Safra recorde do café mantém oferta no mercado externo elevada e preços em queda

Por Igor Martins Garcia, analista de mercado da COSTDRIVERS

A última publicação da Estatística da Produção Agropecuária do IBGE, de fevereiro, aponta que a safra de café de 2019 deve ser menor do que a safra anterior. O fato se deve a uma bienalidade negativa, ou seja, um processo natural de recuperação do plantio entre as safras, que cai após um ano de alta produtividade. Mas ainda assim, o volume esperado é alto quando comparado aos anos de baixa anteriores.

O preço do café vem seguindo uma tendência de queda desde 2017 e, desde o início de 2019, esse movimento tem se intensificado, principalmente em decorrência da oferta brasileira e mundial elevada. Em 2018, a safra brasileira atingiu níveis recordes, mesmo somando um mercado exportador forte e a demanda interna, resultando em excesso de oferta.

As exportações do grão no último ano tiveram crescimento vigoroso e devem manter essa tendência, aproveitando o baixo valor de cotação internacional e a taxa de câmbio favorecendo a moeda norte-americana.

O Brasil é o maior exportador de café no mercado mundial, respondendo por um terço da produção  e é o segundo mercado consumidor da bebida.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a cafeicultura brasileira está entre as mais exigentes do mundo, principalmente em relação a questões ambientais e sanitárias.

Fontes apontam que as cotações futuras de café na bolsa de NY apresentaram valores mais baixos do que os custos de produção do café, em um nível de baixa histórica nos preços, levando produtores brasileiros a comercializar o grão com prejuízo.

Além da oferta superavitária, destacam-se também a existência de estoques nos portos americanos, e a pressão exercida na bolsa pelos fundos de investimento americanos para manter os patamares mais baixos.

Os produtores brasileiros apontam um custo elevado na produção, ao mesmo passo em que os preços se encontram num patamar baixo, dificultando os resultados financeiros dos produtores do grão, mesmo com as grandes quantidades vendidas.

Um exemplo recente foi o da produtora Terra Forte, uma das maiores do país, que entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar suas dívidas. A empresa iniciou um processo de expansão estimando o valor da saca em R$ 550,00, mas a cotação hoje está em R$ 350,00.

Uma publicação recente da Organização Internacional do Café destaca que essa situação preocupante é percebida da mesma forma para produtores de todo mundo, que já se organizam procurando uma maneira de reverter as perdas.

O próximo Fórum Mundial dos Produtores de Café acontece no mês de julho em São Paulo e, nessa oportunidade, especialistas vão discutir medidas que possam apresentar soluções ao mercado cafeeiro, já que a perspectiva atual só poderia ser modificada com algum fato novo.

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