Ocorrência de Aleurothrixus aepim em Cruz das Almas/BA

As moscas-brancas são pragas tanto de plantas ornamentais como de cultivos, sendo encontradas em quase todas as regiões onde se cultiva a mandioca. Nessa cultura, já foram identificadas as espécies Aleurotrachelus socialis, Aleurodicus dispersus, Aleurothrixus aepim, Aleuronudus sp., Bemisia tabaci, B. tuberculata, B. afer, Paraleyrodes sp., Trialeurodes abutilonea, T. variabilis e Tetraleurodes sp.

Esses pequenos insetos são facilmente reconhecíveis, visto que em geral as populações dos adultos podem ser detectadas sacudindo os brotos das plantas para fazê-los voar, enquanto a fase jovem pode ser encontrada na face inferior das folhas basais e medianas.

O ovo é piriforme (formato de pêra), sendo branco amarelado logo após a oviposição, passando a marrom escuro no final do período de incubação. As ninfas possuem o corpo recoberto por filamentos cerosos de coloração branca, enquanto os adultos apresentam dois pares de asas membranosas, recobertas por uma substância esbranquiçada. A fêmea adulta mede cerca de 1 mm de comprimento e a coloração geral é clara, amarelada a parda, com asas semi-transparentes. O macho é semelhante à fêmea, mas mede apenas cerca de 0,75 mm de comprimento.

As moscas-brancas são potencialmente importantes como transmissoras de doenças de plantas. Na África e Ásia, B. tabaci é um importante vetor do vírus do mosaico africano (ACMD), doença da mandioca ainda não constatada no Brasil e que causa severos danos às plantações.

Tanto as ninfas como os adultos sugam a seiva das folhas. O inseto excreta uma substância açucarada, comumente chamada de “mel” ou “mela” pelo agricultor, especialmente no Estado da Bahia, que provoca o aparecimento de “fumagina”, reduzindo a capacidade fotossintética da planta.

Em Cruz das Almas, BA, na área da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em plantas de mandioca cultivadas em telado, foi constatada em 2006 a ocorrência da mosca-branca A. aepim, quando até então tinha sido registrada apenas a incidência de B. tuberculata em plantas de Manihot esculenta.

Quando em níveis populacionais elevados, o ataque de A. aepim causa os seguintes sintomas nas plantas de mandioca: encarquilhamento, seca e queda das folhas, enquanto as hastes começam a secar do ápice para a base, podendo provocar também a podridão de raízes. O ataque afeta o rendimento das raízes e a qualidade da farinha, uma vez que o produto obtido das raízes de plantas atacadas por essa praga apresenta um sabor amargo.

Alba Rejane Nunes Farias e Alfredo Augusto Cunha Alves
Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Anthony Charles Bellotti
Entomólogo, Consultor do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), Apartado Aereo 6713, Cali, Colombia.

* Trabalho apoiado pelo Generation Challenge Program.

Agradecimentos

À Maria del Pilar Hernandez, do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), Cali, Colômbia, pela identificação do inseto. ver mais artigos
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