Sementes reanalisadas - O que isso significa?

Por Brescia Ribeiro Marcondes Terra – Diretora de Marketing América do Sul KWS; André Gradowski Figueiredo – Gerente de Produto KWS; e Vanisse de Fátima Silva Lira – Gerente de Qualidade KWS

A produção de sementes de milho é um processo complexo e fortemente regulamentado para garantir que as empresas produtoras ofereçam aos agricultores sementes de alta qualidade, em quantidade adequada, no momento correto e do híbrido desejado.

O desafio da indústria de sementes é maior do que a grande maioria das indústrias, pois as sementes precisam ser produzidas antecipadamente ao momento em que a demanda do volume correto acontecerá. Para se ter uma ideia da complexidade deste processo, o planejamento da produção de sementes começa muito antes, com a definição dos híbridos que serão oferecidos, sendo necessária a produção de semente básica, que serão os parentais do híbrido que serão cruzados para a produção final da semente.

Apenas para ilustrarmos, na produção de um híbrido simples, serão necessários 3 campos de multiplicação, sendo um para a produção do parental fêmea, um para a produção do parental macho e finalmente no ciclo seguinte um campo onde estes dois parentais serão cruzados.

Desta forma, quando se inicia o planejamento da produção de sementes comerciais, a demanda do mercado ainda não está definida, e todo o planejamento é feito com antecedência de, no mínimo, dois anos, de acordo com a estimativa futura da área plantada e da demanda do produto em questão.

E, da mesma forma que a produção de grãos, a produção de sementes pode sofrer frustrações de safra causadas por fatores ambientais, o que pode impactar no volume final de sementes, na sua qualidade e nos custos de cada produto. 

Por isso, as principais empresas produtoras de sementes possuem processos e procedimentos internos complexos para assegurar não apenas a disponibilidade de produtos aos seus clientes, mas também a qualidade desses produtos.

Na KWS, antes de se iniciar o processo de produção de sementes comerciais, todas as linhagens são estudadas profundamente pela área denominada Pesquisa de Produção. Esta área tem por objetivo conhecer a fundo o comportamento de cada linhagem, necessidades de manejo específicas, janela de plantio e componentes de produção, para que os campos de sementes possam apresentar o maior rendimento possível com a melhor qualidade final.  Esse é somente o início do processo. Após a determinação das características e regiões mais favoráveis para o plantio dessas linhagens, são selecionados produtores altamente tecnificados que possam oferecer todos os tratos culturais e realizar o monitoramento necessário em um campo de produção de sementes. Estes campos são periodicamente auditados por técnicos de campo da empresa, sendo que fatores como qualidade de plantio e manejo da área são avaliados até o momento da colheita.

Quando as sementes chegam à unidade de beneficiamento, se inicia um novo processo, que tem como objetivo garantir a manutenção da qualidade fisiológica das sementes e a identificação de possíveis lotes que não atinjam os padrões de qualidade, para serem descartados.

Todo esse processo é realizado em ambiente controlado e com procedimentos padronizados. No processo de classificação, são descartadas sementes com defeitos físicos e as remanescentes são separadas por largura, espessura e comprimento. Após o processo de classificação, realiza-se o ensaque das sementes, que são armazenadas em câmaras frias a uma temperatura de 10 °C e umidade relativa do ar em 50%, até que sejam realizados os testes de qualidade pelo Laboratório de Análise de Sementes KWS, que é um laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Como o planejamento de produção e, principalmente, o plantio dos campos de sementes é feito com um ano de antecedência, é natural que possam ocorrer no mercado falta de alguns produtos e sobra de outros. Para lidar com essa situação, as empresas investem massivamente em infraestrutura, para manter a qualidade das sementes armazenadas, em condições de temperatura e umidade altamente controladas e monitoramento constante de qualidade.

Cabe salientar que a legislação brasileira é uma das mais rigorosas no mundo demandando que todo lote de sementes de milho, antes de ser comercializado, seja submetido a testes em laboratórios credenciados, que determinem a qualidade física e fisiológica da semente, seguindo padrões específicos de qualidade. Estes laboratórios são periodicamente auditados, garantindo acuracidade e precisão dos testes.

Os resultados dessas análises são informados em todos os documentos obrigatórios que acompanham o lote, como Termo de Conformidade, Termo Aditivo e o Boletim de Análise de Sementes, que apresenta também a validade do teste de germinação, que é de 12 meses para primeira análise. Após estes 12 meses, se a semente não foi entregue ao produtor, é permitido por lei novas análises das sementes e o prazo de validade do novo teste é de 8 meses.

Durante o processo desta reanálise, o lote é amostrado seguindo procedimentos estabelecidos pela RAS (Brasil, 2009). Esta amostra é submetida novamente a todos os testes de qualidade, sendo obtidos novos valores de germinação. Os lotes de sementes somente são liberados para comercialização se atingirem rigorosamente os critérios legais de qualidade.

Em função das condições climáticas nos campos de produção variarem a cada ano, a qualidade de uma semente reanalisada pode ser superior, inclusive, a sementes recém produzidas. Estas sementes, quando bem armazenadas em câmara fria, garantem uma lavoura bem estabelecida e altamente vigorosa.

Por esta razão, devemos sempre nos basear nos testes de qualidade e não na sua safra de produção.  Sementes boas são aquelas que atingem os padrões de qualidade exigidas por lei e que foram devidamente armazenadas até o momento do plantio.

O agricultor pode ainda contar com a rastreabilidade destas informações do lote de sementes na própria sacaria e nos documentos que acompanham os lotes. 

A disponibilidade de produtos em uma safra, somente é possível devido a este processo. De outra forma, em um ano de aumento de área de plantio de milho no país, não haveria sementes suficientes na indústria para possibilitar essa flexibilidade ao produtor. Somente com o processo de reanalise de semente se garante a relação de oferta e demanda.

A recusa em utilizar sementes reanalisadas, prejudicaria em muito o produtor brasileiro, pois isto acarretaria um aumento dos custos de produção, descarte de sementes de qualidade e menor disponibilidade de sementes, em alguns casos, inviabilizando totalmente a produção de alguns híbridos que necessitam de uma janela de plantio especifica e produção antecipada.

A grande maioria das sementes reanalisadas provém de produção antecipada e ficaram durante todo o tempo em poder da empresa produtora, armazenadas sob condições controladas.

A KWS, multinacional alemã, estabelecida no Brasil desde 2012, possui critérios de qualidade mais elevados do que os requeridos pelo Ministério da Agricultura, sendo que, para serem consideradas aptos para comercialização, todos os lotes de sementes devem apresentar índice de germinação superior a 90%.

Além de todo o cuidado com a produção de sementes, do campo até o envio, a KWS investiu 10 milhões de euros em uma nova unidade de beneficiamento de sementes que será inaugurada no mês de agosto. Esta unidade, com tecnologia de ponta, será a mais moderna do Brasil, com um sistema de beneficiamento horizontal que preserva ainda mais a qualidade e integridade da semente.

Desta forma, o Ministério da Agricultura e a KWS trabalham em conjunto para garantir ao produtor de milho Brasileiro a disponibilidade de híbridos e sementes da melhor qualidade.

 


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