Produtores driblam desafios climáticos com implantação de irrigação por gotejamento

Adoção da tecnologia é uma segurança para aproveitar as melhores janelas de plantio e escapar das adversidades climáticas. - Foto: Wenderson Araujo/CNA

A largada da safra de grãos 2020/21 já se iniciou prejudicada devido ao atraso do início das chuvas para o plantio da soja nas principais regiões produtoras do país. O atraso no plantio ocasionou uma perda do potencial produtivo pelo não desenvolvimento do cultivo nas janelas ideais climáticas e, em muitas regiões, produtores sofreram com alto volume de chuvas no período da colheita, como ocorrido na região de Sorriso (MT), ocasionando em mais perda de produtividade e qualidade da soja.

O atraso no plantio e colheita da soja gerou uma reação em cadeia, culminando no também plantio tardio do milho de segunda safra, que em muitos locais só foi realizado a partir de março de 2021. Além do plantio tardio, muitas regiões sofreram com baixos índices pluviométricos no período, prejudicando consideravelmente o crescimento e desenvolvimento das plantas. Como exemplo as regiões do oeste e norte do estado do Paraná que, de acordo com um estudo feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, teve durante o mês de abril o balanço hídrico mais baixo dos últimos 30 anos.

Se não bastasse os baixos índices pluviométricos prejudicando o desenvolvimento do milho, entre o final do mês de junho e durante o mês de julho deste ano, geadas atingiram muitas regiões, destacando o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As geadas ocorridas em muitas fazendas atingiram o milho na fase de enchimento de grãos, podendo ocasionar perdas de produtividade na ordem de 50% a mais dependendo da fase em que o milho se encontrava.

Diante deste cenário observado durante a safra deste ano, a irrigação entra como uma importante e estratégica ferramenta. Além de garantia e segurança de disponibilização hídrica para as plantas em casos de baixas ou falta de precipitações, o que garante a produtividade, permite que o produtor antecipe o plantio da soja, aproveitando as melhores janelas de plantios e correndo menos riscos de perdas de produtividade no milho de segunda safra plantado tardiamente pela ocorrência de geada.

Um exemplo de fazenda que se beneficiou da irrigação na produção da soja nesta safra foi a fazenda Lagoa Rica, no município de Diamantino (MT). Com 150 ha de sua área irrigada por gotejamento subterrâneo teve produtividade média de 70 sacas/ha, enquanto nas áreas de sequeiro a média foi em torno de 40 sacas/ha, ou seja, 75% superior com a irrigação.  

Figura 1 - Diferença de desenvolvimento da soja irrigada por gotejamento (à direita) com a soja sendo conduzida em sequeiro (à esquerda) na Fazenda Lagoa Rica em Diamantino-MT
Figura 1 - Diferença de desenvolvimento da soja irrigada por gotejamento (à direita) com a soja sendo conduzida em sequeiro (à esquerda) na Fazenda Lagoa Rica em Diamantino-MT

A Fazenda Esperança, localizada no município de Itaporâ na região de Dourados (MS), umas das regiões que mais sofreram com o déficit hídrico no milho de segunda safra, também pôde se beneficiar com a irrigação por gotejamento subterrâneo instalado em uma área de 144 ha da fazenda. Enquanto nas áreas em sequeiro as plantas sofriam e tinham seu potencial produtivo comprometido pelo déficit hídrico, na área irrigada e fertirrigada o milho apresentava-se com excelente desenvolvimento e potencial, sendo garantida a produtividade.  

Figura 2 - Diferença de desenvolvimento do milho segunda safra na Fazenda Esperança em Itaporâ-MS, irrigada por gotejamento subterrâneo (à esquerda) e na condição de sequeiro (à direita)
Figura 2 - Diferença de desenvolvimento do milho segunda safra na Fazenda Esperança em Itaporâ-MS, irrigada por gotejamento subterrâneo (à esquerda) e na condição de sequeiro (à direita)

Desta forma, fica claro que a irrigação é uma importante ferramenta para o produtor garantir e aumentar sua produtividade, bem como aproveitar as melhores janelas de plantio e com a probabilidade de sofrer menos riscos com as constantes e imprevistas irregularidades climáticas que vêm sendo observadas nos últimos anos.


William Damas, Especialista Agronômico Netafim 

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