Proteção e vida longa

A graxa lubrificante é um produ to sólido ou semi-sólido que consiste de um agente espessante (sabão metálico) e um líquido lubrificante (óleo). Vem do grego crassus que significa gordura. As graxas apresentam propriedades peculiares que as tornam superiores aos óleos em algumas aplicações, tais como: a aplicação é menos freqüente do que com óleo, baixando o custo da lubrificação; agem como selo contra a entrada de partículas estranhas, agindo da mesma maneira contra vazamento de líquidos; os sistemas de selagem são mais baratos se comparados com os requeridos por óleos; mantêm a lubrificação mesmo que o equipamento não seja lubrificado por longo período; usando-se a graxa correta, sua aderência à superfície é maior que a dos óleos, prevenindo o enferrujamento das peças inativas etc.

A graxa lubrificante contém, além do sabão metálico e do óleo lubrificante, aditivos, que visam atender melhor certas características como resistência à oxidação, ferrugem, extrema pressão e outras, porém é o produto espessante (sabão) que a distingue dos outros lubrificantes, e por esta razão exerce grande influência sobre o seu comportamento.

Que graxa se deve utilizar?

Sempre se deve empregar os lubrificantes recomendados pelo fabricante da máquina. E isso deve ser seguido rigorosamente. Os manuais de manutenção trazem sempre uma tabela de lubrificantes recomendados e aprovados para seus produtos, bem como os pontos de lubrificação e a freqüência de lubrificação. O fato de uma determinada marca não constar destas informações, normalmente indica a sua não-utilização. Normalmente, para fins agrícolas, é indicada a graxa de lítio, pois esta graxa é multifuncional, servindo para lubrificação de rolamentos e articulações. Os graus de consistência mais utilizados são o dois e o três.

Principais recomendações

Antes de escolher ou aplicar a graxa em qualquer máquina ou equipamento, é necessário observar alguns pontos fundamentais para que a utilização seja eficiente:

1) Utilize sempre a graxa recomendada pelo fabricante, graxas não são todas iguais como se apregoa por aí.

2) Para evitar a aplicação de graxa errada, verifique a especificação no recipiente de graxa.

3) Utilize o plano de lubrificação do fabricante para lubrificações diárias, semanais etc.

4) Mantenha limpas as bombas de aplicação e reservatórios de graxas, evitando o contato com poeira.

5) Antes da aplicação, limpe com um pano o pino graxeiro, isto evitará que a sujeira acumulada externamente entre no sistema.

6) Com um estilete verifique o funcionamento da esfera de vedação do pino graxeiro. Pinos graxeiros danificados devem ser substituídos.

7) Após a aplicação, não limpe o excesso de graxa sobre o pino graxeiro, a camada excessiva funcionará como vedação à penetração de sujeira.

8) Deve-se aplicar graxa nova até que toda a graxa velha tenha sido expulsa do reservatório. Isto é percebido devido à diferença de coloração da graxa nova com a velha.

9) Faça uma estimativa da necessidade de utilização de graxa para aproximadamente seis meses. Graxas armazenadas, por períodos mais longos, podem trazer problemas de lubrificação. Isto será provocado pela separação do óleo do sabão metálico, pela ação da gravidade e quando se aplica somente o sabão metálico, não se tem lubrificação. Desta forma, seria interessante que a cada mês os recipientes armazenados sofressem um giro de 180º.

10) Procure também utilizar sempre a graxa mais antiga, controle o seu estoque.

Duas características das graxas lubrificantes indicam a especificação de utilização correta para a máquina, a consistência e o ponto de gota.

Consistência: as graxas são classificadas em graus NLGI (National Lubricating Grease Institute) de acordo com a sua consistência, depois de trabalhada. Esta penetração é determinada por um aparelho, (o penetrômetro), que mede em décimos de milímetros a penetração de um cone de peso conhecido, numa graxa previamente trabalhada (60 batidas duplas num equipamento chamado trabalhador), contida em copo padrão, em condições específicas de tempo e temperatura. Quanto maior a penetração do cone, menor será a consistência da graxa. Desta forma, os graus NLGI são distinguidos conforme Tabela 1 (veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

Nesta classificação, as graxas mais usadas em mancais são as de grau dois e três, enquanto as de grau zero e um são mais empregadas em sistemas centralizados, onde deverão fluir bem nos condutos. Os demais graus são para fins mais específicos.

Ponto de gota: é a temperatura em que a graxa se torna suficientemente fluida, sendo capaz de gotejar através do orifício de um dispositivo, sendo obedecidas as condições de ensaio.

As graxas apresentam ponto de gota variável, dependendo do tipo de sabão e óleo utilizados na sua fabricação. De um modo geral, podem ser classificadas pelo ponto de gota como demonstrado na Tabela 2 (veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

A determinação do ponto de gota apresenta inicialmente interesse no controle de fabricação. Em serviço, é comum a utilização de uma graxa que o ponto de gota esteja acima, pelo menos, 280 C da temperatura de trabalho.

Marcos Roberto Bórmio,
Unesp - Bauru

* Este artigo foi publicado na edição número 29 da revista Cultivar Máquinas, de abril de 2004.

* Confira este artigo, com fotos e tabelas, em formato PDF. Basta clicar no link abaixo:

/arquivos/m29_protecao.pdf
ver mais artigos
CADASTRO DE NEWS
  • Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura