Simples e confiável

Simplicidade e robustez. Estas duas impressões é que ficam para quem tem oportunidade de operar e trabalhar com o trator 5085.4, integrante da linha média da Agrale. Além do design atraente, com formas arredondadas, inspiradas nas linhas italianas, o trator chama atenção pela cor prata, característica peculiar da linha. A equipe da Cultivar Máquinas viajou para a cidade de Vacaria (RS), na Fazenda Três Rios, onde teve a oportunidade de testar em situação real de trabalho o trator prata da Agrale.

MOTORIZAÇÃO E TRANSMISSÃO

O modelo que testamos é dotado de motor MWM D-229, de construção modular, 4 cilindros, com camisas úmidas, removíveis, e cabeçotes individuais, que evitam empenamentos e vazamentos. O sistema de arrefecimento é com radiador dimensionado para suportar temperaturas elevadas.

O motor trabalha num regime nominal de 2200 rpm, com consumo médio de cinco a sete litros/hora em situação normal de trabalho, administrado por bomba injetora Bosch e injeção direta.

A transmissão oferece 10 marchas à frente e duas à ré, sendo que na primeira marcha alcança a velocidade máxima de 1,5km/h, o que acaba sendo ideal para médias propriedades que freqüentemente necessitam do trator para atividades que demandam velocidades menores, como encanteiradores, ensiladeiras, pulverizadores e forrageiras.
Possui 5 marchas úteis com ótimo escalonamento, entre 4 e 12km/h, faixa de velocidade considerada como a de maior utilização em operações agrícolas. O sistema de sincronização na 4ª e 5ª marchas facilita a condução do trator em deslocamentos e em estradas, devido à facilidade e rapidez no câmbio.

O sistema de embreagem é composto por disco duplo seco, de 310 mm, que permite o acionamento da embreagem da tomada de potência sem a necessidade de parar o trator.

POTÊNCIA A SEU SERVIÇO

A potência nominal exercida pelo motor é de 62,5 kW (85 CV) na rotação de 2300. Com o torque máximo de 28, 5 kgf.m ocorrendo a 1500 rpm pode-se inferir que o trator tem boa capacidade de suportar sobrecargas, o que, aliás, ele demonstrou nos testes que realizamos.

Outro ponto notável é a eficiência da tração dianteira auxiliar. Com um avanço de 3,5 % para pneus novos, chegando ao extremo de 5% para pneus usados, situa-se esta característica exatamente dentro da faixa que os pesquisadores e técnicos indicam como ideal. Por este ajuste exato é que a fábrica também não oferece muitas opções de pneus para este modelo, justamente visando preservar uma característica marcante que ele tem. No uso efetivo é mesmo interessante o efeito da TDA no desempenho do trator. Em situações limite, ao engatar a tração, o trator sai da situação “brincando” como dizem os tratoristas.

SISTEMA HIDRÁULICO

O sistema hidráulico do 5085.4 é dotado de controle de posição, de esforço, mista, flutuação e reação. É composto por bomba hidráulica dupla acionada diretamente pelo motor. O circuito de óleo para a direção hidrostática é independente, com bomba, reservatório, filtros e tubulação.

O engate de três pontos é do tipo universal, categoria II, com estabilizadores telescópicos e diversas possibilidades de regulagens. O controle de esforço possui boa resposta às forças atuantes no 3º ponto, o que dá uma certa uniformidade na operação e economia no combustível. O sistema permite uma capacidade de levante de 2.600 kgf a 0,60 m da rótula de engate (3.300 kgf na rótula), graças ao uso de cilindro externo auxiliar (opção de um segundo cilindro auxiliar).

O controle remoto é componente standard, como em toda a linha de tratores médios, com opcional para o de ação dupla. Possui três saídas, sendo que uma é exclusiva para o acionamento de motores hidráulicos ou para bombeamento constante.

FREIOS

O sistema de freios possui acionamento hidráulico e é do tipo independente ou conjugados de discos secos, que atuam diretamente sobre a semi-árvore traseira com dois discos em cada roda. Já no freio de estacionamento, o acionamento é feito com alavanca de controle, assistida por indicador luminoso no painel.

PAINEL

O painel de instrumentos é bastante simples e prático, o que facilita a vida de qualquer operador. É composto basicamente de termômetro, indicador de nível de combustível, tacômetro com horímetro, sistema de tacômetro com velocímetro para tráfego, quando em 5ª marcha e indicador da rpm da TDP. O painel ainda apresenta luzes indicadoras de luz alta, reserva de combustível, pressão do óleo do motor, recarga da bateria, freio de estacionamento, restrição do filtro de ar e acionamento da TDP.

Opcionalmente pode ser fornecido indicador de direção (“seta”).

DESENHO

Incontestavelmente o design é um ponto forte deste trator. Inovador, com linhas modernas e harmoniosas, e uma escolha de cor (embora opcional) muito acertada. O capô dianteiro, que se abre inteiro para operações de manutenção ou inspeção. Ou as laterais do motor, presas com firmeza, mas de facílima retirada sem o uso de ferramentas. Os pára-lamas envolventes, largos, e totalmente fechados à altura da plataforma do operador evitam acidentes e conferem um aspecto robusto ao trator.

ERGONOMIA E CONFORTO OPERACIONAL

Os maiores “pecados” deste projeto, que pudemos constatar, estão nos aspectos ergonômicos. As alavancas de acionamento da reduzida e dos comandos hidráulicos poderiam estar posicionadas de forma a evitar torções desnecessárias no corpo do operador. O esforço para acionar a reduzida e os pedais, que embora de acionamento hidráulico, lembram acionamento mecânico.

Por outro lado o volante é de boa empunhadura, leve e preciso. O assento com ajustes de altura e posição, com molas e amortecimento hidráulico supre o conforto necessário. O descansa-braço é padrão no assento. A plataforma plana, é com piso anti-derrapante.

O tanque de combustível é externo, de fácil acesso, à altura da cintura do operador. Os tratores vêm equipados com teto, e seu suporte (embora atualmente não seja) já está sendo preparado para estrutura de proteção anti-capotamento (EPAC ou ROPS).

MANOBRABILIDADE

Com a pequena distância entre-eixos (2256 mm) o pouco ângulo de esterçamento das rodas (32,5º à direita e 37,5º à esquerda) não chega a comprometer as manobras do trator. O raio de giro que é de 4.720 mm à direita e 4.650 mm à esquerda se transforma em 3.850 mm e 3.800 mm, respectivamente com o acionamento dos freios direcionais. Não deve haver muitas situações em que se exija (ou se possa exercer) um raio de giro menor na agricultura de médio porte, aplicação preferencial deste trator.

As bitolas podem ser variadas de 1440 a 1900 mm, atendendo as necessidades da maioria das culturas agrícolas convencionalmente estabelecidas.

OUTROS ASPECTOS INTERESSANTES

Peso de 4.525 em ordem de marcha, relação peso-potência de 53,4. A tomada de potência (73,5 CV a 2300 rpm, ou 66,9 CV nominal, a 2000 rpm) tem uma função adicional, que é a TDP proporcional, ou seja, ela gira acionada pela transmissão, permitindo o acionamento de máquinas ou veículos que exijam acionamento proporcional à velocidade de deslocamento, e rotação constante. A bateria selada reduz as operações de inspeção e manutenção.

CONCLUINDO

Um trator valente, robusto, que cumpre o que se propõe: atender os pequenos e médios produtores, ou os grandes em serviços de apoio. Agradável de dirigir, eficiente nas operações de campo, e econômico. Tem possibilidades reais de durabilidade, baixo custo operacional e fácil manutenção. É uma boa opção! Eu compraria!

Arno Dallmeyer,
Cultivar Máquinas

* Este artigo foi publicado na edição número 23 da revista Cultivar Máquinas, de agosto/setembro de 2003.

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