Sem doenças de solo

Atualmente na agricultura, os produtores têm buscado tecnologias que possam minimizar os custos e obter maiores lucros com a atividade.

A técnica da enxertia é conhecida mundialmente principalmente nas áreas de fruticultura e floricultura. Em hortaliças, os europeus e japoneses já a utilizavam desde 1921 visando adaptar as variedades conforme a época de plantio. Posteriormente descobriu-se também que essa técnica poderia ser uma alternativa para solucionar problemas relacionados com patógenos de solo, já que essa tecnologia possibilita evitar o contato de uma planta suscetível com um solo infestado, através do uso de porta enxertos resistentes. Dessa forma, permite-se viabilizar a produção de cultivares requeridos pelo mercado, mas sem a devida resistência para os patógenos presentes em determinados solos.

Com o avanço da agricultura moderna, as áreas de cultivos sob ambientes protegidos são intensamente exploradas gerando inúmeros problemas no processo de produção, relacionados principalmente com patógenos de solo. Os cultivos sucessivos em áreas cobertas por estufas têm proporcionado inúmeros problemas de doenças de solo. E, devido ao surgimento de novas raças, estirpes e grupos de diferentes patógenos, não se consegue desenvolver variedades resistentes para atender essa demanda. Com base nisso, a adoção da enxertia utilizando porta-enxertos resistentes constitui uma alternativa de controle em curto prazo.

A enxertia é um dos processos de propagação dos vegetais superiores em que parte de uma planta é unida à outra, de modo que venham a constituir um único vegetal.

No cultivo protegido as vantagens da enxertia no controle de patógenos de solo são nítidas, já que em muitos casos esses patógenos têm inviabilizado o cultivo de hortaliças em estufas pelo fato de produzirem estruturas de resistência e permanecerem por longo período no solo.

A prática de fumigar o solo com brometo de metila para resolver o problema pode torná-lo ainda maior, já que na fumigação, bactérias e fungos antagonistas são normalmente eliminados, facilitando a multiplicação rápida desses fitopatógenos.

Fica claro que no controle desses patógenos, a utilização da enxertia é mais interessante que outras formas de controle como solarização, emprego de vapor d’água, aplicação de produtos químicos e até mesmo hidroponia, isso por que o uso dessa tecnologia não exige uma mudança drástica no manejo da cultura.

Esta técnica pode ser uma ótima alternativa para viabilizar a agricultura orgânica, onde a utilização de qualquer produto químico é restrita.

Além de solucionar o problema de Nematóides e Phytophtora (murchadeira) na cultura do pimentão, podemos citar outras vantagens, tais como:

• Aumento da produtividade;

• Maior vigor de planta;

• Alto pegamento de frutos no ponteiro;

Ecologicamente correto já que não é necessário aplicar produtos químicos para tratar o solo.

Alexandre Mori,
Sakata

* Este artigo foi publicado na edição número 27 da revista Cultivar Hortaliças e Frutas, de agosto/setembro de 2004. ver mais artigos
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