Principais vantagens das semeadoras pneumáticas

A grande vantagem das semeadoras pneumáticas é a possibilidade de distribuir de forma precisa as sementes na linha de plantio, característica que para ser eficaz demanda atenção do operador.

A busca por máquinas que desempenhem funções mais precisas está cada vez mais forte no setor agrícola. Com o avanço da tecnologia, as semeadoras foram se aperfeiçoando cada vez mais, sendo capazes de efetuar inúmeras funções, como por exemplo, dosar e distribuir sementes e adubos em diferentes espaçamentos e profundidades.

O tipo de solo, clima, índice de precipitação pluviométrica, quantidade de matéria orgânica contida no solo são alguns fatores que afetam a produção final da cultura. Além disso, supõe-se que a velocidade de deslocamento da máquina irá interferir na distribuição longitudinal, profundidade de deposição e na densidade das sementes liberadas no solo, influenciando diretamente no estande final da cultura escolhida.

Tratore semeadora utilizados no experimento realizado no Departamento de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará.
Tratore semeadora utilizados no experimento realizado no Departamento de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará.

Para que se obtenha uma maior eficiência na distribuição e deposição das sementes e sejam evitados erros durante o processo de semeadura, todos os componentes da máquina devem estar em perfeita sincronia e regulados de acordo com a necessidade da cultura.

Com a crescente produção de grãos graúdos, como por exemplo o milho, torna-se cada vez mais necessário o estudo das máquinas que estão diretamente ligadas a produção de tais grãos.

As semeadoras de precisão são responsáveis pela semeadura de grão graúdos, nela as sementes são depositadas individualmente ou em grupos, na linha, em intervalos regulares. Nestas semeadoras, o mecanismo de dosagem pode selecionar uma ou varias sementes para serem depositadas ao solo.

Estudos apontam que a uniformidade de distribuição longitudinal de sementes é uma das características que mais contribuem para um estande adequado de plantas e isso interfere diretamente na produtividade final da cultura.

Para avaliar a deposição de sementes de uma semeadora pneumática, foi realizado um experimento na área experimental do Departamento de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, Campus do Pici.

O experimento foi realizado numa distância de 40m de comprimento e foram realizadas 5 repetições para cada fator.
O experimento foi realizado numa distância de 40m de comprimento e foram realizadas 5 repetições para cada fator.

O trator utilizado para tracionar a semeadora de precisão pneumática foi um Valtra BM, modelo 120 4x2 TDA (tração dianteira auxiliar), com um motor de 88.26 kW (120 cv), trabalhando a duas velocidades teóricas: 5 km/h e 8 km/h. A semeadora utilizada para conduzir o experimento foi uma semeadora pneumática da Jumil, modelo JM2090EX.00. A semeadora foi regulada para distribuir sete sementes de milho/metro linear a uma profundidade de deposição de 5 cm.

O experimento foi realizado numa distância de 40 m de comprimento e foram realizadas cinco repetições para cada fator. Nas linhas selecionaram-se aleatoriamente espaços de um metro para a avaliação. Os dados analisados através do software estatístico Minitab – versão 16, em delineamento inteiramente casualizado.

Para avaliação dos dados foi utilizada a estatística descritiva básica onde foram avaliados os seguintes parâmetros: média, desvio padrão, coeficiente de variância, simetria e curtose. A normalidade dos dados foi atestada pelos coeficientes de simetria e curtose. Em seguida utilizou-se a análise de variância para os dados que apresentam normalidade. Foi utilizado o controle estatístico do processo (CEP) para avaliar os dados normais e verificar a estabilidade do processo.

Verifica-se na Tabela 1 que a semeadora pneumática trabalhando na velocidade de 5 km/h obteve a média de 16,04 cm e para a velocidade de 8 km/h a média obtida foi de 17,45 cm. Nota-se que esses valores médios para os espaçamentos estão acima do valor que a semeadora foi regulada, indicando que houve erro durante o processo de semeadura, como por exemplo, a alta vibração da semente no tubo condutor. Além disso, a velocidade de 8 km/h apresentou maior irregularidade no espaçamento, confirmando estudos existentes onde os autores afirmam que quanto maior a velocidade de deslocamento, mais falhas poderá ser encontrada na distribuição de sementes.

A velocidade 5 km.h apresentou coeficiente de variação de 34,53% e a velocidade 8 km/hobteve-se um coeficiente de variação de 36,30%. Esses resultados não foram satisfatórios, pois a literatura afirma que o coeficiente máximo aceitável para semeadoras pneumáticas é de 30%. Esses altos valores dos coeficientes de variação obtidos no experimento, podem ter sido influenciados pelas características do solo, forma e tamanho da cultura utilizada, as variáveis em análise, entre outros fatores.

Segundo Montgomery (1991), os valores do coeficiente de simetria e curtose maiores devem estar dentro do intervalo de -2 e 2 desta forma considera-se que os dados apresentaram distribuição normal. É possível verificar que os valores do coeficiente de simetria de 0,89 para a velocidade 5 km/h e 0,48 para a velocidade 8 km/h estão dentro dos valores esperados, apresentando normalidade no processo. O mesmo ocorreu para os valores de curtose de 1,49 para a velocidade 5 km/h e 0,13 para a velocidade 8 km/h que em ambos os casos apresentou normalidade.

Mediante ao exposto, ao apresentar normalidade nas velocidades estudadas, a análise de variância é considerada eficiente para todas as velocidades avaliadas. A Tabela 2 apresenta os dados da análise de variância dos espaçamentos da semeadora nas velocidades 5 e 8 km/h.

Na análise de variância observa-se que houve diferença significativa entre as médias dos espaçamentos das sementes das velocidades da semeadora pneumática de 5 e 8 km/h a 5 % de significância.

Com base na Tabela 3, nota-se que houve diferença estatística pelo teste MDS a 5% de significância. Este resultado mostra que a velocidade de 8 km/h apresentou valor mais próximo para qual foi regulado, se sobressaindo em relação à velocidade de 5 km/h.

Montgomery (2004) recomenda o CEP para a avaliação de processos normais para verificar a viabilidade de atender tais especificações e exigências de qualidade, além de determinar os pontos problemáticos do processo.

Barros (2008) afirma que se 95% dos pontos estiverem dentro dos limites indicados considera-se que o processo foi estável porém, se o mais de 5% das amostras estiverem fora do limite especificado considera-se que o processo foi instável, ou seja, com uma grande variabilidade.

Ao analisar o Gráfico 1A, é possível observar que o processo apresenta-se estável, pois apenas 10 amostras estão fora dos limites de controle específico e o ao analisar o Gráfico 1B, verifica-se que somente 6 amostras estão fora dos limites de controle específico, sendo também classificado como estável.

Gráfico 1A- Gráfico de controle do espaçamento entre sementes na velocidade de 5 km.h-1; 1B- Gráfico de controle do espaçamento entre sementes na velocidade de 8 km.h-1
Gráfico 1A- Gráfico de controle do espaçamento entre sementes na velocidade de 5 km.h-1; 1B- Gráfico de controle do espaçamento entre sementes na velocidade de 8 km.h-1.

A semeadora pneumática na velocidade de 5 km/h apresentou espaçamento médio entre sementes de 16,05 cm (Gráfico 3) e na velocidade de 8 km/h apresentou um espaçamento médio entre sementes de 17,45 cm, porém a mesma foi regulada para obter o espaçamento de 14 cm entre sementes.

O motivo pelo qual algumas amostras não se encontraram dentro dos limites de controle específico pode ser dado por interferências do mecanismo de distribuição de sementes, pelo deslizamento da roda motriz da semeadora ou por conta das sementes.

Observa-se no gráfico de controle que em ambos os casos, os dados obtidos não possuem uma variabilidade alta, mostrando uma uniformidade, ou seja, a distribuição de sementes de milho em ambas as velocidades demonstrou-se eficaz.

Avaliação mostrou que o aumento da velocidade também ampliou o espaçamento entre as sementes depositadas no solo.
Avaliação mostrou que o aumento da velocidade também ampliou o espaçamento entre as sementes depositadas no solo.
Avaliação mostrou que o aumento da velocidade também ampliou o espaçamento entre as sementes depositadas no solo.
Avaliação mostrou que o aumento da velocidade também ampliou o espaçamento entre as sementes depositadas no solo.


Eduardo Santos Cavalcante, Daniel Albiero, Rafaela Paula Melo, Aline Castro Praciano, Deivielison Ximenes Siqueira Macedo, Universidade Federal do Ceará


Artigo publicado na edição 163 da Cultivar Máquinas. 

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