Pequenos só no tamanho

Diversas espécies de ácaros fitófagos causam severos danos à cultura de algodão, onde suas populações podem evoluir rapidamente, em função de desequilíbrio biológico, como a eliminação dos inimigos naturais, isto devido ao emprego excessivo e geralmente de forma inadequada de agrotóxicos de amplo espectro visando o controle de outras pragas existentes na cultura. É importante que o cotonicultor adote o Manejo Integrado de Pragas (MIP), pois é uma tecnologia de controle baseados em requisitos ecológicos, toxicológicos e econômicos, que possibilitará uma redução significativa do uso de agrotóxicos, elevando a receita da cultura e diminuindo o impacto ao meio ambiente sem comprometer a qualidade do produto.

As espécies de ácaros que ocorrem com frequência no algodoeiro são:

Ácaro rajado

Os ácaros rajados (Tetranychus urticae Koch,1836) Acarina, Tetranychidae) são minúsculos artrópodos, de cor esverdeada com manchas dorsais escuras, medem pouco menos que 1mm de comprimento. Formam compactas colônias na face inferior das folhas, que recobrem com teias. Os ovos são esféricos e amarelados, com frequência são postos por entre os fios de teia.

O ácaro rajado é favorecido por altas temperaturas, baixas precipitações pluviométricas, baixa umidade relativa e adubações nitrogenadas. Tem preferência acentuada pela região mediana da planta. Pode atingir altos níveis populacionais, a partir da fase intermediária de desenvolvimento da planta. Tanto as ninfas como adultos escarificam o tecido vegetal, alimentando-se da seiva, os principais sintomas são manchas cloróticas nas folhas, que logo escurecem e secam, podendo tomar toda folha, onde cai prematuramente . Ocorrem, também o aparecimento de manchas avermelhadas no limbo das folhas; as manchas vão crescendo e cobrem toda superfície da folha, provocando a queda das mesmas. O período crítico vai do surgimento dos primeiros botões florais até o aparecimento do primeiro capulho.

Essa praga pode ocorrer em reboleiras, as quais devem ser controladas de imediato, a fim de evitar que ocorra dispersão do ácaro por toda a área cultivada de algodão. A amostragem deve ser feita, com intervalos de 5-7 dias, para determinação do nível de controle; verificando-se os sintomas de ataque nas folhas do terço médio da planta. O nível de controle que se sugere para esta espécie é 40% de plantas infestadas. No seu controle, são indicados produtos sistêmicos e acaricidas específicos que agem por contato. Já se tem registro dessa espécie desenvolver resistência a inseticidas fosforados. Entre os acaricidas o Abamectin apresenta melhor eficiência no controle do ácaro rajado.

Para limitar as populações iniciais de ácaros, recomenda-se a eliminação das plantas hospedeiras ao redor da lavoura e controle de plantas daninhas.

Ácaro vermelho

As fêmeas do ácaro vermelho (Tetranychus ludeni Zacher,1913) (Acarina, Tetranychidae) são de cor vermelha intensa, medindo cerca de 0,5mm de comprimento e são visíveis a olho nú; os machos são menores, em média com 0,26mm de comprimento. As formas jovens apresentam-se de cor amarelo-esverdeada. Este ácaro vive na face inferior das folhas do algodoeiro, provocando sintomas semelhantes ao ácaro rajado, ou seja, avermelhamento da sua face superior, no local oposto ao desenvolvimento da colônia, que no final atingem toda folha, que posteriormente ocorre um desfolhamento total de plantas.

No algodoeiro, os ácaros vermelhos tecem grande quantidade de teia nos locais onde depositam os ovos, que de início são amarelados e translúcidos, e depois avermelhados e opacos.

Em condições de seca e calor a espécie pode dar até 17 gerações em cada 8 meses. O ataque tem início geralmente nas folhas mais velhas (baixeiro) para depois generalizar-se por toda planta, inclusive as folhas do ponteiro. Período crítico vai do aparecimento dos primeiros botões florais até o aparecimento do primeiro capulho. Essa praga pode ocorrer em reboleiras, então verifica-se os sintomas de ataque nas folhas abertas do ponteiro. A amostragem deve ser feita com intervalos de 5-7 dias. O nível de controle que se sugere para esta espécie é 40% de plantas infestadas. No seu controle, são indicados produtos sistêmicos e acaricidas específicos que agem por contato. Pode-se utilizar os inseticidas-acaricidas Abamectin, Propargite e Triazophos.

Ácaro branco

Os ácaros brancos (Poyphagotarsonemus latus) (Banks,1904) (Acarina, Tarsonemidae) são artrópodos pequenos e ativos, praticamente invisível a olho nú, conhecidos como “ácaro tropical” ou “ácaro da rasgadura”.

O adulto tem coloração branco-brilhante. Os ovos desse ácaro, muito característicos, são colocados isoladamente na face inferior das folhas novas; são achatados, com imensas saliências superficiais de cor branca. Esta espécie de ácaro não tece teia.

O início de ataque é em reboleira e os danos ocorrem nas folhas novas do ponteiro. À medida que a infestação aumenta a face ventral da folha torna-se com aspecto brilhante, há encarquilhamento, com bordos voltados para baixo. No estágio mais avançado as folhas partem-se nas áreas situadas entre as nervuras e ocorrem rasgaduras; quando este sintoma é manifestado, já não existe mais ácaro nas folhas. O ataque nos ponteiros pode resultar em perdas significativas, principalmente devido à redução no número de maçãs desta parte da planta. O caule também pode ser infestado, ocorrendo manchas irregulares com coloração parda sobre a casca, onde foi rompida a epiderme, sendo notado um aspecto rugoso, ficam deformados, em forma de “S”, devido ao atraso do desenvolvimento normal da planta.

O período crítico vai da formação das maçãs ao aparecimento dos capulhos. Como essa praga ocorre em reboleiras, então verificam-se os sintomas de ataque ao constatar as folhas com bordos voltados para baixo, antes do início da rasgadura. A amostragem deve ser feita com intervalos de 5-7 dias. O nível de controle que se sugere para esta espécie é 40% de plantas infestadas. No seu controle são indicados produtos sistêmicos e acaricidas específicos que agem por contato. Pode-se utilizar os inseticidas-acaricidas Abamectin, Propargite, Triazophos e Diafentiuron.

Inimigos naturais

Os ácaros têm seus inimigos naturais que se constituem em agentes importantes na sua redução. Existem os predadores (aranhas, joaninhas, bicho-lixeiro, etc), os ácaros predadores que são, em geral, os mais eficientes inimigos de ácaros fitófagos, principalmente os “fitoseídeos” que têm sido utilizados em vários países e com resultados bastante satisfatórios. Quanto aos patógenos mais conhecidos, os vírus Panonychus citri (McGregor) e Panonychus ulmi (Koch). Diversas espécies de fungos têm sido reportadas infectando ácaros fitófagos, principalmente Neozygites spp., sobre tetraniquídeos. Não se conhecem parasitóides de ácaros fitófagos. No entanto, o uso de inseticidas e fungicidas não seletivos pode comprometer atuação destes inimigos naturais.

É importante que aumente o interesse no estudo dos inimigos naturais dos ácaros e que técnicas de criação massal, principalmente desses ácaros predadores sejam viabilizadas.

Lúcia Helena A. Araújo e José Janduí Soares
Embrapa Algodão

* Este artigo foi publicado na edição número 12 da revista Cultivar Grandes Culturas, de janeiro de 2000. ver mais artigos
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