Quando a mandioca entrar na bomba de combustível

O setor agroindustrial da mandioca gera resíduos que podem representar um grande nicho para a geração de produtos com maior valor agregado.

A produção de etanol a partir do farelo da mandioca tem como principal objetivo obter álcool fino para emprego nas indústrias de bebidas, perfumaria e farmacêutica. Além destas aplicações convencionais, a partir do etanol é possível extrair ainda o hidrogênio, apontado por especialistas como o centro da economia mundial dentro de algumas décadas, pois quando superadas algumas barreiras tecnológicas esse produto poderá ser usado em células combustíveis.

O hidrogênio já desempenha um importante papel na indústria, pois é usado em grande escala na produção da amônia e na hidrogenação de óleo vegetal. Como energético é utilizado em foguetes espaciais e em células a combustível (CaCs) na geração de energia elétrica.

A produção de hidrogênio a partir de etanol de mandioca vem garantir o uso do hidrogênio nos próximos anos. Hoje, 90% do que é produzido deriva da reforma do gás natural. Desde 2008, a Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro – RJ) está conduzindo um projeto nessa linha em parceria com empresas públicas e privadas.

O farelo de mandioca, por exemplo, vem da HALOTEK-FADEL, empresa localizada em São Paulo. Na Embrapa é feita a caracterização e a biotransformação do farelo em hidrolisado. O hidrolisado é rico em açúcares e precisa de um processo de fermentação para que se obtenha o etanol.

A partir do etanol destilado e/ou pervaporado, entra em cena o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que é responsável pela etapa de caracterização quanto à presença de contaminantes e aplicação nas células combustíveis.

As pesquisas também contam com a colaboração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro de Raízes e Amidos Tropicais (CERAT/UNESP). O projeto recebeu R$ 260 mil do edital Agrofuturo para cobrir as atividades até o final de 2010. Se os resultados até lá forem promissores, teremos soluções para uso do etanol de mandioca como alternativa energética.

Edna Maria Morais Oliveira
Doutora em Bioquímica, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos
edna@ctaa.embrapa.br / www.ctaa.embrapa.br ver mais artigos
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