pulverizações preventivas com fungicidas cúpricos, como hidróxido de cobre na dose de 1520-2280 g/ha, oxicloreto de cobre na dose de 3000 g/ha e óxido cuproso, na dose de 560-1680 g/ha. Recomenda-se, também, o uso de antibióticos à base de sulfato de estreptomicina, contudo, este método de controle é antieconômico.

Emídio Ferreira Lima e Alderi Emídio de Araujo
Embrapa Algodão

* Este artigo foi publicado na edição número 18 da revista Cultivar Grandes Culturas, de julho de 2000. ver mais artigos
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