Percepções atuais do comércio da carne bovina

O pecuarista brasileiro não pode perder de vista o conceito de qualidade. E, esse conceito é variável de acordo com as preferências dos consumidores de cada país.
Existem nichos de mercado para carne magra, produzida exclusivamente a pasto em que o Brasil tem todas as condições de ser o líder, sendo possível agregar valor a esta carne para mercados que discordam do sistema de produção confinado. Países da União Européia, da Asia e Oriente Médio, buscam um produto tipo “lean”.
Entretanto, existem inúmeros mercados para carne de alto valor agregado para os quais precisaremos produzir carne com mais acabamento. Pois, muitos consumidores evoluíram da tradicional compra do gancho de açougues para as gôndolas dos hipermercados, boutiques de carne e lojas de conveniências em busca de cortes com atributos de maciez, sabor, marmoreio do que especificamente pelo preço. Especialmente, tal nicho se deve ao atendimento de churrascarias e restaurantes especializados no preparo de peças bovinas de alta qualidade. Nas grandes cidades brasileiras, esse nicho de mercado tem sido abastecido por carnes oriundas da Argentina e Uruguai. Pois, no Brasil os cortes que se apresentam aptos ao mercado externo geralmente são exportados.
Há ainda, o nicho formado por consumidores nem tão de elevada renda, no entanto exigentes quanto à qualidade da carne bovina no que diz respeito à sanidade dos animais, especialmente, optando por carnes isenta de produtos impróprios como os hormônios, sem estresse e que atenda requisitos da produção orgânica.
Em todo caso, deve ser considerada com maior atenção a opinião e a figura do consumidor, levando-se em conta que é ele quem passa a sinalizar os atributos de qualidade para a carne que ele e sua família querem consumir.
Abicht (2009) em seu estudo entrevistou 417 consumidores da cidade de Porto Alegre. O autor relatou que 82% dos consumidores entrevistados têm a carne bovina como preferida ao consumo. Quanto à frequência, 45% dos respondentes consomem diariamente carne bovina. Com relação às características intrínsecas, predominam os aspectos de maciez, cor e a quantidade de gordura. Sendo que o preço surge como quarto fator de escolha.
Malheiros et al. (2009) reportaram que 73% dos consumidores entrevistados na cidade de Botucatu/SP visam primeiramente aspectos relacionados à qualidade do que ao preço (23%). Ainda, no estudo de Abicht (2009) 87,5% dos consumidores questionados consideraram importante a certificação da carne bovina. Porém, 75% dos entrevistados não exigem tal certificação.
A possibilidade de atingir novos e promissores mercados consumidores tornar-se-á viável tendo base à modernização dos sistemas de produção e certificação dos mesmos (FELÍCIO, 2001). Logo, especificação através de certificações de qualidade que garantam a credibilidade dos produtos se faz necessário.
Rastreabilidade pode ser designada como a habilidade de descrever a história, aplicação, processos ou eventos e localização de um produto, a uma determinada organização, por meios de registros e identificação. Logo, trata-se de ferramenta chave, no processo de certificação de produtos de origem animal (ABNT, 1994). Ainda a rastreabilidade tem importância como diferencial numa linha de produtos. No Brasil, o único sistema de rastreabilidade oficialmente implantado é denominado SISBOV (MAPA, 2006).
Um dos maiores problemas no cadastramento e rastreamento é encontrar e ou desenvolver métodos de identificação eficientes e de fácil execução. Haja vista, que o número único dentro do sistema de controle nacional e a identificação individual dos animais podem ser utilizados de maneira mal intencionada, com objetivo de alterar ou mascarar a real origem dos animais.
O impacto econômico que tanto a rastreabilidade e outros processos de certificação é extremamente relevante. Dentre algumas conquistas associadas à essencialidade dos processos de certificação, cita-se a mudança na normativa 61, em que o governo brasileiro assume o gerenciamento da lista trace (propriedades habilitadas a exportar para a Europa). Com a mudança no processo de gestão, serão mais 27 mil propriedades aptas a fornecer carne bovina para atender ao o mercado europeu, ressaltando que todas as fazendas habilitadas devem estar de acordo com o SISBOV. Além disso, destaca-se a mudança na classificação de risco do Brasil em relação à Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB). Atualmente, o Brasil é considerado de risco 2 e almeja o grau 1 na Organização Mundial para Saúde Animal.

Luiz Carlos Vieira Júnior
Felipe Azevedo Ribeiro
Marco Aurélio Factori

UNESP/Botucatu ver mais artigos

vieira_zoo@hotmail.com

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