Manejo da pinta preta na cultura do tomateiro

O tomate (Solanum lycopersicum L.) é a segunda hortaliça mais plantada e consumida no Brasil e no mundo. Entre os limitantes de produtividade dessa hortaliça destacam-se as doenças causadas, principalmente, por fungos, bactérias, vírus e nematoides.

A pinta preta (Alternaria solani), que também é conhecida pelos produtores por mancha de alternaria, é uma das doenças fúngicas de maior importância econômica na cultura do tomateiro, pois ocorre em todas as regiões produtoras e seus custos para o controle são altos, principalmente por se tratar de uma doença bastante agressiva, também observada em outras solanáceas, como a batata.

Temperaturas na faixa de 25ºC a 32ºC, elevada umidade e alta densidade foliar são favoráveis para a ocorrência da pinta preta nas folhas do tomateiro. Mas a fase de frutificação é a fase de maior suscetibilidade ao ataque do fungo. Os produtores das regiões com clima semiárido não estão livres do ataque da pinta preta, isto porque o orvalho frequente oferta a umidade necessária para o progresso da doença.

Plantas de tomate atacadas por pinta preta apresentam redução da área foliar, queda do vigor, depreciação de frutos e de tubérculos e consequente redução do potencial produtivo. O uso de cultivares com resistência genética a essa doença é uma alternativa viável, principalmente quando associado ao controle químico.

Sintomas

É possível observar os sintomas de pinta preta em qualquer idade e em toda a parte aérea das plantas de tomate. Entretanto, as lesões são mais abundantes nas folhas mais velhas, onde aparecem os primeiros sintomas. Podem ser observadas lesões necróticas, pardo-escuras, com ou sem zonas concêntricas bem pronunciadas, onde formam-se as estruturas de frutificação do fungo (esporos), bordos definidos, circulares ou elíticas no início e irregulares mais tarde, com diâmetro de 3mm a 20mm. Sob condições favoráveis as lesões aumentam rapidamente de tamanho podendo unir-se e destruir boa parte do limbo foliar. Quando as lesões tornam-se mais velhas, verifica-se um halo clorótico que pode se expandir por extensas áreas dos folíolos. Ao atingir a nervura da folha, ocasiona sua destruição, interrompendo a circulação da seiva e provocando o amarelecimento e morte da parte afetada. Em folhas mais novas e principalmente quando as plantas apresentam vigor e ativo desenvolvimento vegetativo, as lesões possuem tamanhos menores.

No caule, no pecíolo e na ráquis, as lesões são semelhantes às da folha, no entanto, são mais deprimidas, tendendo a circunscrever os órgãos afetados e levá-los à morte. Nos frutos, as lesões iniciam-se com a cor marrom ou preta a partir das sépalas, onde causam podridão seca de aspecto zonado. Em condições de umidade elevada, toda a lesão fica coberta por um crescimento aveludado preto devido às frutificações do patógeno.

Características do fungo

A disseminação dos conídios ocorre principalmente pelo vento, por insetos, pelas sementes, pela entrada de pessoas na área e implementos agrícolas contaminados. O fungo é capaz de sobreviver em restos de cultura, sementes e plantas voluntárias, permanecendo viável por longo período de tempo. A germinação ocorre na faixa de 6ºC a 34°C, com ótimo poder germinativo entre 28ºC e 30°C e 35 a 45 minutos de molhamento foliar. A penetração do fungo é diretamente através da cutícula ou da parede celular após a formação de apressório. As lesões tornam-se visíveis sob condições favoráveis em dois ou três dias após a penetração.

Como controlar

Para o manejo correto da doença, várias medidas podem ser adotadas, tais como: tratamento de sementes com fungicidas; rotação de culturas com gramíneas com o intuito de eliminar ou reduzir a fonte de inóculo. Escolha de cultivar resistente à doença, local adequado para produção de mudas e para a instalação da cultura, evitando-se áreas de baixadas ou locais sujeitos à neblina e áreas próximas a culturas de tomateiro no final do ciclo também são recomendados. Adubação equilibrada e utilização de matéria orgânica e pulverizações preventivas com fungicidas. Em geral, o intervalo de aplicação varia de três a sete dias para os fungicidas com ação protetora.

Severidade em diferentes acessos de tomateiro

Com o intuito de avaliar a severidade de Alternaria solani em diferentes acessos de tomateiro, realizou-se um trabalho na Universidade Estadual do Centro-Oeste, no campus Cedeteg em Guarapuava, Paraná, utilizando-se 64 acessos de tomate (Tabela 1) do banco de germoplasma da Universidade e uma cultivar comercial como testemunha.

A semeadura foi efetuada em bandejas de poliestireno (200 células). Após 20 dias as plantas foram transferidas ao campo, quando as mudas apresentavam quatro folhas permanentes. As plantas de tomateiro foram conduzidas em duas hastes, no sistema de tutoramento em cerca cruzada. O fornecimento de água à cultura foi realizado por meio de tubos gotejadores (20-20cm). O delineamento correspondeu em blocos ao acaso, com três repetições e quatro plantas por parcela, totalizando 195 parcelas. O espaçamento utilizado foi de 0,5m entre plantas e 1m entre linhas. O controle fitossanitário e a adubação foram realizados de acordo com as recomendações para a cultura. As colheitas foram efetuadas no período de janeiro a março de 2012, correspondendo, pelo menos, a uma colheita por semana. Foram coletados todos os frutos que se apresentavam em estádio de maturação, sendo imediatamente contados e pesados.

Realizaram-se cinco avaliações quanto à severidade de A. solani, todas no período de colheita, com intervalo de sete dias, seguindo a escala diagramática para a doença, apresentando 2%, 4%, 8%, 16% e 32% de área foliar lesionada pela pinta preta, em folíolos de tomateiro com 18cm² de área foliar total, atribuindo notas 1, 2, 3, 4 e 5, respectivamente, e nota 6 para as plantas que apresentaram mais que 32% de sua parte aérea tomada pela doença (Figura 1).

Dentre os acessos avaliados, constatou-se que o IAC404 apresentou maior nível de severidade da doença avaliada, os acessos Viçosa-MG, 0224-53; Guaraciaba-SC, RVTC-58 e Santa Cruz do Rio Pardo-SP, IAC392-59, também apresentaram altos níveis de severidade. Menores resultados foram observados no cultivar comercial Sweet Grape.

Clique aqui para ler o artigo na exemplar 81 da Revista Cultivar Hortaliças e Frutas.

ver mais artigos

Rafaela Cristina dos Santos, Ana Paula Preczenhak, Isabella Cristina Cavallin, Carla Daiane Leite, Cacilda Márcia Duarte Rios Faria e Juliano Tadeu Vilela de Resende