Safrinha sem invasoras

Mesmo sendo uma modalidade de cultivo recente no país, passando de uma área inexpressiva para cerca de 2 milhões de hectares nesta década, estima-se que em um terço dessa área empregam-se todas as tecnologias modernas de cultivo, incluindo-se a aplicação de herbicidas.

No entanto, em levantamento da flora infestante realizado pelo Instituto Agronômico (IAC) na cultura do milho “safrinha” no estado de São Paulo verificou-se que aproximadamente um terço das lavouras apresentavam infestação significativa de plantas daninhas. Isso pode ser explicado pela ineficiência do cultivo mecânico, que ainda é empregado em algumas lavouras, e por deficiências no controle químico da flora infestante.

Em 1995, fase inicial do milho safrinha no Estado de São Paulo, realizou-se levantamento da flora infestante em lavouras e verificou-se que na região do Vale do Paranapanema, onde o milho “safrinha” substituiu o trigo, predominavam as espécies soja, leiteiro, trapoeraba, picão-preto e nabiça e no Norte, região mais seca e quente onde as terras permaneciam ociosas no outono-inverno, predominava soja, apaga-fogo, caruru, capim-carrapicho e picão-preto. Atualmente, devido ao emprego generalizado e contínuo da atrazina e suas misturas com óleo vegetal e 2,4-D, que controlam predominantemente espécies de folhas largas, o capim-carrapicho é uma das principais espécies da flora infestante em todo o Estado.

Visando antecipar a implantação do milho “safrinha”, sua semeadura é realizada ao mesmo tempo que a soja é colhida em área subseqüente, tornando escassa a disponibilidade de tratores e mão-de-obra para a aplicação de herbicidas nesse momento. Por isso tem sido priorizado a aplicação de herbicidas pós-emergentes e, quando é necessário a dessecação de plantas daninhas remanescentes da soja, é comum realizá-la imediatamente após a semeadura do milho safrinha.

É possível reduzir a dose dos herbicidas na safrinha em relação a safra normal devido ao menor vigor das plantas daninhas nesse período. A menor disponibilidade de água e calor, principalmente nos estádios finais da cultura, faz também com que a reinfestação seja muito pequena. Isso, juntamente com a necessidade de flexibilidade da época de aplicação, tem levado a priorização do uso dos herbicidas pós-emergentes.

Estudos realizados no IAC sobre adequação de doses de atrazina em milho “safrinha”, demonstraram que nesse período pode-se reduzir a dose do produto comercial atrazina mais óleo vegetal (Primóleo) para 1,5 a 2,5 l/ha e que, para a maioria das espécies, a adição de 65 a 130 ml de 2,4-D comercial apresentava efeito sinérgico e não causava fitotoxidade quando aplicado na fase inicial da cultura, exceto quando o híbrido apresenta alta sensibilidade (DEUBER, 1997). Atualmente, devido ao grande risco de fitotoxidade, não se recomenda o uso isolado do 2,4-D em doses maiores que as já citadas.

A mistura de óleo junto com a atrazina é importante, principalmente, para o controle de soja e caruru. Em vez do óleo vegetal, pode-se adicionar o óleo mineral (1 l/ha de Assist), porém, este deve ser misturado diretamente na água do tanque do pulverizador.

Nas lavouras de milho safrinha com problema de folhas estreitas pode-se utilizar o nicosulfuron (Sanson) na dose de 0,50 a 0,75 l/ha, que é um excelente herbicida para o controle do capim-carrapicho. Como não controla muito bem a maioria das espécies de folhas largas, especialmente trapoeraba, caruru, apaga-fogo e guaxuma, deve ser empregado em mistura com a atrazina.

Ao se aplicar nicosulfuron + atrazina para o controle da soja, caruru, leiteiro, picão-preto e carrapicho-de-carneiro não é necessário adicionar 2,4-D, pois o próprio nicosulfuron maximiza o efeito da atrazina. É necessário adicionar 2,4-D ( 130 ml/ha) junto com nicosulfuron + atrazina apenas para o controle da trapoeraba. A omissão do 2,4-D é relevante quando não for possível fazer a aplicação no milho ainda jovem ou o cultivar for muito suscetível. O óleo mineral ou vegetal também pode ser omitido quando se aplica nicosulfuron + atrazina, exceto quando predomina caruru.

Finalmente deve-se considerar que, os herbicidas pré-emergentes apresentam potencial para serem aplicados na safrinha junto com a operação de dessecação, carecendo de estudos específicos (OSIPE, 1999). Outra prática potencial é a dessecação em jato dirigido quando o milho atingir cerca de 50cm, porém, nesse momento pode ter havido alguma interferência do mato com a cultura, pois acredita-se que esta interferência inicia-se bem cedo no milho “safrinha”.


Aildson Pereira Duarte e Robert Deuber
IAC

* Este artigo foi publicado na edição número 02 da revista Cultivar Grandes Culturas, de março de 1999. ver mais artigos
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