Por que lubrificar?

O desenvolvimento da agricultura brasileira está, sem dúvida, ligado à modernização dos meios de produção, com a utilização de insumos modernos que multiplicam a nossa capacidade de produzir alimentos e fibras a preços competitivos.

O setor de máquinas agrícolas é um dos que sofreu maior evolução nos últimos anos, com a incorporação de tecnologia antes restrita ao setor automotivo. Os modernos tratores, colhedoras e implementos agrícolas se tornaram máquinas sofisticadas e de alto desempenho, exigindo para o seu uso eficiente lubrificantes de alta qualidade que respondam bem à crescente severidade dos serviços a que estão sujeitos estes equipamentos.

A lubrificação, é um dos principais itens de manutenção de máquinas agrícolas e deve, portanto, ser entendida e praticada para conservá-las e manter o rendimento delas, aumentando a vida útil das mesmas. De modo geral, os componentes das máquinas agrícolas que necessitam lubrificação são: mancais de atrito, mancais de rolamento, eixos sem fim, eixos telescópicos, engrenagens, correntes, pistões, juntas universais e bombas.

O que são lubrificantes?

Quando as superfícies dos componentes de algum tipo de máquina se movem em contato uma com as outra, produzem a fricção ou atrito, e esta gera calor e causa desgaste. O lubrificante é uma substância colocada entre estes componentes em movimento para reduzir a fricção e proporcionar o deslizamento suave e fácil, um contra o outro, com o mínimo desgaste e mantendo a temperatura normal.

Os lubrificantes tem por função:
• Reduzir a fricção e o desgaste das peças.
• Diminuir o calor gerado pela fricção das peças.
• Auxiliar na refrigeração, no caso dos motores.
• Auxiliar a vedação ou perda de pressão dos motores.
• Evitar a entrada de impurezas nos mancais.
• Fazer a limpeza das peças.
• Proteger contra a corrosão.
• Transmitir força e movimento através de cilindros hidráulicos.

Há três tipos de lubrificantes: os lubrificantes líquidos, que são os óleos lubrificantes, os lubrificantes pastosos que são as graxas e os lubrificantes sólidos.

Os lubrificantes sólidos são utilizados em equipamentos que trabalham em altas temperaturas, sendo portanto de pouco interesse para as máquinas agrícolas. Em certos casos são misturados com lubrificantes líquidos e pastosos para melhorar sua resistência ao calor gerado pelo atrito entre superfícies.

Como exemplo de lubrificantes sólidos podemos citar o talco, a grafite e o bissulfeto de molibdênio. Na agricultura, a grafite é utilizada na lubrificação no depósito de sementes das semeadoras, com a finalidade de diminuir os danos mecânicos nas sementes e as falhas de colocação das sementes no solo.

Os lubrificantes líquidos, também conhecidos como óleos lubrificantes, são os mais usados em máquinas agrícolas. Estes lubrificantes podem ser de 3 tipos de origem ou bases diferentes: orgânica , mineral e sintética.

Os óleos lubrificantes de origem orgânica, são feitos a partir de gorduras animais e vegetais, e hoje não são mais utilizados como lubrificantes, mas , como é o caso do óleo de mamona, como aditivo para melhorar as qualidades de alguns tipos de óleo.

Os óleos lubrificantes de base mineral, são extraídos do petróleo e são os óleos mais usados em tratores e máquinas agrícolas.

Já os óleos lubrificantes de base sintética foram desenvolvidos em laboratório, a partir de substâncias químicas, especialmente desenhadas para conferirem características de viscosidade superiores às dos óleos minerais, porém com custos de fabricação bem mais elevados que os dos óleos minerais. Por isso tem se tornado comum a mistura dos dois tipos , que é chamado de óleos lubrificantes de base mista, que é utilizada para formular lubrificantes de elevada qualidade.

Os lubrificantes pastosos são conhecidos como graxas ( palavra esta que se origina do latim “crassus” ou “grassus”, que significa gordura); são utilizados em locais onde os óleos (líquidos) não conseguem parar para fazer uma completa lubrificação.

As graxas são feitas pela mistura de um óleo lubrificante (de base mineral ou sintética) e de uma substância encorpante, chamada de agente espessante, e tem como função reduzir o atrito, o desgaste, o aquecimento e proteger contra a corrosão.

CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES

Algumas características dos óleos lubrificantes são extremamente importantes para a escolha e uso adequado dos mesmos.

A viscosidade é considerada a propriedade mais importante dos óleos lubrificantes, ela mede a dificuldade com que um líquido escoa ou escorre. Quanto mais viscoso for um lubrificante (mais grosso), mais difícil de escorrer, portanto será maior a sua capacidade de manter-se entre duas peças móveis fazendo uma melhor lubrificação das mesmas. Quanto menos viscoso for um óleo lubrificante, mais rapidamente ele quando bombeado chegará aos locais nos deve fazer a lubrificação, porém terá dificuldades de manter-se lá.

Ao utilizarmos um óleo muito viscoso (muito “grosso”), nas manhãs frias, ele terá dificuldade de chegar às áreas que necessitam ser lubrificadas, provocando um desgaste maior do motor.

Se utilizarmos um óleo pouco viscoso (muito “fino”), quando o motor aquecer ele escoará com muita facilidade, prejudicando também a lubrificação e aumentando o desgaste do motor.

A escolha da viscosidade correta para as temperaturas de trabalho é importante, pois um óleo tem que proporcionar adequada lubrificação em todas as estações do ano.

A viscosidade dos lubrificantes não é constante, pois varia com a temperatura. Quando se eleva a temperatura de um óleo lubrificante a sua viscosidade diminui, e quando a sua temperatura diminui ele fica mais viscoso.

Esta variação da viscosidade em função da temperatura não ocorre em todos os óleos da mesma maneira. Alguns óleos ficam menos viscosos mais rapidamente que outros. O Índice de Viscosidade (IV) mede a variação da viscosidade com a temperatura; quanto mais alto este índice, menor será a influência da temperatura sobre a viscosidade. Isto indica que este óleo é menos viscoso (“grosso”) em manhãs frias e mais viscoso em dias quentes, quando comparado a um óleo com Índice de Viscosidade menor. Portanto um óleo com maior Índice de Viscosidade irá proteger melhor o motor contra o desgaste.

Outra característica importante é a Densidade, pois ela indica o peso de uma certa quantidade de óleo a uma certa temperatura; isto pode nos indicar se houve contaminação ou deterioração de um lubrificante. Por exemplo se um óleo for contaminado por água, aumentará a densidade do óleo.

O Ponto de fluidez é a temperatura na qual o óleo pára de fluir ou escorrer, isto é congela, é muito importante para regiões sujeitas a invernos rigorosos, o que não é o caso da grande maioria do território nacional.

O Poder lubrificante se refere unicamente às propriedades redutoras do atrito interno dos óleos que trabalham em serviços severos, tais como em motores diesel de alta rotação e cargas elevadas.

Para melhorar alguma qualidade já existente nos óleos lubrificantes, porém em grau insuficiente, ou conferindo-lhes outras que ele não possua, especialmente quando o lubrificante é submetido a condições severas de trabalho, isto é, para aumentar a sua eficiência, são adicionados aos mesmos substâncias chamadas de aditivos.

Seus objetivos e finalidades e, conseqüentemente, seus mecanismos de ação são muito variados. Os principais tipos de aditivos são:
• Antioxidantes: reduzem a oxidação do lubrificante em contato com ar.
• Anticorrosivos: protegem as partes do ataque de contaminantes ácidos dos óleos lubrificantes.
• Detergentes-dispersantes: mantêm as superfícies metálicas limpas e evitam a formação de borras nos óleos lubrificantes.
• Agentes de Extrema Pressão (EP ou HD): formam uma camada protetora resistente que protege as peças do contato metal contra metal.
• Melhoradores do Índice de Viscosidade (I.V.): diminuem a variação da viscosidade com a temperatura.
• Abaixadores do Ponto de fluidez: evitam que o óleo se congele.
• Antiespumantes: evitam a formação de espuma.
• Antiferrugem: protegem da ferrugem as peças feitas de metais ferrosos.
• Agentes emulsificantes: tornam os óleos emulsionáveis (erradamente ditos “solúveis”) em água.

Antonio Carlos Loureiro Lino
CMAA – IAC

* Este artigo foi publicado na edição número 02 da revista Cultivar Máquinas, de março/abril de 2001. ver mais artigos
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