Registro de Opiliões compondo a fauna edáfica de três agroecossistemas

Os ecossistemas são importantes na manutenção da biodiversidade, garantindo a sobrevivência e a perpetuação das espécies. Cada vez mais, as ações antrópicas não fundamentadas em princípios de sustentabilidade, fragmentam florestas e campos devido à ampliação das fronteiras agrícolas pela exigência de maior produção em função do crescente aumento populacional. Neste contexto, o equilíbrio ambiental, o equilíbrio ambiental dos solos pode ser medido pela observação das características populacionais de grupos de organismos específicos, considerados bioindicadores do grau de alteração ou fragmentação de um local.

A fauna edáfica compreende milhões de animais invertebrados que vivem no solo ou que passam uma ou mais fases da vida no solo. Não sendo possível estudar toda a fauna do solo, geralmente selecionam-se alguns grupos de animais bioindicadores qualidade do mesmo, tais como as ordens: Diptera, Hemiptera, Coleoptera, Thysanoptera, Orthoptera, Psocoptera, Blattodea, Isoptera, Hymenoptera, Isopoda, Diplopoda, Symphyla, Chilopoda, Gastropoda, Pseudoscorpiones e Opiliones. A capacidade destes organismos de modificarem o ambiente-solo fez com que fossem chamados de “engenheiros do ecossistema”, atuando na fragmentação da matéria orgânica e nas características físicas do solo, além de auxiliar nos processos de decomposição e ciclagem de nutrientes.

Dentro da Classe Arachnida, os opiliões apresentam-se como o terceiro maior grupo em diversidade (4.500 a 5.000 espécies), menos diverso apenas que ácaros e aranhas. Apesar disso, são espécies com alto grau de endemismo e distribuição restrita, o que faz dos opiliões um grupo bastante ameaçado. Os opiliões apresentam as mais diferentes formas e tamanhos, distribuídos principalmente nas regiões tropicais. São inofensivos e pouco conhecidos pelo público em geral devido aos seus hábitos crípticos e noturnos. Podem viver enterrados nos solo, sob pedras e troncos, sobre a vegetação ou em cavernas.

Estudos sobre a fauna de opiliões no Brasil são escassos, sendo relatados poucos registros de espécies em ambiente de Cerrado, Caatinga e cavernícolas. Neste sentido, a pesquisa realizada na fazenda de estudo, pesquisa e produção da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/UNESP), Jaboticabal/SP, objetivou conhecer a fauna de opiliões presentes em três agroecossistemas: soja, milho e seringal, no período de dezembro de 2004 a abril de 2005 (período do ciclo total das culturas na área estudada).

A amostragem foi efetuada utilizando-se armadilhas de solo (“pitfall trap”), dispostas em dois transectos paralelos nas culturas de soja, milho e seringal. As armadilhas permaneceram instaladas no campo por uma semana sendo a seguir substituídas por novas, perfazendo o total de 13 datas de amostragem.

As armadilhas consistiam de copos plásticos brancos de 500 mL, contendo solução de formol (1%) e algumas gotas de detergente neutro (Figura 1). As armadilhas foram espaçadas a 10 m entre si, sendo instaladas 10 armadilhas na cultura de soja, 10 no milharal e 12 no seringal, por transecto (Figura 2).

No laboratório procedeu-se a triagem do material, peneirando o conteúdo de cada armadilha (Figura 3). Os opiliões encontrados foram acondicionados em frascos de vidro contendo etanol 80%, devidamente identificados e, posteriormente, enviados para identificação.
Foi capturado o total de 15 espécimes de opiliões pertencentes às famílias: Gonyleptidae e Cosmetidae, da subordem dos Laniatores. Deste total, 13 exemplares foram da espécie Liogonyleptoides inermis (Mello-Leitão) (Laniatores: Gonyleptidae), sendo capturados 12 espécimes no seringal e um na cultura de milho (Tabela 1). Dois espécimes pertenceram ao gênero Gryne Simon (Laniatores: Cosmetidae), um dos quais sendo capturado no seringal e o outro na soja (Tabela 1).

Armadilhas do tipo “pitfall” são freqüentemente utilizadas em estudos de levantamento da fauna de insetos do solo (carabídeos, formigas, hemípteros etc.). O baixo número de espécimes e espécies de opiliões coletados neste tipo de armadilha demonstra que este método não é o mais eficiente para o estudo deste grupo de aracnídeos. O método de “procura livre noturna” é o mais comumente utilizado para o levantamento de opiliões em determinadas áreas, devendo ser preferido. Outra hipótese do baixo número de opiliões capturados seria o local onde foram instaladas as armadilhas, que estaria distante do sítio de forrageamento das espécies de opiliões encontradas nos três agroecossistemas e no remanescente florestal.

A serrapilheira presente no seringal pode favorecer L. inermis, proporcionando micro-hábitats favoráveis ao abrigo e alimentação desta espécie neste agroecossistema, explicando assim, o maior número de espécimes coletados em relação à soja e ao milho.
Este trabalho contribuiu como etapa inicial no conhecimento da fauna de opiliões em agroecossistemas. No entanto são necessários mais estudos e levantamentos faunísticos destes aracnídeos nestes sistemas agrícolas.

Dr. Rodrigo Souza Santos
Professor da Faculdades Integradas FACVEST – Av. Marechal Floriano, 947, Centro, CEP 88501-103, Lages, SC. E-mail: santos_rss@hotmail.com

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