Qual o consumo de combustível mais econômico em operações agrícolas

Ao comparar o consumo de combustível em operações agrícolas, o sistema de plantio direto é o que gasta menos em comparação com os sistemas de plantio convencional e cultivo mínimo.

A avaliação do consumo energético das operações mecanizadas pode ser utilizada para a tomada de decisão na seleção e no uso dos tratores e implementos agrícolas, uma vez que o conhecimento do gasto energético possibilita a escolha das operações que apresentam menor consumo de combustível, refletindo diretamente no custo operacional do maquinário agrícola.

A quantidade de combustível consumida por um trator agrícola se dá em função da força exigida para realização da atividade e da velocidade do conjunto mecanizado. A força necessária para cada operação depende das características do implemento, como sua  massa, tipo de órgão ativo e volume de solo mobilizado. A velocidade com que o conjunto trator-implemento irá realizar a operação é uma característica do tipo de trabalho a ser realizado e é estabelecida pela combinação do regime de rotação do motor do trator com a marcha selecionada.

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Com o objetivo de determinar o consumo de combustível e a demanda de potência e energia em função do sistema de manejo do solo (convencional, cultivo mínimo e plantio direto) e de duas marchas de trabalho (B1 e B2), foram realizados ensaios na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa (MG), em solo classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo.

Para mensurar a força necessária para tração dos implementos foi utilizado o esquema de comboio, no qual foi ensaiado um trator da marca John Deere, modelo 5705, 4x2 TDA, com 63kW (85cv) de potência a 2.400rpm que tracionou um trator marca Valtra Valmet, modelo 800, 4x2 TDA, com 58,88kW (85cv) de potência a 2.400rpm (trator lastro), no qual foram acoplados os implementos utilizados para o preparo do solo e semeadura.

No sistema de manejo convencional foi realizada uma aração a 20cm de profundidade e duas gradagens, seguidas pela semeadura. Para o cultivo mínimo foi realizada a dessecação da vegetação com glifosato na dose de 2,5L/ha e a escarificação à profundidade média de 20cm, seguidas da semeadura. O plantio direto foi estabelecido com a dessecação utilizando glifosato na dose de 2,5L/ha seguida por semeadura.

Foram determinados consumo horário de combustível, capacidade teórica de trabalho, demanda de potência, consumo operacional de combustível (razão entre consumo horário de combustível e capacidade de trabalho teórica) e demanda energética (razão entre potência requerida para tração e capacidade teórica de trabalho) em função da marcha de trabalho (B1 e B2) e do sistema de manejo do solo (convencional, cultivo mínimo e plantio direto).

O experimento foi montado no esquema de parcelas subdivididas, sendo as marchas designadas às parcelas e os sistemas de manejo às subparcelas, no delineamento em blocos ao acaso, com quatro repetições. Os resultados obtidos foram analisados no programa estatístico SPSS Statistics 21, sendo realizada análise de variância para a marcha, sistema de manejo do solo e sua interação. A comparação entre médias foi realizada pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

Nos três sistemas de manejo do solo houve diferença significativa entre as duas marchas de trabalho, em todas as operações realizadas. A marcha B1 apresentou menor demanda de potência em todas as operações e todos os sistemas de manejo do solo (Tabela 1). A menor demanda de potência de tração da marcha B1 é resultado da menor velocidade desenvolvida pelo conjunto mecanizado operando com esta marcha.

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha não diferem a 5% de probabilidade pelo teste de Tuckey.
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha não diferem a 5% de probabilidade pelo teste de Tuckey.

O manejo convencional, independentemente da marcha de trabalho utilizada, apresentou os maiores valores de consumo horário e consumo operacional de combustível, seguido por cultivo mínimo e plantio direto, evidenciando que o número de operações mecanizadas realizadas e a demanda energética de cada operação influenciam diretamente o consumo de combustível nos sistemas de manejo do solo (Tabela 2).

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem a 5% de probabilidade pelo teste de Tuckey.
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem a 5% de probabilidade pelo teste de Tuckey.

A marcha utilizada nas operações também influenciou o consumo horário de combustível, uma vez que a marcha B1 apresentou os menores valores em todos os sistemas de manejo. O consumo operacional de combustível apresentou diferença significativa, entre as duas marchas, somente para o manejo convencional, no qual a marcha B1 apresentou maior consumo. Este maior consumo operacional de combustível é explicado pela menor capacidade de trabalho desenvolvida nessa marcha, consequência da menor velocidade em relação à marcha B2. O maior consumo energético foi observado no manejo convencional, seguido por cultivo mínimo e plantio direto, evidenciando a influência do número de operações na demanda energética dos sistemas de manejo e também a influência de operações com alto consumo energético, como a aração no manejo convencional, sobre a demanda de energia do sistema de manejo (Tabela 3). 

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem a 5% de probabilidade pelo teste de Tuckey.
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem a 5% de probabilidade pelo teste de Tuckey.

O sistema de plantio direto apresentou o menor consumo energético, evidenciando que o menor número de operações configura menor demanda energética para este sistema de manejo. Além disso, o menor volume de solo mobilizado pelos implementos utilizados nos sistemas conservacionistas, como o cultivo mínimo e o plantio direto, contribui para menores valores de gasto energético.

Diante dos resultados obtidos é possível concluir que a marcha de trabalho influencia a potência de tração, o consumo horário e operacional de combustível e o consumo energético nos sistemas de manejo do solo.

A marcha B1 apresenta o menor consumo energético e horário de combustível em todos os sistemas de manejo do solo. O consumo operacional de combustível é menor para marcha B2 no sistema de manejo convencional do solo.

O consumo de energia, assim como o consumo horário e operacional de combustível, é maior no sistema de manejo convencional do solo, seguido por cultivo mínimo e plantio direto.


Haroldo Carlos Fernandes, Anderson Candido da Silva, YarinaYarina M. Trujillo Rodríguez, Universidade Federal de Viçosa


Artigo publicado na edição 147 da Cultivar Máquinas. 

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