Planejamento do plantio de milho

Estamos em julho, a lavoura já foi colhida e o agricultor deverá fazer o planejamento para a próxima safra. O
agricultor deverá estar pronto para o dia D, isto é, o dia do plantio,
quando começa um novo ciclo que terá duração de cerca de 120 dias. A
operação de plantio é fundamental para o sucesso da nova safra e, por
isso mesmo, uma série de providências deve ser tomada para que tudo
corra bem.


O principal objetivo do planejamento é estabelecer um cronograma de
atividades para que o produtor possa realizar o plantio de forma
eficiente e segura.


Neste período de entressafra, o agricultor deverá realizar a análise do
solo, adquirir corretivos e fertilizantes, aplicar o calcário e o
gesso, fazer a manutenção de máquinas e equipamentos, comprar sementes
e armazená-las adequadamente até a data do plantio e adquirir os demais
insumos.


Para que o objetivo do manejo racional da fertilidade do solo seja
atingido, é imprescindível a utilização de uma série de instrumentos de
diagnose de possíveis problemas nutricionais que, uma vez corrigidos,
aumentarão as probabilidades de sucesso com a cultura do milho. O
instrumento de diagnose mais simples à disposição dos agricultores é a
análise do solo e a recomendação das doses de calcário e fertilizantes
a serem utilizadas, o que varia de acordo com as tabelas de
recomendação existentes em cada estado.


Na manutenção das máquinas e equipamentos, deve ser feita uma checagem
geral, especialmente nos elementos de corte e de deposição de adubo,
engrenagens e correntes de transmissão, discos duplos de corte do
carrinho de sementes, limitadores de profundidade, compactadores,
condutores de adubo e sementes e, principalmente, dos componentes de
distribuição de sementes e adubos. A plantadora deve estar preparada
para o espaçamento entre fileiras adequado para cada cultura. Hoje, há
uma tendência de se efetuar o plantio da soja e do milho no mesmo
espaçamento entre fileiras, ganhando tempo na ocasião do plantio.


À medida em que se aproximar a data do plantio, o agricultor deverá
adquirir sua semente e regular sua plantadora. Para decidir sobre a
compra da semente, o agricultor deverá levar em conta o seu sistema de
produção (nível tecnológico utilizado) e as condições de solo e clima
da onde a lavoura será conduzida. Existem sementes de vários preços e
potencial produtivo; portanto, o agricultor deverá optar por uma
cultivar que lhe ofereça maior relação de benefício/custo. O agricultor
deverá planejar a época mais adequada para receber a semente,
mantendo-a em local de fácil acesso, limpo e arejado, evitando locais
úmidos e temperaturas altas.


Antes do plantio, as condições da plantadora devem ser checadas.
Existem diferentes plantadoras no mercado, mas predominam as que têm
sistemas de distribuição a disco, que utilizam discos rotativos
perfurados, que devem ser trocados conforme as dimensões das sementes
(peneira) e a quantidade a ser distribuída no solo, além de exigirem
regulagem na rotação conforme a velocidade de deslocamento da máquina,
permitindo ao agricultor uma regulagem de acordo com a população de
plantas desejada e a peneira de classificação do milho.


O agricultor deverá estar atento, pois mesmo que ele utilize a mesma
cultivar plantada no ano anterior ela pode variar em seu formato,
exigindo uma nova regulagem da plantadora e uma escolha criteriosa do
disco e do anel (liso para sementes chatas ou com friso ou rebaixado
para sementes arredondadas) de acordo com a semente a ser plantada,
evitando plantio com sementes duplas ou a ocorrência de falhas. Esse
problema é sério para os pequenos produtores que não possuem sua
própria plantadora e necessitam de serviço de terceiros para a
realização do seu plantio.


A regulagem final da plantadora deve ser sempre realizada em condições
de plantio e não nos galpões ou em estradas. O agricultor deve levar em
consideração que, para cada cultivar plantads, existe uma faixa de
densidade de plantio recomendada. Dessa forma, se o produtor for
plantar mais de uma cultivar, a regulagem da plantadora deverá ser
repetida para cada tipo de semente utilizada.


Um outro aspecto também importante no plantio é a sua profundidade, que
deve ser a mais uniforme possível, permitindo uma emergência das
plantas ao mesmo tempo e evitando “plantas dominadas” que geralmente
não produzem espiga, mas que competem com as demais por água, luz e
nutrientes. A profundidade de plantio deverá variar com as condições de
clima e de solo. Em condições que dificultem a emergência das plantas,
a profundidade de plantio deverá ser menor. Por outro lado, quando as
condições forem favoráveis à germinação e à emergência, o plantio
poderá ser mais profundo, se beneficiando de melhores condições de
umidade do solo. Sementes rasas ou fundas demais ou, ainda, muito
próximas ao adubo podem prejudicar a germinação e a emergência. O adubo
deverá estar a cerca de 5 cm ao lado e abaixo da semente. É muito
importante monitorar o plantio durante sua execução, cavando o solo, na
linha de plantio, para verificar a quantidade de sementes distribuídas
por metro e a profundidade das mesmas.


Por uma série de razões, tem se agravado o problema de pragas de solo e
nos estágios iniciais do desenvolvimento das plantas. Desta forma, hoje
é bastante comum e recomendado o tratamento de sementes com
inseticidas. A escolha do inseticida a ser utilizado vai depender das
pragas comuns na região. Muitas vezes, o tratamento é feito na
propriedade e, nesse caso, o produtor deverá tomar os cuidados
necessários de proteção à sua saúde ao manusear esses produtos. Deve
também levar em conta que o plantio deverá ser o mais rápido possível
após o tratamento, evitando dessa forma possíveis danos na germinação e
vigor das sementes.


O tratamento altera a rugosidade da superfície das sementes, afetando o
desempenho da semeadora pela dificuldade de movimentação no depósito e
também nos sistemas distribuidores (discos ou dedos prensores). Uma
maneira de contornar este problema de escoamento pode ser o uso de uma
substância inerte lubrificante, como o grafite, que diminua tanto o
coeficiente de atrito entre as sementes como destas com a parede do
reservatório. A dose de grafite indicada para uso no depósito é de, no
mínimo, 4 g/kg de sementes. Em termos práticos, recomenda-se uma colher
de sopa de grafite para cada compartimento de sementes a cada
abastecida.


Um outro aspecto importante para a qualidade do plantio é a velocidade
do trator. Embora algumas plantadoras permitam que o plantio possa ser
realizado com velocidades de até 10 km/h, para plantadoras a disco a
velocidade adequada é em torno de 5 km/h, sob pena de comprometer a
densidade de plantio e, conseqüentemente, o rendimento da lavoura.


O plantio de milho na época correta, embora não tenha nenhum efeito no
custo de produção, seguramente afeta o rendimento e, conseqüentemente,
o lucro do agricultor. O atraso na época de plantio normalmente
dificulta outras operações agrícolas, principalmente o controle de
plantas daninhas e o controle de pragas, além de geralmente aumentar a
altura das plantas. Além disto, a ocorrência de doenças geralmente
causa maiores danos nos plantios tardios, pois a infestação ocorre em
plantas mais jovens.


Hoje, o Brasil já possui o zoneamento agrícola de risco climático (que
está sob a responsabilidade da Coordenação-Geral de Zoneamento
Agropecuário, subordinada ao Departamento de Gestão de Risco Rural, da
Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento) e que fornece informações sobre as épocas de plantio
de milho com menores riscos. Estas informações podem ser obtidas nas
agências bancárias que trabalham com crédito rural.


Ao observar todos esses aspectos, o produtor garantirá um plantio com
maiores chances de alcançar maiores produtividades e rentabilidade.


José Carlos Cruz

Pesquisador da área de Fitotecnia da Embrapa Milho e Sorgo

Luciano Rodrigues Queiroz

Engenheiro agrônomo e bolsista do CNPq na Embrapa Milho e Sorgo

Contatos: www.cnpms.embrapa.br ver mais artigos
CADASTRO DE NEWS
  • Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura