Produção de arroz com tipo de grão para culinária japonesa - opção para Roraima

Em Roraima, o cultivo do arroz representa uma das poucas cadeias produtivas efetivamente estabilizadas, com produção suficiente para abastecer o mercado interno e permitir exportação para outros estados.

No entanto, as agroindústrias locais que comercializam, basicamente, o arroz branco de classe longo-fino, podem ter na diversificação de tipos, uma oportunidade de verticalização da produção uma vez que a grande maioria das cultivares com grãos especiais são importadas de outros países, com preço no mercado nacional, em média, duas a três vezes superior ao tipo comum.

O desenvolvimento de cultivares com tipos de grãos especiais, como as de grãos curtos , aromáticos, de boa qualidade e adaptados às condições de cultivo do Brasil constitui-se em grande oportunidade com vistas a agregar valor à produção do arroz irrigado. Por outro lado, restaurantes, empresas e importadoras, estão investindo em cultivares que apresentem grãos diferenciados, para preparação de pratos da culinária internacional, como risoto, arroz aromático e da culinária japonesa, sendo que, este último visa atender, principalmente, a demanda interna representada por imigrantes asiáticos ,em especial a colônia japonesa no Brasil, que é considerada a mais numerosa do mundo (CORDEIRO, 1999).

Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho produtivo de linhagens de arroz irrigado com tipo de grãos para a culinária japonesa, nas condições de cultivo de Roraima.

Foram avaliadas, na Fazenda Santa Cecília, em área de várzea do rio Branco, no município do Cantá (2 48’ 27,484’’N e 60 39’ 17’564’’W), dez linhagens portadoras de grãos destinados à culinária japonesa, fornecidas pela Embrapa Arroz e Feijão, localizada em Santo Antônio de Goiás-GO.

O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com quatro repetições. As parcelas foram constituídas de seis sulcos de cinco metros de comprimento, com área útil correspondendo às quatro linhas centrais, eliminando-se 0,50 metros de cada extremidade. O espaçamento foi o de 0,30 m entre linhas com a densidade de 100 sementes viáveis por metro linear.

O controle de plantas daninhas foi feito em pré-emergência, com o herbicida Oxadiazon na dosagem de 2,5 litros do produto comercial .O controle de pragas, quando necessário, foi efetuado de acordo com os produtos e recomendações técnicas recomendadas para a cultura.Não foi efetuado controle de doenças.

A adubação utilizada na semeadura constou de 450 kg.ha-1 da fórmula 04-28-20+0,5 de Zn e a adubação de cobertura foi com uréia (45% de N) na quantidade de 200 kg.ha-1 , divididos em duas partes iguais e aplicados aos 15 e 40 dias após a emergência. O sistema de irrigação empregado foi o de inundação contínua, com lâmina de água iniciada aos 15 dias após a emergência das plântulas e interrompida aos 20dias após o completo florescimento.

Foram avaliadas características de altura de planta (cm), florescimento médio (50%) e produtividade de grãos em kg.ha-1 e realizadas,com o auxílio do software GENES (CRUZ,2001), análises de variância e comparação das estimativas das médias dos tratamentos pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade. No Laboratório de Qualidade de Grãos da Embrapa Arroz e Feijão, foram obtidos os dados de rendimento de engenho e do teste de cocção em comparação com cultivares testemunhas.

Na Tabela 1 estão os dados de produtividade de grãos ,florescimento médio e altura de planta das 10 linhagens avaliadas. De acordo com os resultados obtidos,verifica-se que a linhagem CNAi 9909 foi a mais produtiva, diferindo significativamente das demais,embora as linhagens CNAi 9907, CNAi 9903 e CNAi 9911 também tenham apresentado boas produtividades e conseqüentemente boa adaptação nas condições de cultivo em Roraima. Por outro lado, as demais linhagens avaliadas, incluindo a cultivar testemunha BRS Bojuru, apresentaram baixa produtividade, floração precoce (50 dias) e baixa altura de planta, evidenciando que essas não se adaptaram às condições locais.

As linhagens CNAi 9909, CNAi 9907, CNAi 9903 e CNAi 9911 apresentaram floração variando de 65 a 73 dias mostrando que esses materiais são de ciclo precoce (100 a 108 dias) e altura de planta variando de 75 a 85 cm,ou seja, dentro de padrões aceitáveis para o arroz irrigado em Roraima,não sendo dessa forma, fator preocupante na seleção dos mesmos(Tabela 2). Vale ressaltar, ainda, que não foi constatada a incidência de doenças em níveis elevados e nem acamamento de plantas.

Na Tabela 2, estão contidos dados de avaliação de rendimento de grãos inteiros, teor de amilose, temperatura de gelatinização, coesividade, textura e tempo de cocção das linhagens avaliadas.Verifica-se que, as linhagens mais produtivas (CNAi 9909, CNAi 9907, CNAi 9903 e CNAi 9911), apresentaram também grãos pegajosos ou muito pegajosos após a cocção, adequados à culinária japonesa, embora apenas a linhagem CNAi 9903 tenha apresentado teor de amilose baixo (19%), semelhante às cultivares testemunhas.

As linhagens de arroz irrigado CNAi 9909, CNAi 9907, CNAi 9903 e CNAi 9911 apresentam boa adaptação às condições de Roraima , com boas produtividades e qualidade de cocção adequada à culinária Japonesa, podendo, deste modo, serem trabalhadas para lançamento para o setor rizícola do estado;

A linhagem CNAi 9903 apresenta teor de amilose baixo sendo, entre as mais produtivas, a mais semelhante às cultivares testemunhas para essa característica.

Antonio Carlos Centeno Cordeiro
Eng.Agr. Dr. Pesquisador da Embrapa Roraima

Confira esse artigo, com as tabelas, no link abaixo:

/arquivos/arrozculinariajaponesa.pdf

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CORDEIRO, A.C.C. Melhoramento genético para tipos alternativos de grãos de arroz. Lavras:UFLA,1999. 52p.(Projeto apresentado para Exame de Qualificação de Curso de Doutorado em Genética e Melhoramentode Plantas).

CRUZ,C.D. Programa Genes- versãoWindows, aplicativo computacional em genética e estatística. Viçosa,MG:UFV,2001.648p. ver mais artigos
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