Pragas no protegido

Com a expansão do cultivo em ambiente protegido no Brasil, verificou-se que algumas espécies de insetos e ácaros se tornaram problemas sérios no interior das casas de vegetação, causando perdas consideráveis em quantidade e qualidade da produção.

Os principais artrópodes-pragas de cultivos protegidos são: traça-do-tomate, moscas-brancas, pulgões, ácaros, tripes e minadores, que ocorrem principalmente nas culturas de tomate, pimentão, alface, pepino e melão. A alta temperatura e a baixa umidade, que normalmente ocorrem dentro das casas de vegetação, a ausência de fatores de mortalidade e áreas pequenas com alto adensamento de plantas, favorecem o aumento populacional destas espécies pragas, dificultando o seu controle.

A traça-do-tomate ocorre na cultura por todo o ciclo, sendo que o período crítico é o de formação dos frutos. As larvas formam minas nas folhas, e se alimentam no interior destas. Também broqueiam o caule, perfuram o broto terminal e atacam os frutos.

As moscas-brancas são pragas de grande importância econômica nas casas de vegetação, ocorrendo nas culturas de tomate, pimentão, alface, pepino e melão. Estão presentes em todo o ciclo da cultura, sendo que o período crítico vai da fase de muda até os 30 dias após o transplante. Causam danos pela sucção direta da seiva da planta e pela transmissão de viroses.

Os pulgões estão associados principalmente às culturas de tomate, pimentão, alface, pepino e melão. Podem ocorrer por todo o ciclo da cultura, mas o período crítico vai da fase de muda até os 30 dias após o transplante. Ocasionam amarelecimento e deformação da folhagem, podendo diminuir o rendimento. São transmissores dos vírus Y, topo-amarelo e amarelo-baixeiro do tomateiro.

Os ácaros ocorrem nas culturas de tomate, pimentão e pepino, principalmente no final do ciclo. Provocam amarelecimento ou manchas avermelhadas na face oposta às colônias, que vão crescendo até a queda das folhas e morte da planta.

Os tripes ocorrem em tomate, pimentão, pepino e alface. Podem atacar a cultura por todo o ciclo, mas a fase mais crítica vai até os 60 dias após o transplante. Causam danos diretos, por raspar as folhas e sugar a seiva e indiretos, como vetores de viroses.

As larvas minadoras ocorrem em tomate, alface e pepino, desde a germinação até a colheita. As larvas penetram nos folíolos, cavando galerias irregulares ou minas e destroem o parênquima foliar, ocasionando secagem das folhas.

Para um manejo eficiente dessas pragas em ambiente protegido, é necessário que medidas preventivas sejam adotadas no início da cultura, uma vez que é mais fácil impedir a entrada das pragas nas casas de vegetação do que controlá-las. Recomenda-se, portanto:

a) realizar a limpeza da casa de vegetação, antes de um novo plantio;

b) destruir restos culturais;

c) eliminar a vegetação externa;

d) utilizar sementes e mudas livres de insetos e ácaros;

e) utilizar uma proteção mecânica contra artrópodes, como telas anti-afídeos (pulgões) e tripes, junto às laterais;

f) instalar, dentro e fora das casas de vegetação, armadilhas amarelas, cobertas com cola ou óleo queimado. Estas armadilhas visam reter os insetos (moscas-brancas, pulgões, tripes e minadores) e auxiliar o monitoramento das pragas, alertando o agricultor quanto às espécies presentes, e o nível populacional. As armadilhas devem ser penduradas no interior das casas de vegetação, entre as plantas, ficando na altura da parte superior destas.

Mesmo com a adoção dessas medidas, os artrópodes podem entrar nas casas de vegetação e, encontrando condições favoráveis ao seu desenvolvimento, se estabelecerem como pragas. É recomendada a adoção de um sistema de amostragem, visando monitorar a presença das pragas, de modo que a infestação seja detectada bem no início, permitindo a adequação de medidas de controle. A amostragem deve ser feita ao acaso, cobrindo-se toda a área interna da casa de vegetação. As plantas devem ser inspecionadas pelo menos uma vez por semana, para verificar a presença de ovos, larvas ou adultos de insetos e ácaros e os sintomas de dano. Para verificar a presença de traça-do-tomateiro, recomenda-se procurar ovos e larvas nas folhas e flores do terço superior da planta. Para mosca-branca, pulgão e tripes o monitoramento deve ser realizado, procurando-se a presença das colônias na face inferior da folhagem. Para tripes, procurar também no interior das flores, nos botões florais e nos brotos. Para ácaros, observar os sintomas e a teia na parte inferior da folhagem. Para larvas minadoras, observar o número de minas e a porcentagem de minas com larvas vivas. As plantas hospedeiras das pragas, na parte externa, também devem ser periodicamente inspecionadas e, quando necessário, pulverizadas.

Outras táticas de manejo integrado são recomendadas, para manter a população de pragas abaixo do nível de dano econômico. Dentre elas, podemos citar o uso de cultivares resistentes, controle químico, controle biológico e a utilização de feromônio sexual, quando disponível comercialmente.

O feromônio sexual é usado em armadilhas distribuídas na casa de vegetação, com o objetivo de capturar insetos, para monitorar a presença da praga, e auxiliar na determinação de seu crescimento populacional.

A utilização eficiente do controle químico envolve a identificação correta da praga e da fase do seu ciclo biológico de maior dano; a escolha do produto mais adequado e forma de aplicação, levando-se em conta o modo de atuação, a classe toxicológica e o preço; a obediência às recomendações do fabricante quanto a dosagem indicada e o período de carência.

O controle biológico, usando o parasitóide de ovos Trichogramma pretiosum, tem mostrado grande potencial para o controle da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta). Apresenta-se como uma técnica promissora para ser usado em ambiente protegido, e é objeto de estudo da Embrapa Hortaliças. Esta técnica, além de efetuar o controle da praga, é específica e inócua, não causando danos ao homem e ao ambiente.

Geni Litvin Villas Boas
Embrapa Hortaliças

* Este artigo foi publicado na edição número 11 da revista Cultivar Hortaliças e Frutas, de dezembro/2001 - janeiro/2002. ver mais artigos
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