Manejo de podridão abacaxi na cana

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com uma área cultivada de aproximadamente 8,5 milhões de hectares (Safra 2012/2013). Estima-se que para a safra 2013/2014, o incremento será de 3,7% (aproximadamente 8,8 milhões de hectares). Por volta de 90% da produção brasileira concentra-se na região Centro-Sul, com destaque para o estado de São Paulo, que foi responsável por 56% do total produzido na safra 2012/2013.

Na região Centro-Sul do país, a maior parte do plantio da cana-de-açúcar é realizada a partir da segunda quinzena de setembro, até o mês de Abril. Nesse período, a temperatura e a umidade favorecem o desenvolvimento da cultura, resultando em rápida brotação, crescimento e perfilhamento da cultura. Entretanto, com o aumento das áreas cultivadas o plantio acaba se estendendo a praticamente todos os meses do ano.

Logo, vem sendo consolidado também o plantio de inverno, que abrange o período de maio até a primeira quinzena de setembro. Entretanto, neste período do ano, a cultura fica exposta a baixas temperaturas que, associadas a dias curtos e clima seco, provocam atraso na brotação dos toletes, favorecendo a incidência da podridão abacaxi, causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa. Desta forma, quando ocorrer a necessidade de se realizar o plantio em períodos favoráveis ao fungo, torna-se indispensável a utilização de medidas que contribuam para o aumento da velocidade de emergência, principalmente em áreas com histórico da doença.

Como o plantio da cana-de-açúcar é realizado por meio de propagação vegetativa os próprios propágulos podem ser o “veículo" de transporte de esporos do fungo, contaminando novas áreas.

Podridão abacaxi

A doença é comumente chamada de podridão abacaxi e é causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa (Ceratocystis paradoxa). Trata-se de fungo polífago e ocorre em todas as regiões onde a cana-de-açúcar é cultivada. A doença é influenciada por condições de solo, temperatura e umidade.

O fungo penetra na planta por cortes e ferimentos, não penetrando nos toletes por aberturas naturais. Este fator é de extrema importância no caso da cana-de-açúcar, pois na ocasião do plantio, os colmos são seccionados, favorecendo o ingresso do fungo.

Anualmente, perdem-se áreas extensas de canaviais que não germinam devido ao ataque do fungo. A manifestação da podridão abacaxi é essencialmente reflexo do retardamento da brotação que pode ocorrer em consequência de baixas temperaturas, utilização de gemas velhas no plantio, mudas colocadas em sulcos muito profundos e/ou plantios em solos secos ou encharcados.

A doença afeta seriamente a brotação das gemas, o desenvolvimento e vigor dos brotos. As falhas que ocorrem devido aos danos causados pela doença podem abranger grandes extensões, exigindo o replantio, que é uma operação bastante onerosa.

A disseminação da podridão abacaxi ocorre principalmente por esporos presentes nos primeiros 25cm de profundidade do solo e, ocasionalmente, por mudas infectadas. Além de ser um fungo polífago (já foi relatado em bananeiras, coqueiros, palmeiras, abacaxi, entre outros), pode sobreviver no solo por períodos superiores a 15 meses.

Sintomas

Os sintomas iniciais são de encharcamento nas extremidades dos toletes, entretanto, com o progresso da infecção, a coloração vai se alterando, evolui para cinza, parda-escura e finalmente negra.

Os toletes infectados não germinam ou germinam vagarosamente, produzindo plantas mais fracas, facilmente dominadas pela matocompetição ou ainda pela competição com perfilhos vizinhos.

Um dos sintomas típicos dessa doença consiste na fermentação de toletes que passam a exalar um odor característico, que lembra essência de abacaxi, o que justifica o nome dado à doença.

Controle

A escolha da época de plantio é considerada a técnica mais simples para minimizar a ocorrência do fungo, entretanto, a minimização dos efeitos da doença é obtida com medidas que estimulem a brotação rápida dos toletes ou que protejam os ferimentos por onde o fungo penetra. Logo, medidas como a utilização de variedades com brotação rápida, aplicação de bioestimulantes que induzam melhor brotação e enraizamento e o uso de fungicidas que protejam os ferimentos dos toletes são essenciais para o sucesso no estabelecimento do canavial. Da mesma forma, a utilização de controle biológico com outros fungos com efeito antagônico à doença vem mostrando resultados promissores.

Densidades maiores de plantio também constituem em uma medida para reduzir o impacto da podridão abacaxi, pois utilizam quantidades maiores de gemas por metro de sulco, compensando possíveis falhas na brotação. No entanto, esta medida acarreta maiores custos e também redução do rendimento operacional.

O preparo do solo e a profundidade de plantio também devem ser considerados como medidas complementares. O preparo do solo reduz a compactação e elimina os torrões, fornecendo melhores condições para a brotação das gemas. Deve-se optar pelo plantio mais raso, não atrasando a brotação das mudas.

Resultados a campo

Em experimentos a campo realizados em 2013 no interior do estado de São Paulo, durante os meses de maio a setembro, comparou-se uma área sem histórico da doença com outra inoculada com o fungo causador da podridão abacaxi e ainda uma terceira inoculada, porém, tratada com fungicida no sulco.

Os resultados mostraram que com uma severidade média de 35% de doença os ganhos na emergência de perfilhos variam de 13% a 22% nos primeiros 100 dias após o plantio quando os toletes são tratados com fungicida no sulco de plantio. Este ganho de emergência é crucial para o estabelecimento, manutenção e desenvolvimento do estande do canavial.

Evolução na emergência de perfilhos em relação à área livre da presença do patógeno (considerada como 100% para a situação).

Clique aqui para ler o artigo na edição 178 da Cultivar Grandes Culturas.

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Thomas Miorini; GiuvanLenz; Roberto de Oliveira Rodrigues

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